Miguel Correia
Confesso que, depois de muita resistência, o cerco imposto pelas novas tecnologias digitais acabaram por me vencer. À semelhança de qualquer comum mortal estou registado em páginas e grupos da Internet que nem sequer me lembro das palavras-chave ou como lá fui parar.
De acordo com algumas pesquisas, existe um maldito algoritmo – que ninguém sabe qual o aspeto – que analisa, na sombra, tudo que fazemos em frente ao ecrã e, como se não bastasse a coscuvilhice, ainda nos envia sugestões. Por isso, cuidado nas vossas pesquisas! As redes sociais são, por estes dias, tão importantes como o ar que respiramos. E, escusado será dizer, tudo que envolve muita gente tende a terminar em exagero. Principalmente num software (criado e gerido pelo Mafarrico) que não tem regras e parece alimentar-se da energia negativa que paira entre os utilizadores. Talvez por isso muitas pessoas deixaram de publicar, criticam o funcionamento do programa, mas continuam com conta aberta em regime de pura espionagem social. Aqui reside a beleza e encanto da humanidade…
Em tempos, a caixa de mensagens estava repleta com fotos de mulheres lindíssimas, em trajes mais-que-reduzidos, com pedidos de amizade. Não preciso de espelhos, cá por casa, para perceber que alguma coisa de errado pairava naqueles convites eróticos. Por estes dias, os convites de amizade partem de estabelecimentos comerciais. Talhos, peixarias, supermercados, lavandarias e outros que possam imaginar. Parece que, à medida que a inflação aumenta, os comerciantes tentam encontrar um plano de marketing personalizado, que não obriga a criar uma página e pagar pelas visualizações. Mas, sou apenas eu a achar que não é normal ser amigo duma loja?! Vamos combinar um café ou um jantar? Para além do que comercializa teremos interesses em comum?! É ridículo!
Admito que, numa perspetiva comercial, haja interesse em partilhar informação. Mas, por exemplo, alguém quer ter escarrapachado (na lista de amigos) a Casa das Cuecas (sex-shop especializada)?! Por motivos aos quais sou alheio, recebi um pedido de amizade e uma mensagem a alertar para as dificuldades encontradas em arranjar peças de lingerie e roupa interior. Vários fornecedores, devido à crise, não conseguem arranjar tecido. De acordo com alguns comentários (lidos por mera curiosidade) a solução passa pelo fabrico artesanal das peças, pelo próprio. No meu caso concreto seria preciso uma grande quantidade de tecido.
Foto: pesquisa Web
01jul22
