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28.º edição do “Festovar” dedicado à memória do Padre Pires Bastos

 “E foi durante a terceira vaga pandémica que perdemos o padre Bastos, a 8 de Novembro, vítima da Covid-19, para grande consternação de toda a comunidade ovarense. Tinha 85 anos e as cerimónias fúnebres, reservadas à família, decorreram em Loureiro, Oliveira de Azeméis, sua terra natal.” escreveu Manuel Ramos Costada, diretor da Companhia de Teatro Água Corrente de Ovar – Contacto, no editorial do Boletim “Água Corrente” de que também é diretor, que divulga mais uma edição do Festovar, todo o seu programa, itinerância, eventos e atividades desenvolvidas pela Companhia de Teatro, em que autarcas e várias personalidades locais, deixam palavras sobre a evocação e homenagem que a Contacto decidiu fazer ao padre Bastos, “num lance de enorme gratidão e profunda saudade, para que seja sempre lembrado pela importante ação paroquial, social e cultural que durante 45 anos desenvolveu em Ovar”, como é afirmado.

 

José Lopes

(texto e fotos)

 

Entre os vários testemunhos publicados neste Boletim n.º25 no âmbito do Festovar 2021, destacam-se mensagens como:

“Por tudo o que de valoroso fez e representou na nossa comunidade e principalmente para nós, Contacto, aqui fica o nosso profundo sentimento de perda, de gratidão e respeito por um homem de grande cultura e humanidade” (António Alberto Lopes, Presidente da Contacto). “O Padre Bastos (…) Foi uma figura incontornável da vida associativa da Contacto, sendo o seu membro honorário número um, e está muito para além dela.” (Fernando Rodrigues, Diretor do Festival).“O Padre Manuel Pires Bastos repartiu por todos nós a sua sabedoria, humildade e espírito de serviços.” (João Costa, Diretor da Revista “Reis”).

“Não podemos deixar que o seu valor humano e tudo o que representou para Ovar, o concelho e todos os ovarenses caiam no esquecimento.” (Carlos Nuno Granja, Escritor)

“O Padre Bastos foi uma presença peregrinante, pelos muitos lugares que visitou pelo mundo fora, onde deixou e recolheu marcas indeléveis.” (António Poças, Diácono)

“Ao abraçar a cultura como vocação, o Padre Bastos sublimou a sua pastoral e conferiu maior dignidade ao homem-sacerdote. Ovar beneficiou desta paixão e tem a obrigação de a reconhecer. Com gratidão.” (Manuel Malícia, Membro Honorário da Contacto).

“Manuel Pires Bastos – O meu saudoso diretor do João Semana” (…) “Contou-me também que, para além do Evangelho, lia as adivinhas do padre Maia, que eram em verso: (…)” (Fernando Pinto, Jornalista).

“A proximidade à Terra e às suas Gentes também se concretiza com estas homenagens de enorme valor Cultural, Social e Humano.” (Salvador Malheiro, Presidente da Câmara Municipal de Ovar).

“Recordar e evocar o reverendo Padre Bastos neste Festovar, para além de contribuir para perpetuar a sua memória, é celebrar a cultura e o teatro, a bondade e a solidariedade.” (Alexandre Rosas, Vereador da Cultura da Camara Municipal de Ovar).

“Evocar e homenagear, nesta edição, o Padre Manuel Pires Bastos, membro honorário da Companhia de Teatro Água Corrente de Ovar é trazer à memória um homem culto, bom, simples, dialogante, atento a causas, aos mais desfavorecidos e à comunidade em geral.” (Bruno Oliveira, Presidente da União de Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente Pereira).

CASA CHEIA

O Auditório da Casa da Contacto, já sem qualquer restrição de lotação, foi demasiado pequeno para acolher todas as manifestações de evocação e homenagem ao padre Bastos na sessão de abertura da 28.º edição do Festovar, que teve a participação dos Pueri Cantores de São Cristóvão de Ovar, criados em 5 de julho de 1997 para animar a Eucaristia na Igreja Matriz de Ovar, evoluindo para a organização de concertos de modo independente, com várias atuações no estrangeiro em Encontros Internacionais de Pueri Cantores, que incluíram cantar para o Papa Francisco.

Nesta sessão de abertura dedicada a homenagear o padre Bastos, que contou com a presença de vários familiares, Manuel Ramos Costa começou por lembrar “um homem um homem bom, um homem de ação em vários campos da vida comunitária ovarense: espiritual, social, redatorial, artístico e cultural.” Testemunhos de vida que foram abordados pelos oradores convidados para a sessão, que contou com palavras de Domingos Silva, vice-presidente da Câmara Municipal de Ovar, e Bruno Oliveira, presidente da União de Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira, numa palestra em que Manuel Malicia falou de Manuel Pires Bastos como “ator maior da cultura vareira”.

Para este Membro Honorário da Contacto, na sua intervenção de improviso, lembrou e homenageou o padre Bastos, suscitando alguma reflecção numa sala em que muitos dos presentes, como diria Manuel Malicia, tiveram o privilégio de conhecer “um dos atores maiores da história e cultura vareiras”, por isso como concluiu, “não é hora de o ignorar.” Um apelo deixado também aos autarcas presentes na mesa da sessão, em que disse o que pensa. “Ovar atravessa a maior crise da sua História recente, a diversos níveis – social, político, cultural, económico, ecológico, comunitário. Os responsáveis políticos e partidários estão a praticar atos de uma enorme gravidade, que todos pagaremos mais depressa do que julgamos. Se se tratasse apenas de más opções, tudo se resolveria com mudanças. É mais profundo e sistémico.” Assumiu, sem “prestar vassalagem” este ex-autarca.

