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Nas cidades costeiras da Área Metropolitana do Porto – Estratégia de controlo de gaivotas vai incluir aplicação informática e site dedicado

Plano para controlo da população de gaivotas nas cidades costeiras da Área Metropolitana do Porto reúne os municípios que se debatem com este problema. Número de pedidos de recolha de ninhos e gaivotas na via pública mais do duplicou em três anos.

Está em curso um plano de ação para controlo da população de gaivotas nas cidades costeiras da Área Metropolitana do Porto que vai disponibilizar, em breve, uma aplicação informática e um site dedicado para os cidadãos participarem, através da identificação de ninhos ou registo de ataques de gaivotas. Este dado foi divulgado pelo vereador responsável pelo pelouro do Ambiente, Filipe Araújo, na reunião de Câmara do passado dia 08 de novembro.

Em resposta a uma proposta de recomendação apresentada pelo Partido Socialista, no período antes da ordem do dia, relativamente ao controlo de proliferação das gaivotas – que seria retirada em função do compromisso do Executivo em trazer os dados do trabalho em curso a uma próxima reunião – Filipe Araújo indicou que o “Plano Ação para controlo da população de gaivotas nas cidades costeiras da Área Metropolitana do Porto” foi elaborado “após uma grande insistência por parte do Município do Porto”, tendo comentado que a proposta indiciava “algum grau de desconhecimento do que acontece na cidade e Região”.

Vereador Filipe Araújo

“Foi feito um benchmarking com cidades europeias que têm o mesmo desafio, assim como a georreferenciação de todas as queixas e dos ninhos identificados nesta orla costeira, para termos uma maior noção da realidade”, explicou o vice-presidente da Câmara, sublinhando que a estratégia “passa pela monitorização da população de gaivotas, avaliação dos padrões de reprodução, implementação de testes-piloto no terreno.”

Será dada uma especial atenção à sensibilização da população, acrescentou Filipe Araújo: “Para além de sites, outras informações, haverá uma aplicação informática que será lançada até ao final do ano e vai permitir a participação dos cidadãos. Vão poder identificar os ninhos, reportar problemas de ataques de gaivotas. Haverá vídeos, toda a parte da comunicação, e muita atividade nas escolas.”

“Para além do plano, que tem doze meses de execução, há todo um trabalho feito pelas nossas equipas no dia-a-dia – o Município do Porto tem equipas especializadas nesta temática, que fazem não só a recolha de gaivotas feridas. É um tema complexo em termos de solução, mas para o qual não baixaremos os braços”, concluiu. Os serviços municipais de Ambiente disponibilizam um questionário para reportar informações relacionadas com a presença de gaivotas na cidade do Porto.

EFEITOS ALTAMENTE NOCIVOS

Foto: jg (Arquivo EeTj)

Antes, o vereador Tiago Barbosa Ribeiro, que apresentou a proposta do PS, tinha aludido ao “evidente problema de proliferação das gaivotas na cidade do Porto em contexto urbano”. “Temos vindo a receber um crescente número de queixas por parte de cidadãos em geral, dos ruídos, agressividade contra pessoas e animais de pequeno porte, a sujidade, sendo certo que são veículos de transmissão de doenças”, acrescentou.

“As análises às águas nos lagos do Parque da Cidade demonstram que a presença excessiva de gaivotas nesses planos de água tem efeitos altamente nocivos para a população. Nos municípios do interior, muito longe da costa, essas aves que não são autóctones estão a afetar fortemente a biodiversidade”, corroborou o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.

“Se tratamos ratos e ratazanas de uma determinada forma, mais cedo ou mais tarde vamos ter de olhar para as gaivotas de uma forma diferente. Têm comportamentos altamente agressivos com as pessoas, temos muitos relatos de crianças que são atacadas por gaivotas. A gaivota ser uma espécie protegida faz-se a maior das espécies. É preciso haver uma legislação qualquer, que compreenda que a gaivota já não é o animal simpático de que nós nos lembrávamos quando íamos à praia. Estamos a falar de animais com comportamentos agressivos”, alertou o autarca.

O aumento de episódios com gaivotas na cidade traduz-se numa sobrecarga dos bombeiros, notou ainda Rui Moreira: “Tem um enorme impacto no serviço feito pelos bombeiros. É raro o dia em que não acontece uma situação desta natureza”. Os dados de pedidos de recolha de ninhos e gaivotas na via pública mostram uma tendência de crescimento acelerado: em 2018 os serviços municipais registaram um total de 362, enquanto até 26 de outubro deste ano já ascendiam a 834.

“Vamos ter o Mercado do Bolhão a funcionar e já tomámos um conjunto de medidas preventivas, mas é muito provável que rapidamente tenhamos aqui no centro da cidade esse tipo de gaivotas. Incomodam a tranquilidade das pessoas”, lamentou ainda Rui Moreira.

O vereador Vladimiro Feliz, do PSD, concordou tratar-se de um problema “que diz muito aos portuenses”. “Fenómenos como este têm de ser tratados de forma integrada. Tem de haver uma política metropolitana. As gaivotas não se têm reduzido, é uma praga como todos bem sentimos”, frisou.

“É um tema recorrente, porque não é fácil resolver este problema. É muito mais antigo do que parece”, lembrou Ilda Figueiredo, da CDU.

 

Texto: Porto. / Etc e Tal jornal

Fotos: Miguel Nogueira (Porto.)

 

01dez21

 

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