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Cais do Carregal persiste como um dos exemplares cenários pouco qualificados das obras Polis em Ovar

Recordando os propósitos das várias obras e intervenções da Polis Litoral Ria de Aveiro – Sociedade para a Requalificação e Valorização da Ria de Aveiro, S.A., no âmbito do “Reordenamento e Qualificação da Frente Lagunar de Ovar”, que foram sendo propostas à Câmara Municipal de Ovar e aprovadas por unanimidade pelos diferentes executivos dos mandatos envolvidos nas várias fases.

 

José Lopes

(texto e fotos)

 

Fases que incluíram no ambicioso programa de projetos a executar: o Cais da Ribeira, a Foz do Rio Cáster, o Cais do Carregal, a praia da Azurreira, o Cais da Pedra (Carregal), o Cais do Puxadouro (Válega), o “desassoreamento” da Ria (Canal de Ovar), a “requalificação” da Barrinha de Esmoriz, as intervenções nos núcleos piscatórios marítimos e lagunares ou a requalificação das praias, que, em diferentes fases decorreram na última década, desde que em 2012 tiveram inicio o lançamento dos concursos públicos.

A empreitada realizada no Cais do Carregal, dada por concluída a exemplo de outras obras congéneres da Polis no concelho de Ovar, em finais de 2014, persiste como um dos exemplares cenários pouco qualificados das obras Polis em Ovar.

Realizadas então as respetivas primeiras inaugurações (dezembro de 2014) das obras que a exemplo do Cais do Carregal visaram a reabilitação de infraestruturas existentes e o alteamento das cotas das margens e áreas envolventes, estabilização de margens e a sua requalificação paisagística e ambiental, segundo a Polis Litoral, com recurso a fundos Comunitários do Programa Operacional da Valorização do Território (POVT) e do Programa Operacional da Região Centro (PORCentro).

O brilho do novo cenário paisagístico durou pouco tempo, como o nosso jornal foi fazendo referência nestes últimos anos, a exemplo de emblemáticos cais, como o da Ribeira e do Carregal.

 No caso concreto do Cais do Carregal e da respetiva empreitada de requalificação e a designada “qualificação”, que tinha sido adjudicada em conjunto com a Praia da Azurreira e do Areínho. Se no Areínho não há sinais de intervenção, já na Azurreira os sinais de abandono e desleixo em toda a área envolvente há muito são bem visíveis, tal como no Cais do Carregal, mesmo quando um ano depois foram necessárias obras de consolidação dos taludes de sustentação das margens, cujas fragilidades da intervenção inicial foi posta a nu nomeadamente pelos efeitos erosivos das acentuadas correntes das marés, que contribuem igualmente para assorear o canal do Cais a exemplo do da Ribeira que continua a merecer denuncias locais.

Mais do que o abandono a que estão votados os equipamentos construídos de apoio às Ecopistas e passadiços interligados nestas empreitadas ao longo da Frente Lagunar de Ovar que se mantêm fechados na Ribeira e Carregal, a paisagem envolvente é verdadeiramente desoladora para os utentes que recorrem a tais espaços cuja promessa e objetivo de serem atrativos e valorizados, são repetidamente sujeitos à falta de manutenção em tempo útil.

A degradação dos materiais utilizados ecologicamente nestes projetos de requalificação (predominantemente em madeira), acentua-se sem regular intervenção na sua preservação e segurança, deixando uma área que beneficiou há uma década das obras da Polis do Litoral, literalmente em decadência, ou curiosamente fazendo recordar cenários típicos destas zonas ribeirinha, em que as populações, no caso dos pescadores, adaptavam as margens com estacarias em função das suas necessidades para atracagem das embarcações. Imagens de “postais ilustrados” que parecem repetir-se com o estado em que vão ficando estas obras de proteção e defesa da zona costeira e lagunar da Ria de Aveiro.

Antigo cais do Carregal, pintado por Irene Pepolim

O estado de abandono destas áreas lagunares que foram intervencionadas pela Polis do Litoral, vêm sendo tema de preocupação e denúncia entre as diferentes forças partidárias nos órgãos autárquicos, mas as respostas que se vão limitando de forma inconsequente a pontuais ações de corte do matagal que prolongadamente toma conta dos espaços envolventes.

Deixam transparecer pouca disponibilidade das autarquias locais para assumirem a preservação e manutenção das obras da Polis que foram cofinanciadas pela União Europeia, como um cenário natural que poderia refletir-se no “espelho” de água da Ria, não fosse ficar demasiado embaciado nas lamas que no ciclo das marés persiste a sobrepor-se ao caudal necessário para por algumas horas tornar o canal navegável.

 

27jul22

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