A direção da Associação Amigos do Coliseu aprovou por unanimidade, na manhã desta sexta-feira (15jul22), a proposta do representante da Câmara do Porto para dar início ao processo de concessão daquele espaço a privados, tal como era intenção original. Ainda que sem verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), Rui Moreira garante que não vai “deixar que o Coliseu desapareça”.
A opção pela concessão tinha sido descartada quando, em abril de 2021, o presidente da Câmara do Porto e a ministra da Cultura á época, Graça Fonseca, anunciavam um apoio dividido de 3,5 milhões de euros para obras de reabilitação do Coliseu. Rui Moreira lamenta que esse valor, assim como a disponibilidade do Governo, não se tenham verificado.
“Não há fundos comunitários para isto. O PRR tem uma lista de edifícios e 150 milhões de euros inscritos pelo Governo. Procurem lá o Coliseu, eu não encontro”, lançou o presidente da Câmara do Porto, esta sexta-feira, à margem da apresentação da nova marca Bolhão.
O autarca afirmou não ter visto “as pessoas preocupadas com isso, ficaram mudas e caladas quando nós dissemos que, para a cidade do Porto, só veio do PRR um milhão de euros”. “Ainda bem que veio para o Museu Nacional de Soares dos Reis, se não não vinha nada”, acrescentou.
Considerando que ter dado início ao processo de concessão em período de pandemia seria “um suicídio de gestão”, Rui Moreira sublinha que agora “voltámos à intenção original”, aprovada em fevereiro de 2020 pelo Conselho Municipal da Cultura, e que esta “é uma decisão universal de uma associação da qual a Câmara é apenas um quinto”.
A direção da Associação Amigos do Coliseu é composta por Mónica Guerreiro, presidente do Coliseu do Porto e representante do Ministério da Cultura, Maria João Castro, representante da Área Metropolitana do Porto, Nuno Lemos, representante da Câmara do Porto, Daniel Pires, em representação dos Associados Individuais da Associação Amigos do Coliseu e António Tavares, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto.
Com esta opção tomada, o presidente da Câmara do Porto afirma que as obras de reabilitação do edifício serão da responsabilidade da entidade privada que ficar com a concessão.
Sobre a futura utilização do espaço, o autarca defende “que a associação possa continuar a desempenhar as tarefas que sempre desempenhou, dentro de um edifício que é gerido pelas empresas que hoje contratam o Coliseu como barriga de aluguer”, seguindo o exemplo do que hoje acontece com o Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota.
“Ninguém vai acabar com o Coliseu”, garante Rui Moreira, “não vai é ser um Coliseu a cair. O que eu não vou deixar é que o Coliseu desapareça”.
Texto: Porto. / Etc. e Tal
Foto: Miguel Nogueira (Porto.)
15jul22