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Museu de Ovar reavivou vertente etnográfica com a exposição sobre “A Varina”

Se na poesia de Eugénio de Andrade, “as varinas são símbolos de toda uma cidade”, ou na de Carlos Queirós, “elas representam uma nação”, (segundo o investigador João Manuel de Oliveira, em “Memórias de varinas no imaginário de Lisboa”). No espólio do Museu de Ovar entre o seu vasto património etnográfico regional, as varinas ocupam um lugar especial pelo que representam igualmente no imaginário de Ovar e sua relação umbilical com a pesca costeira no litoral vareiro ao longo de séculos.

Memórias de varinas em diferentes artes, com predominância no óleo, da autoria de vários pintores e ceramistas, cuja exposição “A Varina” no Museu de Ovar aberta ao público no dia 29 de outubro, podendo ser visitada até 29 de janeiro, representa uma pequena mostra do significativo número de peças das obras de arte das coleções deste Museu, sobre a figura da varina que ao longo dos tempos povoaram cidades como Lisboa.

Destacam-se nesta mostra que fez reavivar a vertente etnográfica do Museu de Ovar, obras de nomes como: Narciso Morais (1949), Querubim Lapa (1948 e 1960), Alberto Sousa (1965), Eduardo Dias Ferreira (1980), Rui Sousa (2006), e ainda, óleos sem data de Paulo Gama e Maria Fernanda Amado.

Como curiosidades alusiva à temática da varina, é ainda possível observar uma fotografia de grandes dimensões sobre “Traje de Varina” (1948), tirada em Lisboa pelo então Estúdio Almeida, e oferecida ao Museu de Ovar pela família em 1972, em que a modelo retratada, Fausta de Jesus Régio Correia, era varina natural da Murtosa, tendo na época ido também para Lisboa fazendo vida como varina.

Sobre as varinas vistas pelos diferentes artistas, faz igualmente parte desta exposição, uma das peças emblemáticas que ocupa lugar permanente nas visitas ao Museu de Ovar. Trata-se da “figura escultórica, em faiança (vidrado estanífero sobre chacota), executada na então Fábrica das Devesas, A. Costa & Cª, Vila Nova de Gaia em finais do século XIX, primeira metade do século XX”, segundo registo do Museu sobre a origem da peça, que esteve “no topo da antiga fábrica de conservas “A Varina” no Largo S. Sebastião, hoje Largo Almeida Garrett”, Ovar. Sendo mais tarde doada ao Museu de Ovar, com a particularidade da modelo desta peça ter sido “Maria Crista, mulher humilde de Ovar, carreteira de várias firmas, entre as quais a do Chapeleiro Oliveira, da Rua Elias Garcia, que levava à cabeça os eletrodomésticos ali comprados, inclusive máquinas de costura”.

No texto de folha de sala da exposição, com referências ao “Dicionário da História de Ovar” de Alberto Sousa Lamy, ou “Ovar – A paisagem e o individuo” de Manuel Ferreira Gomes e “A pesca no Furadouro (1800 -1955)” de José de Oliveira Neves. Em que se pode ler o poema “Varinas”, o jornalista vareiro Fernando Pinto, escreve que, “neste seu belo poema, Fernanda de Castro pinta, de uma forma fiel, a figura da voluptuosa “Varina”, musa que inspirou poetas e artistas ao longo dos anos”.

 

Texto e fotos: José Lopes

 

01dez21

 

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