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A Língua Portuguesa continua no mau caminho

Joaquim Castro

 

 

Por muito que se faça a apologia da Língua Portuguesa, o facto é que continuamos a vê-la maltratada, em tudo o que é sítioOs nossos políticos são os primeiros a envergonhá-la, com destaque para os parlamentares e para os governantes. E não há quem ponha um travão neste estado de coisas. No “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”, assinalado no dia 10 de Junho de 2022, em Braga, um constitucionalista, Jorge Miranda, manifestou, coisa rara entre ilustres, o seu descontentamento sobre os maus-tratos que a nossa Língua sofre, nomeadamente, no Ensino e na Comunicação Social. De facto, é constrangedor ver tanta gente a pronunciar, por exemplo, “rúbrica”, palavra que não existe, em vez de “rubrica”; chamar Orçamento “de” Estado, em vez de Orçamento “do” Estado”; Direção-Geral “de” Saúde, em vez de Direção-Geral “da” Saúde, que são formas erradas de referir essas instituições.

 O “NÃO É?” E OUTRAS PRAGAS

De vez em quando, aparecem palavras e frases, sobretudo, nas televisões e nas rádios, que são um massacre para os ouvidos de espectadores e ouvintes. No início da Pandemia, em 2020, tornou-se notória a expressão “aquilo que…”, com que a ministra da Saúde, Marta Temido, brindava, e ainda brinda, sistematicamente, quem a ouvia e quem a ouve, nos meios de comunicação.

Depois, apareceram os imitadores, como o nosso Presidente, que já não prescinde de utilizar a frase “aquilo que…”, para dourar ou abrilhantar os seus discursos. Do género: “aquilo que o Governo vai fazer é…”. Os relatadores e os comentadores do desporto também não passam sem usar esta desgastada expressão e outras equiparadas, para irritação de muitos que os ouvem. Seria bem mais pacífico, digo eu, utilizar, simplesmente, “o que…”. Mais recentemente, chegou a praga do “não é?”, com que muitos palradores iniciam as suas afirmações. Por exemplo: “vamos trabalhar para isso, não é?”. Mas estas pragas linguísticas são infindáveis e poderão ser aqui tratadas, futuramente.

 UMA OPÇÃO DA DIRECÇÃO!

Há uns dias, falei com a chefe de redação de um jornal regional, do distrito de Aveiro, para lhe manifestar o meu desagrado, como leitor, de algumas formas de escrita que não respeitam as normas. Entre alguns exemplos, falei-lhe nos pontinhos com que esse jornal diário escreve os números, em algarismos. Por exemplo: “1.000”, “2.500” e “3.750”. Se assim fosse, o ano em que estamos seria o de “2.022”. Isso mesmo, com pontinho!

Ora, a chefe de redacção, mostrou que naquele jornal as coisas não irão mudar, porque é uma opção da direcção! Fiquei desiludido e estarrecido com a resposta da senhora. Quando as coisas estão mal, há que corrigi-las, não induzindo os leitores em erro, considerando que os jornais estão comprometidos a não abusar da boa-fé dos leitores. O pior, é que não é apenas o problema dos números com pontinho, pois também há muitas outras calinadas à mistura, cujas imagens fazem parte da minha colecção de calinadas. E para não haver dúvidas, um milhão não se escreve assim: 1000000; nem assim: 1.000.000; mas assim: 1 000 000.

 MAIS DO QUE NUNCA

“Um dos que foi à missa”, “Um dos que disparou contra o fugitivo”, “Um dos que jogou melhor”. Claro que, seria “Um dos que foram à missa”, Um dos que dispararam contra o fugitivo”, “Um dos que jogaram melhor”, que é como quem diz, um entre outros. Acontece que estas incorrecções são proferidas pelos mais “famosos” jornalistas, quer da rádio, quer da televisão. Mais do que nunca, isto está a suceder, sem que até os próprios se apercebam desta anomalia linguística. Já aqui referimos, que fariam muito bem os órgãos de comunicação se tivessem alguém com a função de corrigir esses erros e outros, para que tal não voltasse a repetir-se.

Assim não sendo, vamos continuar a ser irritados com erros como estes. Então, se formos aos títulos e aos subtítulos dos jornais, assim como ao desenvolvimento das notícias, é um fartote de pontapés na gramática. Mas o “seti”, o “novi” e o “di”, também fazem o seu caminho, com muitos caminheiros: é o “seti horas”, “o novi horas”, o “dia di ontem”… e por aí fora. Estes casos, tenho-os ouvido na Antena 1. Pode não ser erro, mas é muito esquisito ouvir estas pronúncias. No meio desta tristeza, o Rogeiro e o Milhazes são a nossa alegria!

 

Nota: Por vezes, o autor também erra!

 

Obs: Por vontade do autor e, de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do jornal “Etc. e Tal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.

 

 

01jul22

 

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