Ana Costa
Há momentos na nossa vida que são únicos e eu tenho a sorte de ter vários desses momentos e de os poder viver, às vezes diariamente.
Quando escolhi ser professora (Sim, mea culpa, fui eu que escolhi!), vibrava com o estar em contacto com crianças. Queria aprender com elas e poder acompanhar e contribuir para o seu desenvolvimento e crescimento.
A primeira vez que entrei, como professora, numa sala de aula, confirmei o que já pensava. Eu, cheia de receios, e eles cheios de “à vontade” … Além de ser mais uma estagiária, também era isso mesmo, era só mais uma… Mas a verdade é que aquelas crianças eram tão espertas, tão despachadas e tão inteligentes, que sabiam os seus limites, mas mais que isso, sabiam os meus!
Como não admirar aqueles seres pequeninos que nem sequer ousavam “brincar” com a professora titular e comigo era quase “tu cá, tu lá”? Eles eram brilhantes na sua forma de agir e ainda hoje lhes estou agradecida por me terem “ajudado” no estágio. Aprendi muito, sobretudo a observar o seu comportamento.
O tempo foi passando e outras crianças vieram…. Muitas crianças…
A minha primeira turma “a sério” (porque era para o ano todo) também me pôs à prova. Foi o máximo!
Uma sala de aula, quarenta olhos bem esbugalhados, postos em mim! Eu que tremia, até na voz…
Um primeiro ano do 1.º ciclo, que não me conhecia, pois eu era nova na escola, e que eu senti que me poderia “devorar” a qualquer momento! Comecei pelo início: os nossos nomes, o que vamos fazer, como iria ser, esquecendo eu que o tempo de atenção de uma criança de seis anos é muito curto, por isso provavelmente nem terão ouvido tudo o que disse e que eu estava ansiosa por transmitir. Tentando seguir a minha cartilha, no final perguntei: “Alguém quer fazer alguma pergunta?” E no meio daqueles quarenta olhos esbugalhados, à espera que eu me calasse, a Maura lá se encheu de coragem e pôs o dedo no ar. Fiquei feliz, pelo menos uma criança estava curiosa e queria saber coisas.
Diz, Maura!”
-“Nós vamos aprender a escrever autocarro?”
-O meu mundo ruiu naquele momento… Autocarro? Autocarro!? Por que razão esta criança quer aprender a escrever autocarro?
-“Sim, vamos, mas não é já… Mas diz lá, porque é que queres aprender a escrever autocarro?”
-“Professora… Porque é uma palavra grande!”
Claro! Que pergunta mais parva fui eu fazer! Óbvio! Só eu, o único adulto ali presente é que não entendi logo! Porque não querer escrever Mãe ou Pai? Não…! Autocarro!
Aos olhos de uma criança, as coisas são tão simples…. Só eu, o adulto, é que me atrapalhei com as letras da palavra e os métodos pedagógicos que aprendi e onde não entravam logo de início a palavra autocarro. Mas aos olhos de uma criança não…
Para a Maura e para as outras crianças, a visão sobre as coisas é sempre simples e prática. Clara… Límpida… E óbvia!
Então eu deixei-me ir…. Subi naquele autocarro que a Maura tanto queria e fui de encontro ao que aqueles quarenta olhos esbugalhados esperavam de mim…
Autocarro, pois então! Seja! E foi!
E contra todas as teorias, naquela turma, foi autocarro que se aprendeu a ler e a escrever em primeiro lugar. E a Maura sorria… E os outros meninos sentiram-se importantes, porque estavam no primeiro dia de escola já sabiam escrever autocarro!
E eu aprendi a olhar aqueles olhos curiosos, com o maior carinho do mundo…. Tão grande como um autocarro!
Imagem: pesquisa Web
01jul22

Sou a Mãe da Maura, e sou ainda e para o resto das nossas vidas Amiga da Ana Costa. Sei que poderão pensar, bem esta aqui vai tecer comentários gigantes. E sim vou. A Professora Ana é o ser humano mais humano que alguma vez conheci. A delicadeza, a subtileza, claro, agora s experiência, tem tudo para fazer embarcar no seu autocarro. Só quem passa pelos braços dela quer um dia voltar. E voltam às dezenas soy para a cumprimentar. Como eu também lá vou só para lhe dar um abraço gigante, do tamanho de um autocarro. Bem-hajas Ana por existires. Por ciudades, mimares e ao mesmo tempo ensinares tão bem os teus meninos. Grata para a vida inteira. Namastê ???
Eu sou a Mãe da Maura e estou extasiada, cheia de orgulho nessa menina que há-de ser sempre a minha Menina. Autocarro, que bem que ficou este texto tão cheio de tudo, escrito pela professora Ana, ilustre, humana, graciosa, grandiosa, carinhosa, e muitos mais adjectivos e tinha esri que ainda tem a qualidade de saber puxar os meninos todos sem excepção, quer para o seu colo quer para o começar a saber estudar. A Rita , minha mais nova teve também o previlégio de ter esta excelente ser humana, indescritível que é, também e durante anos fui podendo observar, quer dentro da sala de aula( xxxxiiiuuuu) quer fora está linda Professora que que começa por pôr todos os meninos e pais também no autocarro do que é saber ser e saber estar. Muito grata, ainda hoje somos amigas, Ana por seres quem és, mesmo quantas vezes exausta e a continuar a saber levar todos no seu autocarro.