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BOLHÃO: a Marca, o Mercado, a Reabilitação… A dois meses da reabertura já se prepara a festa com Rui Moreira a lançar os primeiros “foguetes” para gáudio de comerciantes e tripeiros

Precisamente a dois meses da tão ansiada reabertura das portas do Mercado do Bolhão, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira – na presença todos os vereadores (com pelouro) do seu executivo e ainda do presidente da Assembleia Municipal do Porto, Sebastião Feyo de Azevedo, assim como do autor do projeto de reabilitação do Mercado, Nuno Valentim, e da vice-presidente da GO Porto, Cátia Meirinhos -, apresentou, ao final da, “fresca”, manhã desta sexta-feira (15jul22), a marca ‘Bolhão’.

A conferência de imprensa decorreu no interior do edifício, que será objeto, durante os próximos dois meses – ou seja, antes da sua reabertura e do tocar oficial do sino (sim, do sino que se encontra na porta norte do Mercado e que dá sinal para a abertura e fecho das suas portas aos clientes) – a pequenas correções na sequência das vistorias realizadas.

 

 

José Gonçalves            Ursula Zangger

(texto)                                (fotos)

 

E o(a) leitor(a) fica, desde já, com a informação que o renovado mercado do Bolhão terá um total de 81 bancas, 38 lojas e 10 restaurantes, acomodando, entre outros, 87 comerciantes históricos.

Ah! E em questões de acessibilidade, destaque para a existência de, nada mais, nada menos, 12… – repito: doze – elevadores, assim como de uma porta de acesso direto à estação do Metro do… Bolhão.

Saiba também, que a gestão da empreitada de “Restauro e Modernização do Mercado do Bolhão” foi assegurada pela GO Porto, e correspondeu a um investimento municipal superior aos 22,3 milhões de euros. A empresa municipal ficará também com a gestão do mercado.

De realçar ainda, que “a obra aliou a recuperação física do edifício, a atualização do mercado de frescos, e a restituição da relação deste equipamento com a cidade, preservando os seus históricos comerciantes. Investiu ainda no aumento da transparência, na acessibilidade, no conforto e na sua funcionalidade”, como fez questão de, atempadamente, informar o Departamento de Comunicação e Promoção da Câmara Municipal do Porto (DCP – CMP).

Mas, outros pormenores, com algumas surpresas pelo meio, foram revelados por Rui Moreira, no seu discurso para a, já referida, apresentação da marca “Bolhão”, adicionando à sua intervenção importantes elementos relativos à reabilitação do Mercado, revelados em documento (muito bem elaborado) entregue à comunicação social, isto juntamente com um ramo de flores e um alho-porro.

Para já, quem vos escreve, ficou muito bem impressionado com o pouco que pôde ver do renovado Bolhão…

RUI MOREIRA: “NÃO VAMOS ENTREGAR O MERCADO A NINGUÉM, POIS A CIDADE DECIDIU QUE O BOLHÃO ERA SEU… E É PARA SEMPRE!

 

Depois de elogiar os responsáveis pelo projeto de reabilitação do Mercado do Bolhão, Rui Moreira agradeceu também, “a confiança dos vendedores, que tinham razões, mais que suficientes, para estrarem desconfiados, até porque durante anos foram feitas promessas que falharam”.

O líder da Câmara Municipal do Porto considerou as obras efetuadas resultado de “um projeto de reabilitação notável da autoria de Nuno Valentim” – a quem fez rasgados elogios – traduzindo-se o mesmo num “ato de enorme generosidade” em relação à procura do “exigente equilíbrio entre a preservação do património material e imaterial intrínseco ao Bolhão”.

Assim sendo, “o Mercado, parecendo o mesmo, tem coisas diferentes”, como a “instalação de elevadores” e, outrossim, “a maior capacidade logística conseguida com a criação de uma cave para descargas. Ou seja, desta forma não vamos ter à volta do Mercado as carrinhas a descarregar”.

Como que relembrando o que atrás se referiu, e isto depois de 953 reuniões com os comerciantes e 225 visitas à obra – como complementou o ‘Porto.’ -,“ao Mercado do Bolhão regressam 62 comerciantes, mais 29 novos, e 27 inquilinos históricos, para um total de 81 bancas, 38 lojas e dez restaurantes, assumindo os seus proprietários o compromisso de comprarem os produtos nas bancas do Mercado”, enfatizou Rui Moreira, isto depois de ter sido “interrompido” por duas vendedoras, que o saudaram de forma efusiva e arrancaram vivos aplausos por parte dos convidado(a)s.

Rui Moreira, depois de destacar a reorganização do espaço com a criação, por exemplo, “de uma praça na entrada da Rua Formosa, onde será possível a realização de determinados eventos, assim como de uma ponte que liga a Rua de Alexandre Braga à de Sá da Bandeira (e vice-versa), que considerou uma “nova rua da cidade”, frisou que “a reorganização foi simples, com o mercado de frescos no piso térreo; os restaurantes no piso superior (lado sul) e as lojas voltadas para o exterior”.

Num ”monumento feito de pessoas, sons, cheiros e tradição, há ainda uma fachada que volta ao que era, à cor original”, ou seja “ao granito portuense quando está exposto ao sol”.

“Não vamos entregar o Mercado a ninguém, pois a cidade decidiu que o Bolhão era seu e é para sempre!”, concluiu Rui Moreira

A MARCA “BOLHÃO”

A marca ‘Bolhão’ resulta de uma estratégia que começou a ser desenhada em 2018, aquando a abertura do Mercado Temporário do Bolhão (MTB). O processo da sua construção começou nesse momento e previu a filiação do MTB na gramática da identidade visual da cidade do Porto. Com a articulação de elementos de reconhecíveis dessa identidade pretendeu-se consolidar a dimensão municipal do mercado, a sua centralidade e importância, integrando-o numa linguagem global da cidade, comunicando Bolhão e Porto como complementares e indissociáveis.

