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E o sonho foi concretizado! A Universidade Intergeracional de Ramalde (UNIR) tem novas instalações, para “orgulho dos ramaldenses” e de gáudio para o, então, presidente da Junta, António Gouveia…

A Universidade Intergeracional de Ramalde – UNIR tem, desde há, precisamente, um mês, novas instalações, espaço esse pronto a receber os alunos já neste ano letivo. Curioso: a data de inauguração coincidiu com o Dia Internacional das Pessoas Idosas, assinalado a 1 de outubro.

Mas, para além, desta coincidência, arrastada que foi pelo constante adiamento da inauguração do novo espaço por questões profiláticas em relação à pandemia, o dia 01 de outubro de 2021, foi um marco para a freguesia de Ramalde e para a sua Junta de Freguesia, então, liderada por António Gouveia.

Na cerimónia da inauguração das novas instalações da UNIR, que contou com a presença do presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, do vereador da Habitação e Coesão Social e ainda da Educação, Fernando Paulo, e da recente eleita presidente da Junta de Ramalde, Patrícia Rapazote, entre outros convidados, o, então, líder da freguesia ramaldense não se esqueceu de relevar a importância desta obra, que nos atrevemos a dizer, foi, e é, a sua “menina-dos-olhos”, isto oito anos depois de ter iniciado os seus trabalhos como presidente da autarquia.

REFORÇAR OS ELOS DE PARTILHA ENTRE GERAÇÕES DISTINTAS…

De salientar, entretanto, que este projeto da Universidade Intergeracional de Ramalde (UNIR), contou com a parceria da Universidade Fernando Pessoa, e é, no fundo, o resultado

Da aprovação dos orçamentos participativos das juntas de freguesia com o objetivo de implementar ou incrementar projetos diretamente destinados a jovens e cidadãos seniores.

Assim sendo, o projeto da UNIR viu justificado e perpetuado com esta obra muitos dos seus objetivos, os quais dão corpo à sua razão de ser e existir: “o acesso à igualdade e a novas oportunidades”, numa perspetiva de inserção e coesão social, assim como de acesso ao meio académico universitário, “reforçando os elos de partilha entre gerações distintas” e contribuir, desse modo, contribuindo para “uma melhor qualidade de vida humana e social e fomentando o envelhecimento ativo”.

O presidente da câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, um tanto ou quanto apressado por questões de agenda, não deixou, mesmo assim, de estar presente, e de, numa rápida intervenção, enaltecer “o trabalho efetuado pelo executivo liderado por António Gouveia”, que foi eleito pelas listas  do seu movimento independente. Agradecimento que foi muito aplaudido e deixou satisfeito o então responsável máximo pela Junta de Freguesia de Ramalde.

ANTÓNIO GOUVEIA: “PARTO COM A SATISFAÇÃO DO DEVER CUMPRIDO

O ato simbólico de inauguração das novas instalações da UNIR teve como principal, protagonista – como não podia deixar de ser -, o ainda presidente da Junta de Freguesia de Ramalde, António Gouveia, num discurso com palavras carregadas de emoção e realismo, num dia há muito aguardado pelo autarca que se encontrava em final de mandato.

“Esta cerimónia tem dois méritos: coincidir, praticamente, com a minha saída da berlinda, nela deixarei de andar já este mês, e poder saudar e felicitar o presidente da Câmara Municipal do Porto por mais uma reeleição para, num último mandato, poder cumprir os desígnios traçados. Por mim, parto – eu e colegas da Junta, também autarcas da AF que me acompanharam e apoiaram – com a satisfação do dever cumprido. As contas em perfeita ordem, deixamos uma freguesia muito sustentável, financeiramente. Mas temo – é a minha experiência de bancário habituado a olhar e sentir o vento dos ciclos económicos e ciclones da economia -, que o futuro que se avizinha não seja assim tão brilhante ou cor-de-rosa como o pintam, a bazuca não chega para destruir um tanque de guerra chamado centralismo, inoperante, travão do desenvolvimento de um país que merecia mais, arrastado por uma “administração pública que, tal como está, só estorva” – a expressão não é minha, foi proferida em 2005 por um ex-secretário da presidência do conselho de ministros. E assim continua”.

“Seja como for” – continuou António Gouveia -, “o senhor presidente da Câmara, e eu, como presidente da Junta – na minha modéstia, pequeno espelho e dimensão do que se passa no município, cuja gestão acompanho com espírito crítico -, cumprimos bem dentro das nossas possibilidades e contrariedades: as nossas contas no Município do Porto e na freguesia de Ramalde estão em ordem, também sustentáveis, financeiramente. Se todas as autarquias e centenas de entidades públicas do Estado assim cumprissem, a dívida pública situar-se-ia em níveis adequados, o mesmo é dizer, geraríamos mais riqueza para distribuir pelo povo português, mais qualidade de vida e melhores salários”.

