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Rui Moreira toma posse para mandato “positivo e agregador” de um Porto com “voz de independência e de liberdade”

No discurso de tomada de posse para o seu terceiro e último mandato como presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira garantiu que continuará a trabalhar por um Porto “positivo e agregador”, vincando que a cidade Invicta continuará, também, “a ser sempre uma voz de independência e de liberdade face aos poderes instalados, ao centralismo que em tanto prejudica o país”. A cerimónia pública do ato de instalação dos órgãos municipais – Executivo e Assembleia, decorreu, no requalificado Pavilhão Rosa Mota, perante cidadãos e individualidades dos vários quadrantes da sociedade portuense e portuguesa.

 

Carlos Amaro

(fotos)

 

Com o “inabalável compromisso” de continuar ‘ligado’ ao Porto, Rui Moreira começou por agradecer aos portuenses a confiança renovada no seu projeto político independente, “pela terceira vez e contra tudo e contra todos”. A vitória foi “inequívoca” e nem mesmo as “névoas falaciosas” perturbaram a sua reeleição, constatou.

É, pois, perante o seu programa que o autarca reconduzido responderá aos portuenses, garantindo que vai respeitar “cada compromisso assumido na campanha eleitoral”, mantendo o espírito democrático de auscultar a oposição, algo que sempre norteou a sua governação, afiançou diante de uma plateia onde estiveram os líderes partidários do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, e o secretário-geral do Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, o presidente do Conselho Económico e Social, Francisco Assis, o bispo auxiliar de Lisboa, D. Américo Aguiar, o presidente do Futebol Clube do Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, o professor Luís Valente de Oliveira, o historiador Germano Silva, empresários, como Ilídio Pinho e António Mota, vereadores e deputados municipais empossados e cessantes, presidentes das Juntas de Freguesia, magistrados, entre outras autoridades civis, militares e religiosas, e os seus familiares e amigos.

No discurso que sucedeu à sua tomada de posse, conduzida pelo presidente da Assembleia Municipal do Porto cessante, Miguel Pereira Leite, e no qual não faltaram referências literárias ao Porto, aos portuenses e às características que a ambos distinguem – da “impraticável fé de liberdade” dos portuenses, de Agustina Bessa-Luís, à nobreza de carácter atenta aos “abusos do poder”, aludida por Eugénio de Andrade – Rui Moreira deteve-se, mais alongadamente, no primeiro tomo d’“As Farpas” (1883), de Ramalho Ortigão.

Aproveitando a acutilante narrativa do escritor portuense – que no aclamado periódico do final do século XIX descreve o seu regresso ao Porto passados anos da sua partida da Invicta para a capital, levando-o inclusive a assumir que se sentiu um “turista em viagem na minha própria terra” – o autarca fez uma analogia ao tempo presente, para explicar que a autocrítica é uma característica muito própria do Porto que atravessa gerações.

“CIDADE IRRESOLUTA” ONDE TUDO SE DISCUTE

O “sentimento de protesto e desalento [de Ramalho Ortigão] para com o progresso que havia chegado ao Porto, num dos tempos mais áureos da cidade e que ainda identificam a nossa urbe” é, no fim de contas, “uma magnífica característica portuense que é a (nossa) capacidade crítica”, resumiu Rui Moreira. Para o autarca, profundo admirador da “cidade irresoluta”, “onde tudo está sempre em permanente discussão pública”, este ethos portuense espelha-se em várias polémicas que, ainda hoje, habitam a memória coletiva, auxiliadas pelo decalque dado na imprensa, seja sobre o “debate à volta do Cubo da Ribeira” ou a “zanga à volta da requalificação dos Aliados”.

Ciente, portanto, da característica dos portuenses de “tudo criticar”, o presidente da Câmara do Porto manifestou que isso não será obstáculo para que continue a governar com firmeza no seu último mandato ao serviço da cidade.

“Temos que ter a força e a coragem de, por exemplo, continuar a trabalhar sem descanso na sustentabilidade ambiental, social e económica da cidade. Temos de saber acompanhar os novos tempos e a necessária prosperidade com a inevitável e fraturante agenda da descarbonização”, realçou.

Comprometendo-se, ainda, “a tudo fazer para manter a identidade do Porto”, Rui Moreira deixou claro que o caminho terá de ser compaginável com “um futuro ainda melhor para as gerações futuras”. Nesse sentido, advertiu que será necessário alterar “velhos paradigmas”, deixando em aberto algumas mudanças que podem vir a ser tomadas em decisões camarárias.

Foto: Porto.

“Na mobilidade, no consumo, na utilização de recursos escassos como o espaço público, que deve continuar a ser resgatado… com ou sem os malfadados pilaretes, certamente substituíveis por civismo”, avançou o autarca.

Conclusão de projetos que a pandemia atrasou

Na campanha eleitoral, Rui Moreira já o havia referido: um dos principais motivos que o levara a apresentar a candidatura era a intenção de concluir os projetos que a pandemia atrasou. Hoje, no Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota, que foi requalificado durante o seu segundo mandato com investimento privado, o presidente da Câmara do Porto reafirmou-o elencando um conjunto de investimentos públicos que quer ver terminados – como a obra de restauro e modernização do Mercado do Bolhão, a construção do Terminal Intermodal de Campanhã, a requalificação do Cinema Batalha, a extensão da Biblioteca Pública do Porto – e ainda a reconversão do antigo Matadouro.