Numa noite dedicada à memória do padre Bastos pela Contacto, que sempre contou com a sua presença e colaboração, a sessão de abertura do Festovar foi abrilhantada pelos Pueri Cantores de S. Cristóvão sob a direção da maestrina Cátia Correia, que dedicaram umas das músicas do seu reportório ao padre Bastos, “Quando Acreditas” (banda sonora da versão portuguesa do filme “O Príncipe do Egipto”. E ainda pelo ator da Contacto José Ferreira que declamou três sonetos da autoria do homenageado, “Mais Alto”, “Mãe” e “Crucifixo”, acompanhado ao piano por Sara Almeida.

 Foi também apresentada a imagem do cartaz do Festovar 2021, da autoria de Jorge Queirós, e o Troféu que mais uma vez foi criado pelo membro da Contacto, Artur Leite, neste edição em homenagem ao padre Bastos, através de elementos, como a imagem da Igreja Matriz, um livro e um violino, alusão ao Cantar dos Reis. A sessão encerrou com a apresentação do Hino da Contacto, cantado por vários elementos desta Companhia de Teatro, que realiza o Festovar com sete espetáculos que se prolongam até 20 de novembro, para encerrar com a estreia de um novo projeto da Contacto, a sua 75.º produção teatral, “Falar verdade a mentir”, de Almeida Garret e encenação e adaptação de Manuel Ramos Costa, de cujo elenco fazem parte: Andreia Lopes, António Ferreira, João Martins, Luís Ribeiro, Margarida Martins e Miguel Duarte.

“CAO” ABRIU PORTAS A “RAPUNZEI”

O primeiro espetáculo do Festovar 2021decorreu perante uma sala cheia, com o Centro de Artes de Ovar – CAO a abrir portas a “Rapunzel – Uma Aventura Musical”, numa adaptação de Felipe Silva, pelo Grupo de Teatro Renascer, de Esmoriz. Um espetáculo musical com um significativo elenco, que conta a história da jovem Rapunzel prestes a comtemplar 18 anos que tem um enorme cabelo dourado e deseja deixar o confinamento na torre, a que a mãe quer sujeitar. Rapunzel e Flynn, o bandido mais procurado e sedutor do reino, fazem um acordo e fogem, vivendo uma grandiosa aventura. Fantasia e muito colorido deste musical, representado pelo Grupo de Teatro Renascer que, tem passado por vários palcos do país com sucesso, que repetiu agora a convite da Contracto para o arranque da programação do Festovar, iniciada no CAO em que o principal mentor do Renascer, João Gomes, agradeceu a oportunidade de pela primeira vez atuarem no palco do CAO.

Com os restantes espetáculos da programação, durante outubro e novembro a realizarem-se no Auditório da Casa da Contacto, depois da Companhia de Teatro de Santo Tirso, ter apresentado no dia 17 de outubro, a peça infanto-juvenil “Chef Giovanni e o Tesouro da Alimentação Saudável” de Sérgio Macedo, seguiu-se a 23 de outubro, “Omelete” pelo grupo Juventude Unida de Mosteiró, Vila do Conde, a partir de William Shakespeare, com encenação de José Rodrigues.

As sessões do mês de outubro deste Festovar, terminaram no dia 30 com a peça “Falatório muito certo e verdadeiro de um artista reformado” que a Nova Comédia Bracarense levou à cena, com encenação, textos e ambiente sonoro de Fernando Pinheiro, depois de ter estado programada a representação pela mesma Companhia de Braga, “A Comédia da Marmita” de Plauto, com encenação de José Manuel Barros.

Não havendo no país, indicadores sobre a evolução da pandemia, que ponham em causa a atual fase de regresso a alguma normalidade, depois das medidas restritivas que também sacrificaram a cultura e os artistas, e acabaram mesmo por afetar a fase final da edição do Festovar de 2020, que, como realça o diretor da Contacto, Manuel Ramos Costa, “No meio de todo o sofrimento, também os artistas e as associações, como a nossa, foram severamente penalizadas. Mas resistimos e ainda cá estamos, determinados a prosseguir com a nossa ação artística e cultural. Fomos das poucas Companhias a permanecer em palco com três novas produções, e com a habitual itinerância Teatral ainda que um tanto reduzida (…)”.

Estarão reunidas as condições para que a programação deste Festovar seja concluída com o habitual sucesso, proporcionando em ambiente familiar no género infanto-juvenil, no próximo dia 7, “Lorena, A Princesa Vaidosa”, pelo Teatro Passagem de Nível, da Amadora, com encenação, cenografia e figurinos, de Fernanda Santos. Segue-se no dia 13 a comédia pelo TACCO, de Vila do Conde, que trás a Ovar “Os Maridos da Viúva”, com encenação resultante de uma criação coletiva.

A presente edição do Festovar que homenageia o padre Bastos, encerra no dia 20 de novembro na Casa da Contacto com a tradicional estreia de mais uma produção da Companhia anfitriã e da encenação de Manuel Ramos Costa, com “Falar Verdade a Mentir”. Mais um projeto Teatral entre outros com que a Contacto, como afirma o seu Diretor, Fernando Rodrigues, “tem prosseguido o seu objetivo de levar a cultura à comunidade vareira e também aos mais diversos locais do nosso país (…)”.

 

01nov21

 

 

 

 

 

 

 

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