E como que traçando um quadro social, o autarca salientou outros problemas que afetam os ramaldenses, assim como os portugueses em geral: “a falta de mão-de-obra que se nota cada vez mais, mas ninguém fala nisto; fala-se na diminuição demográfica e não vejo solução! Já não podemos fazer filhos e vemos cada vez menos meninos e meninas nas escolas, também não vejo uma política de emigração capaz de fazer frente a este desequilíbrio e distorção, até o SEF, por razões conhecidas mas escondidas, continua em desalinho e desânimo, os emigrantes em palpos de aranha para conseguir regularizar a sua situação, problema grave, também de segurança interna”.

FOMOS PRUDENTES PERANTE A PANDEMIA, POIS, NEM POR ISSO, DESBARATÁMOS DINHEIRO…

De acordo com António Gouveia, “Ramalde recomenda-se! Apenas algumas das razões já invocadas não nos deixaram levar por diante três ou quatro obras constantes do Plano de Investimentos, fomos prudentes perante a pandemia, pois nem por isso desbaratámos dinheiro, apenas arreámos as velas para o vento da loucura mansa ou tontice lampeira não nos empurrasse contra escolhos escondidos”. Aproveitando a ocasião, o autarca agradeceu à Câmara Municipal, na pessoa do seu presidente, “a gentileza da oferta de 250 livros para o reforço da biblioteca Professor Agostinho da Silva desta Universidade Intergeracional”.

Após um discurso, um tanto ou quanto, centralizado na figura de Rui Moreira e na ação política desenvolvida por este nos últimos oito anos, António Gouveia, não olvidou o trabalho desenvolvido pelos vereadores Fernando Paulo e Manuel Pizarro (no primeiro mandato de Rui Moreira à frente da edilidade); vereadores que “tanto nos ajudaram a levar por diante planos e objetivos nesta nossa Freguesia de Ramalde, que, também em contraciclo, atingiu agora o 2.º lugar na lista das maiores freguesias do Porto em mais população, tem sido assim nos últimos anos.

Já a Patrícia Rapazote, “que me tem-acompanhado há 20 anos, e me irá substituir, ocupando o meu lugar na berlinda”, o ainda presidente da JF Ramalde endereçou algumas palavras, salientando que “irá sentir, por vezes, o desconforto provocado pelos solavancos e teimosia dos cavalos. É normal! Todos os percursos de vida, todas estradas, trilhos e caminhos têm as suas pedras, preciso é que ninguém nos assassine o caráter, ou, pior ainda, tire a vida como fizeram ao rei D. Carlos, vileza e crueldade tremendas. Desejo-lhe e à sua equipa, muitas felicidades e sucesso, transmitir-lhe-ei, como já disse, uma casa bem arrumada, mas não lhe devo iludir o futuro, como li num dos cartazes eleitorais – julgo o do BE e, de forma geral, quase em todos: “Tanto para fazer!”. Ainda bem, bom sinal, poderá assim continuar a obra a que nos propusemos, inovando corrigindo o que não ficou bem ou que poderia ter ficado melhor”.

AGRADECIMENTO ESPECIAL AOS AUTARCAS DO PS

Depois de agradecer também a todos os deputados da Assembleia de Freguesia pelo trabalho desenvolvido e pela “confiança que em mim depositaram, pedindo desculpa por alguns azedumes, poucos – sempre reajo com pouca brandura a acusações sem sentido ou injustas, normais no combate político”, e ter destacado “os autarcas do Partido Socialista que me acompanharam no primeiro mandato e muito nos ajudaram num tempo, também ele, de dificuldades”, António Gouveia disse ter sido “um gosto ter aceitado o repto do presidente da Camara para este desafio, outro gosto o de podermos avaliar em conjunto todo o trabalho que deixamos, poder honrar a confiança em nós depositada, deixa-nos a todos, estou certo, muito felizes e satisfeitos pelo dever cumprido”.

SALVATO TRIGO, ADALBERTO HILLER, PAULO LEAL E JOSÉ TORRES: FUGURAS EM DESTAQUE

Ainda em matéria de agradecimentos, que, nestas ocasiões, têm sempre um significado muito especial, António Gouveia, destacou a pessoa de Salvato Trigo, Reitor da Universidade Fernando Pessoa, que contribuiu para que “ esta Universidade Intergeracional vingasse e fosse um sucesso”, não se esquecendo o autarca do “tempo em que as aulas eram ministradas na Universidade Fernando Pessoa”, projeto que Salvato Trigo e Manuel Maio – presidente de Junta anterior ao mandato iniciado por Gouveia – “gizaram, lançaram e acalentaram entre 2009 e 2013”.