Uma filiação de ordem tipográfica, cromática e compositiva, que fez igualmente uso da malha quadrangular e evocativa do azulejo.

No momento de passagem para as instalações provisórias do mercado, esta malha quadrangular foi desenhada no pavimento da Rua de Fernandes Tomás, assinalando o percurso entre os dois equipamentos. Foi ainda base de composição de uma das teias que revestiram a obra, com a imagem dos comerciantes que no desenvolvimento da comunicação do MTB se assumiram como ícones. Foram também as suas imagens que durante estes quatro anos nos receberam no acesso às instalações temporárias do mercado.

No regresso ao edifício renovado, a marca ‘Bolhão’ transporta, quer esta história, quer a relação com a identidade visual da cidade. Sobre a base tipográfica, soma-se agora o desenho de estruturas e superfícies que se adaptam à geometria das letras. Cromaticamente, desenvolve-se no sentido de uma maior harmonia com o edifício e os seus acabamentos. Em vários momentos, funde-se com ele.

A ‘Bolhão’ prevê ainda poder ser ‘da época’, adaptando-se a festas e sazonalidades, comunicando os ciclos, e a vida, do mercado e da cidade. Neste momento da sua apresentação, a marca surge sobre imagens de vendedoras do mercado em 1932, proveniente do Arquivo Histórico da Câmara Municipal do Porto, e pertencentes à coleção Hélder Pacheco. Com esta memória do passado e a promessa de que 2´É para sempre”, pretende-se reforçar a ideia de que o mercado, com as suas funções, gentes e espaços, está a ser devolvido á cidade para um compromisso de futuro

PRINCIPAIS TRABALHOS

E, agora, fique a saber quais os principais trabalhos realizados na “transformação” do Mercado do Bolhão:

Toda a cobertura do edifício foi recuperada e a sua estrutura em madeira foi reforçada e revestida em soletos de ardósia. Ainda na cobertura, completou-se o tratamento de todo o gradeamento metálico das cumieiras.

Todas as peças e adornos das fachadas foram alvo de recuperação.

Total recuperação da fachada.

Recuperação de um conjunto escultórico da autoria de Bento Cândido da Silva.

Execução da laje do terrado com recurso a vigas Pi pré-fabricadas com medida da largura total da cave

Demolição e reconstrução integral da laje da galeria, reproduzindo o desenho original ao mais ínfimo detalhe.

Tratamento dos pilares de apoio da laje da galeria em fábrica/fundição.

Revestimentos com azulejo em vários compartimentos.

Execução de todas as infraestruturas hidráulicas, eletricidade, AVAC, incêndio.

NÚMEROS

Quanto a números, aí estão eles:

8.555 m2 de fachada; 186 florões e 42 dentilhões; 5.630 m2 de cobertura; 30.000 m3 de escavação para cave logística; 542 estacas fazem a contenção no perímetro da cave.

CURIOSIDADES

A cor original do Bolhão, do projeto de 1941, procurava reproduzir o granito portuense exposto ao sol. A pesquisa histórica e as sondagens no local, confirmaram a pré-existência de uma cor de pedra, ou de saibro de jardim, que impregnava a própria argamassa de revestimento de todas as fachadas do edifício. É essa a cor que o Bolhão agora apresenta.

Em vários pontos foi possível recuperar os azulejos originais. Onde tal não foi possível, procurou-se a maior aproximação ao processo produtivo da altura, utilizando doze tonalidades para conseguir uma maior aproximação à cor de origem.

Foram executados 19 protótipos ao longo da empreitada, como o toldo das lojas exteriores, o da cobertura das bancas no piso térreo ou o do tramo de cobertura da galeria.

Na entrada da Rua Formosa estão instaladas duas bancas históricas do Bolhão, como garante da memória das que existiam no espaço, antes da intervenção.

NUNO VALENTIM

E, por fim, um especial destaque para o autor do projeto, Nuno Valentim Lopes, natural do Porto, onde nasceu em 1971 é arquiteto pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP, 1995), Mestre em Reabilitação do Património Edificado (FEUP, 2007) e Doutor em Arquitetura (FAUP 2016).

Entre outras distinções recebeu o International Architecture Awards 2019, para a obra de requalificação da Casa Andresen/Galeria da Biodiversidade do jardim Bo tânico do Porto; o prémio IHRU Nuno Teotónio Pereira 2017/18 e o Prémio Nacional de Reabilitação Urbana para a obra dos “Albergues Noturnos do Porto”, assim como o Prémio João de Almada, 2014, no projeto de reabilitação do Edifício de 1928 na Rua de Alexandre Braga da FIMS.

De se lhe tirar o chapéu!

 

15jul22

 

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2 Comments

  1. Egberto M. Matos

    Uma obra fantástica e apaixonante.
    Vivo há 45 anos a mais de 1.000 kms. do Porto, mas nâo deixo de visitar a minha cidade com certa regularidade, que foi interrompida pela pandemia.
    Tenho prevista uma visita ao Porto a partir de 15 de setembro, para poder pisar e reviver essa maravilha que é o nosso Mercado do Bolhâo.
    O meu profundo agradecimento a todas as `pessoas que fizeram possível esta obra de recuperaçâo memorável e tâo desejada durante tantos anos pelos que amamos a nossa querida cidade.
    Os meus ferverosos parabéns.
    Bem hajam

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