O concurso público para a construção do novo parque de água da Marina de Recreio da Torreira, foi apresentado pela Câmara Municipal da Murtosa em março de 2021, como “um projeto de grande relevância, que tem a pretensão de se assumir como uma infraestrutura âncora para a promoção do Concelho da Murtosa, Coração da Ria de Aveiro, enquanto destino privilegiado de turismo náutico, no âmbito das dinâmicas da Estação Náutica da Murtosa”, lê-se na página web deste Município, em que acrescenta que, “a nova infraestrutura será instalada na bacia existente na frente ribeirinha da Torreira”, a norte do porto de abrigo para pescadores, servindo simultaneamente, a pesca profissional e a atividade de recreio. Empreitada que acabou “encalhada” no desmoronamento da frente ribeirinha da Torreira e assim se encontra perante um cenário desolador.
José Lopes
(texto e fotos)
Esta empreitada para a construção da nova infraestrutura com condições para a atracação de cerca de 150 embarcações de recreio, dos 4 aos 12 metros, orçada em cerca de 990.000 euros, teve ainda na fase inicial da obra que decorreu no segundo semestre do ano 2021, a operação de dragagem de toda a bacia existente na frente ribeirinha da Torreira, incluindo a zona do porto de abrigo afeto às embarcações de pesca, para que, como refere a entidade promotora, “este generoso plano de água interior, definido pelo molhe norte que se desenvolve, para sul, a partir do «Cais do Guedes» cumpra a função para a qual foi construído, ou seja, a servir, simultaneamente, a pesca profissional e a atividade de recreio”. Um projeto que continua adiado relativamente à atividade de recreio.
No decorrer da construção desta plataforma destinada à atracagem de embarcações de recreio, com um prazo de execução de 150 dias, ainda que as obras tenham sido iniciadas com alguma “urgência”, estando em causa financiamentos europeus na ordem dos 357 mil euros, do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas (FEAMP), no âmbito do Programa Operacional Mar 2020, enquanto o apoio financeiro Público Nacional ronda os 63 mil euros. Veio-se a deparar com um inesperado revês na sequência da erosão que resultou no derrube da frente ribeirinha que já tinha beneficiado da requalificação urbana na marginal da ria.
A cedência da muralha ribeirinha também mostra a fragilidade, agravada com a acentuada erosão, do reforço em betão que vinha tentando consolidar a muralha que por sinal, só se desmoronou na zona de intervenção para a construção da Marina, então apresentado pelo Município como “um projeto de grande relevância”, não afetando o lado sul do porto de abrigo destinado às embarcações de pesca.
07jul22