Após saudar e agradecer tudo o que de bom fizeram por Ramalde, a Adalberto Hiller, ao coronel Paulo Leal – Comandante do regimento de Transmissões -, ao tenente Abel Fortuna, da Associação dos Deficientes das Forças Armadas e aos “presidentes da Junta que me antecederam, em especial ao senhor José Torres que nos acompanhou no primeiro mandato e não pode estar presente por razões de saúde; ao deputado Alfredo Fontinha, e aos seus colegas que estudaram nesta escola primária, da qual têm, estou certo, muitas recordações; ao Dr. Manuel Maio, já o referi, foi um dos impulsionadores da transformação desta escola primária em universidade sénior e intergeracional, António Gouveia acabou, por último, por evocar “o presidente da Junta da Paróquia que, no final de 1880, deitou mãos à obra e mandou construir deste edifício, o P.e António João Rodrigues da Silva”…

E chegou, então, a altura de falar, em concreto, sobre a UNIR, isto depois “destes agradecimentos todos – peço perdão se falhou algum ou alguém -, o meu discurso, ou melhor, esta narrativa, vai para a história de um Homem a quem este edifício, construído há 140 anos, finais do séc. XIX, se deve, em 1880 – era monarca D. Luís I, o “Rei Popular” como era conhecido, sucedera a seu irmão D. Pedro V, outro rei exuberante e muito culto falecido prematuramente com o tifo, com 24 anos, foi com eles que se iniciou a rede ferroviária nacional, incluído um ramal que ligou Campanhã à Alfândega. Curiosa coincidência…”

E António Gouveia fez um extenso percurso pela história, para dar relevo à importância da instituição que é, hoje, a UNIR, e naquele que é o seu edifício, no qual a Junta de Freguesia de Ramalde investiu mais de 300.000 euros, mantendo a antiga traça  arquitetónica, num projeto da autoria do Arq. Lourenço d’Eça”.

CENTENA E MEIA DE ALUNOS

A UNIR acolhe cerca de 150 alunos de Ramalde e freguesias vizinhas, e, enquanto universidade sénior, também intergeracional, é a única da cidade do Porto da responsabilidade de uma Junta de freguesia. Ramalde é também a única freguesia a levar a cabo, junto das EB de locais, Atividades de Enriquecimento Curricular, vulgarmente conhecidas por AEC, outro projeto “muito conceituado e acarinhado pela comunidade escolar de Ramalde, também por Pais e Encarregados de Educação, por saberem que seus filhos/educandos estão bem entregues durante as horas em que muitos deles saem para trabalhar”.

OFERTA PEDAGÓGICA

No âmbito da oferta pedagógica a UNIR tem investido em três áreas fundamentais, com vista a proporcionar aos alunos a frequência de aulas e atividades onde os seus conhecimentos sejam valorizados:

Atividade Física – Ginástica, Ritmos, Tai chi, Yoga, Pilates, entre outras;

Saberes – Línguas (inglês, francês e espanhol), Filosofia, Psicologia, História, Informática, entre outras;

Expressões – Expressão Plástica, Tuna, Cavaquinhos, Guitarra, entre outras.

A TUNA…

Desde a sua génese, a UNIR tem uma Tuna académica que já tem participado em vários festivais de música e espetáculos. Tuna que, em abril de 2019, realizou, em Ramalde, o I Festival de Tunas Seniores.

Saiba ainda que o corpo docente da UNIR é constituído por voluntários, professores reformados e professores no ativo.

A atividade da instituição vai muito para além da oferta pedagógica disponível, pois “o lazer e o convívio são premissas fundamentais na promoção de um envelhecimento saudável”.

ATIVIDADES

Assim sendo, a UNIR dinamiza duas (interessantes) atividades:

Conversa Inacabada – O objetivo é abordar temáticas do interesse da comunidade educativa. Desde a saúde e bem-estar, à cidadania, promoção da segurança, apresentações de livros pelos autores, entre outras;

Visitas Culturais – Visam dar a conhecer as ex-libris do Porto e arredores, promovendo assim o gosto pelo património cultural.

No final de cada ano letivo é realizado um passeio com a comunidade académica. Estes passeios têm uma forte componente cultural e procuram criar espaços de encontro na comunidade que se tornem incentivos e estímulos a um espírito de convivência e solidariedade humana e social.

A UNIR tem crescido em termos de comunidade académica, salientando-se o facto de cada vez mais os seniores procuram esta resposta social e a maioria tem acompanhado a UNIR desde a sua criação.

Todos os anos é realizado ainda um inquérito de satisfação a todos os alunos, de modo a aferir os interesses e propostas de melhoria, quer ao nível do funcionamento, quer ao nível da oferta formativa.

 

Texto: José Gonçalves (*)

Fotos: Porto. e UNIR

 

(*) com o apoio “Porto.” e UNIR

 

01nov21

 

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