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Este Whatsapp que te dou

Miguel Correia

 

Não posso dizer que sou daqueles que estão na vanguarda da tecnologia. Há termos específicos que me obrigam a recorrer ao famoso Dr. Google, mesmo sabendo que a resposta vem num português brasileiro. Contudo, numa perspetiva autodidata – comum à maior parte dos programas instalados nas bugigangas eletrónicas – vamos encontrando uma forma de aprender, de forma rudimentar, a trabalhar com aquilo. E, por entre a viagem, há sempre um amigo que percebe um pouco mais e até nos fornece algumas dicas.

Este clima comunitário de partilha (gratuita) de conhecimento atinge o seu exponente máximo com o aplicativo multiplataforma de mensagens instantâneas e chamadas de voz. Numa forma resumida: o Whatsapp! Seguramente, atrevo-me a escrever, presente em todos os aparelhos retrovisores que temos no bolso das calças, bem acondicionado junto ao traseiro. É bastante prático, útil e tem a grande vantagem de evitar conversar com a pessoa do outro lado do ecrã. Uma espécie de atendedor de chamadas dos tempos modernos.

A aplicação funciona com regras simples: mensagem de voz, textos e uma catrefada de bonecos saltitantes para os que sofrem de preguiça à escrita. O ramalhete fica completo com a junção de vários contactos num grupo criado especialmente para o efeito, mesmo que a pessoa em causa não queira ser adicionada. Seguramente pode abandonar o grupo, mas nunca se livrará de levar alguns recados ou ser vista como demasiado snobe. Por outro lado, se optar pelo silêncio, é apelidada de espião ou ser vista como demasiado snobe. Um dilema para o qual ainda se estudam respostas!

Porque aquele mísero retângulo é o centro das atenções e reúne em si todos os fantasmas do mundo. Uma caixa de Pandora que liberta azedume quando alguém não alinha no tema. A comunidade cientifica ainda analisa o comportamento social de alguns indivíduos que, estando atrás de um ecrã, ganham coragem, deixando de ser uns choninhas insignificantes. Eu, na minha qualidade de aselha informático, defendo que o Whatsapp deveria fazer parte da nossa identidade e curriculum. Vão concorrer a emprego?! Pedir empréstimo para uma torradeira?! Muito bem, documentos pessoais e registos de três grupos Whatsapp: pode ser, por exemplo, clube de futebol; gajas boas ou bota abaixo o chefe.

Desta forma, a pessoa que vai tratar do processo não tem de julgar a aparência e ficar chocada quando descobrir que o individuo à sua frente não tem qualquer problema em ofender colegas de trabalho, menosprezar a esposa ou desejar que o carro do chefe encontre o caminho para um poste. O Whatsapp é a droga que não queremos, mas damos-lhe forte e feio todos os dias! Sabemos que nos consome os poucos neurónios e, em breve, o Gervásio (macaco da reciclagem) será um génio comparado connosco, mas o que importa é ler as duzentas e noventa mensagens que caíram – enquanto escrevi esta crónica – porque o pessoal trabalhador quer marcar um jantar de Natal. E quem não alinhar, sai do grupo…

 

Foto: pesquisa Web

 

01dez21

 

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