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Furadouro – Autocaravanismo continua por sua conta e risco…

Servido há várias décadas por um Parque de Campismo, fundado em junho de 1977, propriedade do Clube de Campismo de São João da Madeira. Um equipamento fundamental numa zona balnear, envolvido pela mancha florestal em que foi localizado a poucos metros da praia no norte do Furadouro.

 

José Lopes

(texto e fotos)

 

Nesta praia do concelho de Ovar na União de Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira, o autocaravanismo que ali procura alternativa, não conseguiu até aos dias de hoje sensibilizar os autarcas para que sejam proporcionadas condições básicas para o adequado cumprimento da mais recente legislação a exemplo de outros municípios. Neste caso, a Lei n.º 66/2021, de 24 de agosto, que modifica o regime de estacionamento, pernoita e aparcamento de autocaravanas, alterando o Código da Estrada e o Regulamento de Sinalização do Trânsito. E proíbe “o estacionamento de autocaravanas e similares nas áreas da Rede Natura 2000, áreas de paisagem protegida e zonas abarcadas pelos Planos de Ordenamento da Orla Costeira, fora dos locais autorizados para estacionamento de veículos (…)”.

O Furadouro sempre foi irresistível no roteiro das autocaravanas nacionais e internacionais, mas a falta de interesse no seu acolhimento de forma adequada, tem deixado esta componente turística à mercê de espaços ainda desocupados urbanisticamente, como o terreno a norte junto à Igreja verdadeiramente por sua conta e risco, tais são os riscos de puderem ser surpreendidos por um cenário de insegurança num espaço dominado por um potencial rastilho de matagal ressequido, em que as dezenas de autocaravanas estão habitualmente estacionadas durante vários períodos do ano. 

Depois de alguns anos a utilizarem um parque de estacionamento no norte do Furadouro junto ao local da venda de peixe da arte xávega, e mais perto dos balneários, ainda que com funcionamento muito limitado à época balnear e como mais um ano aconteceu, oferecendo condições deploráveis numa praia de Bandeira Azul. Cenário terceiro fundista que se repete e é motivo de protesto e indignação nas redes sociais.

Os caravanistas, que mesmo desconsiderados pelos autarcas não desistem do Furadouro, acabaram por se verem “empurrados”, na sequência da nova legislação, para o atual terreno em que se reúnem para o convívio entre famílias, que, em grande parte, fazem desta prática modo de fazer turismo e conhecerem o país e seu património ambiental e paisagístico, cultural e urbanístico. 

Ignoradas quaisquer medidas preventivas de limpeza por parte dos serviços municipais, que este ano, em tempo de altas temperaturas e preocupantes fogos, deixaram chegar o mês de agosto, ainda sem o corte do matagal no terreno em que vem sendo tolerada a ocupação pelas autocaravanas. Aos caravanistas resta lamentarem tal imagem de abandono e falta de equipamentos que dignifiquem o autocaravanismo alternativo aos parques de campismo.

Ao contrário de exemplares condições proporcionadas por alguns municípios, que investem em espaços adequados para atrair o autocaravanismo, também numa estratégia de dinamização das economias locais e promoção turística. Criando pontos de apoio à pernoita e aparcamento de autocaravanas, quer no abastecimento de água, zonas de descarga de águas residuais domésticas ou outras infraestruturas, que uma rede de apoio ao caravanismo poderia contribuir para dignificar esta prática de campismo no cumprimento da legislação aplicável, no respeito pelas áreas da Rede Natura 2000, áreas protegidas e zonas abarcadas pelos Planos de Ordenamento da Orla Costeira.

O município de Ovar limita-se a facilitar aos caravanistas, no caso da praia do Furadouro, acesso a um espaço público sem quaisquer condições de segurança e sem apoios fundamentais de higiene e salubridade, que nem mesmo os balneários públicos garantem durante grande parte do ano com a dignidade exigível numa procurada zona balnear. 

 

02ago22

 

 

 

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1 Comment

  1. José Gonçalves Sampaio

    Lamento profundamente que a autarquia de Ovar continue a considerar o Furadouro como
    se do Alentejo se tratasse.
    O norte deveria promover o acolhimento exemplar aos caravanistas que além de ajudarem o comércio local, dão exemplo de civismo por onde passam.
    Sou frequentador habitual do Furadouro e continuo na expectativa de um dia encontrar
    neste local sinais de boas vindas aos ” verdadeiros caravanistas”.

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