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Lear, colóquio internacional e exposição reabrem o Teatro Nacional São João, integrados na programação para 2021/22

O Teatro Nacional São João (TNSJ) anunciou a programação entre setembro e março da temporada 2021/2022. Sob o mote “O Centenário acaba aqui”, o São João propõe-se a recuperar parte do programa que a pandemia adiou através de um conjunto de iniciativas que encontram agora o seu tempo. A nova temporada traz nove estreias, incluindo duas produções próprias, quatro espetáculos internacionais, um deles em estreia nacional, e 14 coproduções. A nova programação traz também consigo o anúncio da reabertura de portas do edifício-sede do TNSJ, agendado para outubro. A reabertura do edifício centenário integra um programa de três dias pontuado por um colóquio internacional, uma exposição museográfica, a estreia de uma nova produção e o lançamento de três volumes da coleção Cadernos do Centenário.

Recorde-se que o Teatro São João está a ser renovado, no âmbito de uma operação de reabilitação do interior com um investimento total de 2,35 milhões de euros, incluído no programa operacional NORTE 2020. As principais mudanças prendem-se com a melhoria das condições de segurança e de acesso ao edifício, mas a intervenção também permite requalificar a mecânica e a arquitetura de cena do São João. Este investimento compreende ainda a atualização do parque técnico, para além de um reforço da programação artística, entre outros projetos.

LEAR É O ANFITRIÃO DE UM S.JOÃO RENOVADO

Lear (Foto: João Tuna)

O momento de reabertura de portas do edifício-sede será assinalado com a estreia da próxima produção própria da Casa: Lear. Num palco novo, mas sem perder de vista o reportório clássico, Nuno Cardoso, diretor artístico do São João, leva a cena uma das obras mais aclamadas de Shakespeare, dirigindo um elenco que combina a companhia “quase residente” com outros atores que já fizeram história na Casa. Lear vai estrear-se a 22 de outubro, no palco do Teatro São João. Escrita no início do século XVII, a obra de Shakespeare foi apresentada pela primeira vez em 1606, perante a corte do rei Jaime I de Inglaterra. Desde então, a peça tem sido revisitada pelos mais conceituados teatros internacionais, juntando-se agora ao vasto leque de produções próprias do São João.

ENCERRAR O CENTENÁRIO DE OLHOS POSTOS NO FUTURO

Um colóquio internacional, uma exposição, o lançamento de três novos Cadernos do Centenário e uma mesa-redonda dedicada a mais de 200 anos de história do “primeiro teatro da cidade”. São estes os momentos que vão encerrar o Centenário do São João.

De 22 a 24 de outubro, o TNSJ e o Mosteiro de São Bento da Vitória acolhem uma série de conferências subordinadas ao tema Teatros Nacionais: missões, tensões, transformações. Colocando em perspetiva o legado destas instituições, conjugado com o seu potencial artístico de criação, representação e participação, o evento conta com a presença de figuras como Marvin Carlson, teatrólogo e historiador norte-americano, ou da ensaísta polaca Elzbieta Matynia, fundadora e dirigente do Transregional Center for Democratic Studies (Nova Iorque). A iniciativa terá entrada livre.

Em outubro, será inaugurada a exposição 10 Atos 100 Anos, que permanecerá no Salão Nobre do Teatro São João até março do próximo ano. A mostra conta com a curadoria de Gabriella Casella e retrata, em 10 momentos marcantes, os últimos 100 anos do edifício-sede do São João. A “prova de vida” do Monumento Nacional será feita numa parede serpenteada que contará com uma dezena de memórias, desde o incêndio do antigo Real Teatro até ao presente. A entrada é livre.

Já os Cadernos do Centenário vão contar com três novos volumes até ao final do ano. O Caderno de Obra será o primeiro a ser lançado, no dia 4 de novembro, e é uma edição dedicada aos que se empenharam na tarefa de reabilitar o edifício desenhado por Marques da Silva. Já no dia 11 de dezembro, o TNSJ promove o lançamento do quarto e quinto volumes, intitulados Desenho de Luz e Identidade Reescrita. No primeiro volume é explorada a residência artística de António Jorge Gonçalves no Teatro São João. Por sua vez, Identidade Reescrita foca-se na identidade visual da Casa, concebida pela designer Maria Ferrand.