Sobre este projeto (antigo Matadouro) o autarca deixou uma consideração especial, pois encara-o como “a âncora da minha sempre e inequívoca prioridade: Campanhã”. Para o edil, a zona oriental “tem condições únicas para ser uma alavanca de desenvolvimento para toda a cidade” e, prova disso, é que há cada vez mais jovens famílias e empreendedores a escolher o território para viver e prosperar, salientou. E a todos os presidentes de junta do concelho, o presidente da Câmara Municipal do Porto deixou o compromisso do “reforço das competências” com os “recursos indispensáveis”.

Na última sessão solene de instalação dos órgãos do município em que participou enquanto presidente da Câmara, Rui Moreira lançou ainda um olhar sobre a crescente atratividade do Porto que, afiança, vai muito além da sua “beleza, singularidade e História”, devendo-se, igualmente, à capacidade coletiva que o Porto teve, nos últimos anos, de se afirmar como “uma cidade cosmopolita, confortável e interessante, atravessada por manifestações crescentemente inequívocas de qualidade de vida”, declarou.

“O Porto ganhou um renovado reconhecimento internacional ao ter sabido aproveitar as oportunidades para explorar o seu potencial de desenvolvimento e se abrir ao mundo em múltiplos planos”, observou ainda.

FEDERAÇÃO DOS MOVIMENTOS INDEPENDENTES

Foto: Porto.

A fechar a sua intervenção, Rui Moreira abriu novamente a porta a uma intenção que já tinha manifestado no discurso de vitória, na noite eleitoral de 26 de setembro. “É urgente, para o bem da democracia (…) que devemos promover a federação dos milhares de cidadãos que continuam a acreditar nos candidatos independentes”.

Poupando-se “a explicações e interpretações excessivas”, o presidente da Câmara do Porto manifestou “total disponibilidade para ajudar a dar corpo a esta ideia que tem as suas fundações na Associação Nacional dos Movimentos Autárquicos Independentes – AMAI”, recusando, no entanto, “qualquer cenário de liderança”.

Segundo o autarca independente, “se há oito anos emergiu um desejo coletivo de ver esta cidade da liberdade entregue”, o mesmo “não pode continuar diluído”. Reafirmando que “o Porto pode, uma vez mais, ser a base histórica de um movimento político mais próximo dos cidadãos”, Rui Moreira aproveitou a ocasião para dar pública nota de agradecimento ao presidente da direção do “Porto, o Nosso Movimento”, Francisco Ramos, responsável pela candidatura que encabeçou pelo Grupo de Cidadãos Eleitores “Aqui Há Porto”, pois “tem sido um presidente dedicado, generoso, inteligente e manifestamente altruísta”, elogiou.

ACORDO DE GOVERNAÇÃO COM O PSD

Foto: Porto.

No palco do Pavilhão Rosa Mota, onde esteve cerca de meia hora para o seu derradeiro discurso de tomada de posse, Rui Moreira não quis deixar de fazer referência ao acordo de governação pós-eleitoral com o PSD Porto, dizendo vai permitir “criar a estabilidade que o Porto merece e precisa”.

Neste particular momento, o autarca endereçou um sentido agradecimento a Miguel Pereira Leite, “pois a sua abnegação, responsabilidade e amor pelo Porto falou mais alto”. “Fica para a história como um extraordinário Presidente da Assembleia Municipal e como um político capaz de, com desapego, se dedicar ao interesse da cidade”, declarou, já depois de Miguel Pereira Leite ter sido ovacionado de pé, por toda a plateia, aquando da assinatura da ata do Executivo Municipal.

O acordo de governação com os sociais-democratas, que Rui Moreira reconheceu também se dever “ao sentido de responsabilidade” do presidente da Concelhia do PSD Porto, Miguel Seabra, e ao cabeça de lista do PSD, o vereador Vladimiro Feliz, será “fiel à vontade expressa pelo povo do Porto”, referiu. Por isso, o autarca independente pediu para que não sejam postos em causa os méritos e as vantagens das soluções de governabilidade.

Mandato para continuar a afirmar “um Porto positivo e agregador”

Rui Moreira encerrou o discurso garantindo que continuará a trabalhar para afirmar “um Porto positivo e agregador”, em tempos que reconhece serem difíceis. Após “o inverno pandémico que todos vivemos, há um frio económico e político que se está a aproximar”, avisou.

Foto: Porto.
Foto: Porto.

A cerimónia de tomada de posse dos órgãos municipais, a que assistiram presencialmente centenas de pessoas e que também foi transmitida em direto, foi pontuada por momentos musicais protagonizados pela Orquestra Juvenil da Bonjóia e pela tuna da UNIR – Universidade Intergeracional de Ramalde.

 

Texto: Porto. / Etc e Tal jornal

 

01nov21

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