Menu Fechar

Festival Internacional de Marionetas de Ovar – FIMO voltou a trazer cor, movimento e muita alegria à rua…

A expectativa era grande na oferta cultural resultante de uma nova fase da programação e organização do Festival Internacional de Marionetas de Ovar – FIMO, que continua a ser uma grande aposta cultural da União de Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira Jusã (UFO), nesta 21.ª edição, que deixou de ter Nuno Pinto como diretor, rosto marcante na afirmação e sucesso do relançamento do FIMO durante as mais recentes edições deste Festival, que tem agora a também autarca da UFO, Salomé Costa, como responsável pela organização do evento, que durante os dias 10, 11 e 12 de junho, voltou a trazer cor, movimento e muita alegria à rua, para a já tradicional festa em família em que o brilho nos olhos de adultos e crianças são uma verdadeira característica deste Festival Internacional de Marionetas em que a comunidade local se empenha entusiasticamente.

 

José Lopes

(texto e fotos)

 

 

Nesta edição do FIMO, de regresso aos espaços públicos, como ruas, parques, jardins, largos, espaços e auditórios de instituições, incluindo a habitual componente social, como levar as marionetas à ala pediátrica do Instituto Português de Oncologia do Porto. A programação proporcionou 18 espetáculos grátis com a participação das Companhias de nove países.

A cerimónia de abertura acabaria por ser o culminar dos vários espetáculos realizados no primeiro dia (10 de junho) de um fim de semana prolongado, que a Companhia LA Fam, de Espanha, desfilou pelas ruas com o gigante Aquiles, com a participação do significativo numero de elementos voluntários da organização do FIMO, através de uma coreografia em que se destacava o ritmo dos movimentos de Aquiles, “filho da deusa Tétis e do mortal Peleu”, que foi um dos “grandes heróis da mitologia grega. De todos aqueles que lutaram na Guerra de Tróia, ele tinha um estatuto especial entre os heróis gregos”. Figura lendária, que entrou “na cidade com os seus mais de 5 metros de altura e os seus quase 800kg”, numa noite indiscutivelmente mágica.

Marcante na programação dos três dias de FIMO foram os espetáculos itinerantes que transformaram as ruas da cidade de Ovar em autênticos palcos em movimento, com o envolvimento do publico que aderiu às dinâmicas proporcionadas por projetos de animação de rua como “Ulterior” uma viagem ao futuro, apresentado pelos Tiritirantes, de Espanha, um espetáculo familiar que se repetiu no sábado e domingo, através de um desfile que arrastou uma enorme multidão, interagindo com três personagens cativantes, representando “criaturas maravilhosas” como “dragossauros”.

Esta viagem “Ulterior”, que, “começa num futuro muito distante, onde o professor Copérnico, um cientista louco que inventou a Pushpaka, uma máquina do tempo.” Não deixará de ser inesquecível desde logo para as crianças, que vibraram de alegria ao mergulharem espontaneamente na história da viagem, em que se destacavam os três brincalhões membros de uma espécie animal de até 5 metros de altura. Momentos de animação de rua verdadeiramente marcantes desta edição do FIMO pós condicionalismos resultantes do confinamento devido à pandemia da Covid-19.

Neste regresso do FIMO em que a UFO se empenhou durante vários meses para proporcionar um ambicioso programa, “sem esquecer as nossas raízes, queremos voltar a ser uma referência no panorama dos festivais de marionetas em Portugal e não só”. Afirmou a organização na apresentação e divulgação do evento, “com o objetivo de dinamizar os espaços públicos e criar uma atração tanto para a nossa população mas, também, promover o turismo a Ovar”.

Como também realçou a organização, “ falar do FIMO é imaginar as ruas e praças do centro de Ovar povoadas de artistas de várias proveniências e culturas em constante envolvência com a comunidade. E assim converter, espaços comuns em palcos improvisados”.

Afirmando o FIMO como “um palco aberto ao mundo”, entre as companhias mundiais de 9 países representados, de Portugal ao Brasil, à Argentina, Itália, Polónia, Espanha ou Republica Checa. A organização fez questão de assumir que, “não podíamos esquecer as companhias vareiras”, a exemplo da Contacto com “Azul Colorido” no seu Auditório na Casa da Contacto, e “Circo Musical” apresentado por Bruno Gama.

A vasta programação desta edição do FIMO que viu reafirmado o sucesso que o vem caraterizando, arrancou no primeiro dia com uma manhã dedicada ao “Mega Workshop de Marionetas” no centro da cidade de Ovar (Largo do Tribunal e Neptuno), em que funcionou uma feirinha de artesãos.

Para respirar alguns dos momentos da animação de rua proporcionados pelas diferentes artes que dão corpo ao FIMO, foi possível, sem qualquer critério na escolha, marcarmos presença nos três dias de muito sol em espetáculos, como, “Fios Mágicos” e “Teatro Dom Roberto, ambos da companhia de Mosteiró (Marionetas Rui Sousa – PT), e “Circo Musical” (Bruno Gama – PT), que se realizaram no Largo do Neptuno.

Já no Parque Urbano que acolheu igualmente vários palcos neste espaço natural, registamos a magia de crianças e adultos, através de “Put your heart into it” (Nina Theatre – IT), um espetáculo sem palavras, em que apenas através de olhares e sorrisos, visa atingir o coração do espectador, levando-o a sorrir e sonhar, emocionar-se, a refletir e maravilhar-se com a simplicidade das pequenas coisas”.

Na intercalada atuação pelos vários palcos, ainda foi possível partilhar o ambiente em tradicionais locais de grande concentração de espetadores, como o Largo do Tribunal em que foi apresentado o trabalho “Psicorock”  (Marionetas Viajeras – AR), pelo professor de desenho, escultor, músico e escritor, Emiliano Lopez, que se dedica à construção de marionetas há 20 anos, e com sua mulher Susana Cayo, artista plástica, dá formação na Argentina, Chile, Peru e Equador há oito anos.

Bem como no Jardim do Cáster numa das agradáveis noites do FIMO, se encheu para ver “Metamorfose” pelo Grupo Ereoatá Teatro de Bonecos, da Bahia, Brasil. Um espetáculo sobre a rotina diária de um senhor sertanejo, vivendo as dificuldades da seca que assola o sertão. “No seu universo imaginário, ele vive em total isolamento e relaciona-se com os elementos da natureza ao seu redor”. Processo de solidão em que “descobre a dor da perda e a possibilidade de imergir em um processo de transformação do ser por meio desta interação, o que resulta na descoberta de um mundo além das fronteiras da imaginação”. Uma entre tantas outras mensagens marcantes, que através de marionetas e fantoches se passam em ambiente familiar partilhado alegremente no espaço público.

 

15jun22

Partilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.