Finalmente, no dia 27 de novembro, os mais de dois séculos de história do Teatro São João serão alvo de reflexão na mesa-redonda O Real Teatro de São João. A iniciativa toma como mote a edição do livro O Velho Teatro de S. João (1798-1908): Teatro e Música no Porto do Longo Século XIX, coordenado por Luísa Cymbron e Ana Isabel Vasconcelos. As autoras vão ser acompanhadas pelo arquiteto Luís Soares Carneiro e pelos professores José Camões (da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) e Pedro Couto Soares (da Escola Superior de Música de Lisboa), que vão recuperar e analisar os pedaços de História de um teatro que ofereceu à praça da Batalha e ao Porto ópera, dança, música e teatro.

“FLORESTA DE ENGANOS”: UMA PRODUÇÃO PRÓPRIA INSPIRADA EM GIL VICENTE

Floresta de Enganos

A segunda produção própria a estrear-se na nova temporada do São João inspira-se na última comédia da obra de Gil Vicente: Floresta de Enganos. Num regresso a casa, o encenador João Pedro Vaz, “carregado de visões, vicentinas e outras”, propõe um regresso a um passado longínquo, na “era do Senhor de 1536 anos”. Esta visita ao universo vicentino tem estreia marcada para o dia 16 de março, no Teatro Nacional São João, e permanecerá em cena até 3 de abril.

O REGRESSO DE “À ESPERA DE GODOT” E “DE “O BALCÃO”

Entre 9 e 19 de dezembro, o São João faz regressar o espetáculo À Espera de Godot, produção própria estreada a 7 de março, em formato live streaming. O reencontro com o palco do São João assinala a primeira apresentação presencial ao público. O espetáculo, encenado por Gábor Tompa – encenador de renome internacional e presidente da União dos Teatros da Europa –, parte do texto de Samuel Beckett para narrar a história de dois palhaços-vadios, Vladimir e Estragon, que passam o tempo a esperar por alguém que nunca chega: Godot.

Já no início de 2022, Nuno Cardoso volta a O Balcão, de Jean Genet. Após a estreia em novembro de 2020, a obra de Genet (traduzida por Regina Guimarães) regressa de 7 a 22 de janeiro de 2022, com um elenco que integra a companhia “quase residente” do São João.

“MEXE” NO TNSJ E ESTREIA DE “TARTUFO” INAUGURAM NOVA TEMPORADA

Tartufi (Foto: Puro Conceito)

Entre os dias 18 e 21 de setembro, a sexta edição do Encontro Internacional de Arte e Comunidade – MEXE passou pelo Teatro Carlos Alberto e marcou o arranque da nova temporada com o espetáculo Paisajes Para No Colorear, da companhia chilena La Re-Sentida. O mês ficará ainda marcado pela estreia de Tartufo, no Mosteiro de São Bento da Vitória. O espetáculo resulta de uma coprodução que une o Teatro da Garagem ao São João, com dramaturgia e encenação de Carlos J. Pessoa. O diretor artístico da companhia lisboeta revisita a obra de Molière num espetáculo que estará em cena até 10 de outubro.

DO “FIMP” À “RESISTÊNCIA” DE AUGUST STRINDBERG

Depois do MEXE, é a vez do Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP) no TNSJ. Com três espetáculos a chegar aos espaços do São João, sublinha-se a estreia de O Julgamento de Ubu, no dia 7 de outubro. Com dramaturgia e encenação de Nuno M Cardoso, o espetáculo ficará em cena até dia 16 desse mês, no TeCA. Destaque ainda para a produção internacional Big Bears Cry Too que, no âmbito do FIMP, será apresentada pela primeira vez em Portugal, nos dias 23 e 24 de outubro, também no TeCA.

Em novembro, o TeCA vai receber a estreia do espetáculo O Pecado de João Agonia, em cena de 11 a 21 de novembro. O espetáculo conta com encenação de João Cardoso, diretor artístico da companhia ASSéDIO, que une esforços com o São João em novo resgate às palavras do dramaturgo Bernardo Santareno. O Pecado de João Agonia (1961) centra-se na “desobediência dos dogmas”, proposta por Santareno, sem esquecer a oposição a um sistema opressivo e as questões de natureza religiosa que faziam estremecer o regime político.

Porque é Infinito, uma coprodução com direção artística de Victor Hugo Pontes e texto de Joana Craveiro, vai subir ao palco do TeCA de 1 a 4 de dezembro. Já entre 16 e 19 de dezembro, o TeCA recebe O Começo Perdido: Mixtape #1. Com texto e encenação de Pedro Martins Beja, e tendo como base a dramaturgia de Florian Hirsch, a coprodução TNSJ/Théâtre National du Luxembourg apresenta-se ao público num formato bilingue – ou “lusoburguês”. O elenco combina atores dos dois países, no âmbito do programa de cooperação celebrado entre o São João e o Teatro Nacional de Luxemburgo, cuja comunidade portuguesa representa um sexto do total da população residente.

