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Espetáculo da troupe de Reis, António Dias Simões, no âmbito do 150.º aniversário, foi finalmente repetido em segurança

Para assinalar os 150 anos do nascimento de António Dias Simões e do tradicional Cantar os Reis, de que foi considerado com João Alves Cerqueira, “Pai fundador” desta tradição ovarense, que em 1893 formaram a primeira característica Troupe “Reis dos Alves” ou “Troupe dos Velhos”. No âmbito do vasto programa de comemoração de tal efeméride, que resultou em vários eventos culturais realizados nos finais de 2020 e 2021, com base no trabalho de investigação e conceção de Fernando Frazão e organização dos Serviços Culturais da Camara Municipal de Ovar.

 

José Lopes

(texto e fotos)

 

Foram incluídas duas sessões do espetáculo “Troupe de Reis António Dias Simões”, tendo-se realizado apenas a do dia 8 de janeiro, sendo logo cancelada a do dia 15 devido ao agravamento da pandemia que voltou a colocar o país em confinamento com todas as suas consequências das medidas sanitárias, o que implicou também o cancelamento do tradicional Cantar os Reis. Sendo finalmente repetido no passado dia 29 de outubro, quando as inquietações com o agravamento dos números da pandemia se voltam a fazer sentir.

Foi assim num ambiente acolhedor e evocativo desta figura reiseira, que, no palco do Auditório do Centro de Artes de Ovar (CAO) foram desfiando apontamentos alusivos à vida e obra de António Dias Simões, através das letras e músicas de que foi autor, “numa encenação contemporânea, mas fiel à origem” do historiador, poeta, dramaturgo, comediógrafo, pintor, miniaturista e calígrafo. Com o ator Pedro Damião a interpretar o personagem de António Dias Simões e a sua multifacetada obra, partilhando ainda o palco com a interpretação de, Clara Gondin, Leonor Matos, Luís Rola, Américo Oliveira, Rui Oliveira, Soraia Ferreira, Laura Santos, Alexandra Gondin, Ana Gondin, Nelson Barroso, Rui Carreira, Luís Sá e ainda Daniela Santos, Maria Madalena, Lopes Resende, Ezekiel Martins, Pedro Martins, Eurico Silva, Tiago Campos Ferreira, Luís Rola e Rogério Pacheco.

A “Troupe de Reis António Dias Simões”, como projeto multidisciplinar que teve a participação da comunidade e envolvimento de diversas entidades na criação de um espetáculo, teve Conceção/Investigação e Direção Artística de Pedro Martins, que assumiu igualmente a Produção/Coordenação e Guião deste espetáculo, que teve na encenação, Pedro Damião e Alexandra Gondin. A música que se destacou no reavivar de memórias reiseiras e suas particularidades assumidas pelas Troupes de Reis, teve Direção Musical de Luís Sá, sendo a Academia de Artes Maria Amélia Dias Simões (A.A.M.A.D.S.) a Produtora do espetáculo que contou tambem com participações em representação das várias Troupes de Reis que vão alimentando a paixão da tradição entre sucessivas gerações de reiseiros.

Foram assim vividos momentos de extraordinária beleza cultural e musical proporcionados por tal evocação, em que se destacou a representação do espirito reiseiro que a sala do CAO vem recebendo na Noite de Reis (cancelada em 2021), que a comunidade deseja voltar a viver como manda esta tradição inscrita no Inventário Nacional como Património Cultural Imaterial.

Espirito reiseiro que a “Troupe de Reis António Dias Simões” nestas comemorações dos 150 anos do seu nascimento, apresentou segundo as características que a diferenciam de outras tradições, como a “Saudação”, “Mensagem” e “Despedida”. Letras e Músicas que fazem parte de um importante espólio deste Património Cultural, que foi interpretado com paixão ao longo do espetáculo, recorrendo na “Saudação” a uma letra de 2001, da autoria de Edwiges Helena Pacheco, com música de Rogério Pacheco. A voz foi de Alexandra Gondin e Rogério Pacheco. Seguiu-se a “Mensagem” uma relíquia de 1953, com música de Edwiges Helena Pacheco que escreveu igualmente a letra com sua mãe, Maria Amélia Dias Simões, familiares de António Dias Simões, que ficaram também na memória reiseira desta comunidade. Já a voz foi de Laura Santos. Por fim, na linha da tradição, foi cantada a “Despedida”, uma Letra de 1970 escrita por Maria Amélia Dias Simões, música de Jaime Mendes e voz de Américo Oliveira, Laura Santos e Rogério Pacheco.

Tal como aqui escrevemos na edição de fevereiro/2021, a propósito da programação cultural suspensa, em que “(…) ficou bem latente no público que já tinha garantido bilhete para uma segunda sessão, a enorme vontade de ver este espetáculo promovido pela Câmara Municipal de Ovar voltar o mais breve possível ao palco do CAO, tal foi a grandeza do trabalho apresentado sob direção artística de Pedro Martins”. Quase um anos depois valeu a pena esperar. Nós próprios esperámos para na fila G, número 1, fazer os registos que aqui publicamos.

 

01dez21

 

 

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