O Sindicato Independente de Agentes da Polícia SIAP/ PSP está perplexo perante a tomada de posição de alguns autarcas do norte do País, que de uma forma infundada, vieram a público lançar ataques despropositados e igualmente mascarados de hipocrisia, aos nossos agentes policiais, pelo facto de nesta época balnear o patrulhamento das brigadas mistas, não avançarem nos municípios costeiros que lideram.
“Além de demonstrarem um profundo desconhecimento e desinteresse pela falta de recursos existentes do dispositivo policial do município a que presidem, denotam sobretudo uma grave falta de sensibilidade humana para com os agentes da PSP, que operam na sua Divisão, avança Carlos Torres, presidente do SIAP.
“Ao que se sabe, na preparação da época balnear, não houve a mínima preocupação em reunir atempadamente com os Comandantes da Divisão Policial da PSP, no sentido de perceber se haveria efetivo suficiente para assegurar a continuidade das brigadas mistas este ano. Portanto, não entendo agora tanta lamúria ao serem confrontados com a situação. Não souberam fazer o trabalho de casa e atacam os menos culpados”, frisa o sindicalista.
Carlos Torres adverte que: “não podemos escravizar os agentes da PSP para agradar os senhores Presidentes de Câmara. Há serviços que são solicitados anualmente à PSP e que são assegurados pela Polícia, sendo prioritários na escala de serviço. Depois existem outros serviços, como acontece com este da época balnear, em que não podemos cumprir pela falta de efetivo e nesta altura vários elementos estão de férias”.
Para o presidente do SIAP “os Presidentes de Câmara são pessoas de bem, que naturalmente devem garantir plenas condições laborais dos seus trabalhadores, portanto, não podem contribuir para a escravidão na Polícia, por pura ignorância do que se passa nas forças policiais. Não me caberá a mim avaliar, se estamos perante pura ignorância autárquica ou caprichos
O líder do SIAP esclarece que qualquer político minimamente informado saberá dos problemas nacionais que existem na PSP, em relação à falta de efetivos, sendo factual que: “não temos polícias suficientes para assegurar este serviço das brigadas mistas. Os polícias atualmente já fazem serviços remunerados em dias de folga, espero que os autarcas locais não queiram escravizar os polícias, retirando-lhes os já poucos dias de folga e descanso que têm”.
O líder da estrutura sindical ressalta que “a nossa organização sindical tem vindo a alertar sistematicamente para a falta de efetivos e forte falta de meios na PSP. Não me lembro de ver os autarcas locais preocupados com estas questões para garantir a segurança das suas populações, ou em dialogar com o ministro da Administração Interna, Luís Carneiro para travar este problema”.
Carlos Torres lança o repto aos autarcas queixosos: “em vez de pressionarem a Polícia, tenham coragem política e interpelem o poder central. Dialoguem com a tutela para que se formem mais Polícias em Portugal, propondo igualmente melhores condições laborais para todos os elementos policiais que estão no ativo. Os concursos abrem e não há candidatos suficientes, por algum motivo é”.
“Não podemos clamar por um país seguro com polícias a trabalhar de forma escrava e desumana, cabendo também aos líderes dos municípios terem um papel preponderante nesta matéria. O expetável é serem uma voz ativa neste desígnio e não uma voz crítica, a manchar o bom nome e honra de quem dá a cara diariamente, para zelar pela segurança das populações”, aponta o presidente do SIAP.
A Direção do SIAP/PSP
04jul22