Até março de 2022, o Teatro Carlos Alberto contará ainda com as estreias de Menina Júlia e A Estética da Resistência. Numa coprodução com a companhia Público Reservado, Menina Júlia (1888), uma encenação de Renata Portas que estará em cena de 9 a 19 de fevereiro, parte da dramaturgia do dramaturgo sueco August Strindberg para refletir sobre a impossibilidade de separar a luta de classes de uma luta de sexos. Já A Estética de Resistência (1975-81), que tem como base o romance de Peter Weiss, conta com texto de Rui Pina Coelho e encenação de Gonçalo Amorim, numa produção do Teatro Experimental do Porto. O espetáculo fica em cena de 30 de março a 10 de abril.

TNSJ E TeCA RECEBEM ENCENAÇÕES DE PEDRO PENIM E SARA BARROS LEITÃO

Duas das coproduções inseridas na nova temporada contam com a encenação de Pedro Penim, recentemente nomeado para o cargo de diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, e da atriz Sara Barros Leitão. De 17 a 20 de fevereiro, Pais & Filhos, com texto e encenação de Pedro Penim, sobe ao palco do São João. O romance homónimo, magnum opus de Ivan Turguéniev, serve de ponto de partida para uma adaptação contemporânea, baseada no processo pessoal do encenador, que decidiu ter um filho por via do processo de gestação por substituição.

Em março, será a vez de Sara Barros Leitão regressar ao Porto, para apresentar-se em palco, a uma só voz, no espetáculo Monólogo de uma mulher chamada Maria com a sua patroa. As récitas do primeiro espetáculo concebido pela jovem atriz com a estrutura artística Cassandra, que fundou em 2020, podem ser vistas de 2 a 6 desse mês, no TeCA.

MÚSICA, ATIVIDADES FORA DE PORTAS E “LEITURAS NO MOSTEIRO” ESTÃO DE VOLTA

A programação do Teatro Nacional São João completa-se com música, literatura, oficinas, digressões e clubes de teatro para todas as idades, sem esquecer as dez sessões da nova unidade curricular optativa para os estudantes da Universidade do Porto (U. Porto), desenvolvida em parceria com o TNSJ, intitulada Volta ao Palco em 80 Horas. Entre março e maio, os alunos da U. Porto que optem por ingressar nesta formação terão a oportunidade de acompanhar as várias etapas de criação de um espetáculo, desde os ensaios até à apresentação ao público.

Paralelamente à produção teatral, o Mosteiro de São Bento da Vitória vai receber o ciclo MUSIC4L-MENTE, graças a uma parceria entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior com o Teatro Nacional São João. Com curadoria de Filipe Pinto-Ribeiro, pianista e diretor musical do DSCH – Schostakovich Ensemble, MUSIC4L-MENTE vai explorar a interdisciplinaridade entre a música e as neurociências em concertos de música de câmara, pautados por prelúdios científicos que reforçam uma tese: “é no cérebro que a música acontece, é nele que a interpretamos”.

De 23 a 26 de fevereiro, a música regressa aos três espaços da Casa. Na sua quinta edição, o Festival Antena 2 associou-se ao São João para mostrar ao vivo o que todos os dias podemos escutar na rádio. Incluído no mesmo festival, o espetáculo Achadiço, de Nuno Cardoso, vai recuperar um labirinto de referências pessoais que tanto o contam a si como ao público.

A completar a vasta oferta cultural da Casa, regressa Visitações, o mais estruturante projeto do Centro Educativo do São João, que este ano celebra a obra de José Saramago. Parte integrante das Comemorações do Centenário do escritor, Visitações: A Viagem de Saramago envolve nove escolas da Área Metropolitana do Porto e da região Norte. De regresso estão também as já habituais oficinas criativas e formações destinadas ao público, assim como as Leituras no Mosteiro e os Clubes de Teatro. Com orientação de Nuno Preto e Patrícia Queirós, a época do Clube de Teatro Sub-88 faz-se de 28 de setembro a 14 de dezembro. Por sua vez, o Clube de Teatro Sub-18 estará aberto de 2 de outubro a 11 de março de 2021 e regressará em 2022, com novas sessões entre 15 de janeiro e 27 de março.

 

Texto e fotos: Central de Informação / Etc e Tal jornal

 

Foto em destaque: Rui Miguel Melo

 

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