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Rui Moreira lança farpas ao “centralismo dominante” na cerimónia de entrega de medalhas municipais, ato no qual se destacaram Artur Santos Silva e Isabel Pires de Lima

O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira agraciou, na manhã do dia 09 de julho, com a Medalha de Honra da Cidade, o presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, e a ex-ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima. Na cerimónia, que decorreu na Casa do Roseiral, aos jardins do Palácio de Cristal, foram atribuídas 46 medalhas municipais a diferentes personalidades e instituições.

 

 

José Gonçalves  Carlos Amaro

(texto(fotos *)

 

 

Numa manhã extremamente quente, em termos climatéricos, e de ambiência, a cerimónia da entrega das medalhas municipais, foi bastante “concorrida”, isto, num dia histórico para a Cidade do Porto.

Como escreve a nossa colunista Maximina Girão Ribeiro, “após o desembarque do Mindelo, no dia 8 de Julho de 1832, o ‘exército libertador’, comandado por D. Pedro IV, entrou na cidade pelas primeiras horas da manhã do dia 9 de Julho.

O exército, composto por mais de 7500 soldados, caminhou até chegar ao Carvalhido. Diz-se que muitos deles traziam a ponta das espingardas enfeitadas com hortênsias brancas e azuis, as cores de D. Pedro IV e da família real.

O Carvalhido recorda este episódio, ostentando as placas toponímicas de rua 9 de Julho de 1832 e de Praça do Exército Libertador. Foi esta a primeira etapa das tropas liberais, antes de tomarem a cidade do Porto, de onde fugiram os absolutistas liderados por D. Miguel”.

Foto: pesquisa Web

A esse ato heroico dos portuenses e das tropas comandadas por D. Pedro, se deveu a vitória da causa liberal em Portugal e, a partir deste marco histórico, o Porto passou a ser denominado de “Cidade Invicta”.

De salientar, entretanto, que a cerimónia de atribuição das medalhas municipais realiza-se a 9 de julho, desde 2014, e que, este ano, contou, além da “cerimónia central”, com dois momentos musicais interpretados por alunos da Academia de Música de Costa Cabral.

Já a leitura dos currículos resumidos dos homenageados esteve a cargo de dois antigos alunos da Academia Contemporânea do Espetáculo.

Mas, os “holofotes” estavam virados para Rui Moreira e para a sua intervenção…

 RUI MOREIRA: “NÃO PODEMOS ACEITAR QUE O CENTRALISMO DOMINANTE SUBJUGUE A NOSSA VOZ!

O presidente da Câmara Municipal do Porto (CMP) e anfitrião desta cerimónia, Rui Moreira, começou o seu discurso (que, neste jornal é habitual, o transcrevermos na íntegra) por salientar uma frase: “ ’O Porto é uma cidade de identidades., dá-se bem com a espessura da história. Imprime a sua marca a todos os que gera e propõe essa marca a todos quantos a demandam’”.

Frase que foi escrita por “Augusto Santos Silva, no seu magnífico texto ‘O Que o Porto É…’ escrito há mais de 25 anos. É esse Porto, é essa identidade, são esses portuenses e os que aqui demandam, que, hoje, aqui homenageamos. Neste dia carregado de simbolismo, o 9 de julho, em que o exército libertador de Dom Pedro entrou na cidade, para aqui sofrer, com os portuenses, o terrível cerco”.

Regressando ao texto de Augusto Santos Silva (“o Porto é uma cidade, mais do que uma metrópole. Apesar da tentação que de quando em vez o assalta de se declarar centro hegemónico, o Porto é um burgo, a delimitação histórica de um espaço de relação, fisicamente marcado, e claramente centrado num fórum comum”), o responsável máximo da CMP salientou que “a existência desse fórum comum está plasmado na escolha das senhoras e dos senhores, bem como das instituições que, hoje, são homenageadas. Não é vulgar que cada uma das escolhas, e a plenitude da lista, tenham sido aprovadas por unanimidade, por todas as forças políticas com representação nos órgãos autárquicos. E isto não resulta de nenhum poder hegemónico: é uma concordância vulgar mas, para os portuenses, natural. Porque esta cidade tem essa caraterística invulgar, resulta do reconhecimento comum, da afirmação irresoluta da sua cidadania”.

QUEM ESTÁ, VERDADEIRAMENTE, DE PARABÉNS É O PORTO, POR TER TANTOS E TANTAS EM QUE SE REVÊ…

Ainda de acordo com Rui Moreira, e prometendo não regressar ao texto de Augusto santos Silva, “sem antes de voltar a ler: ‘Os heróis do Porto, o Porto habituou-se a amá-los por gentes nobres, na nobreza se incluindo o respeito pela cidade, doar-lhe o coração como fez D. Pedro, ou pôr toda a coragem do mundo no desafio ao arbítrio, como fez Delgado (…) Ou, então, foi construindo dia a dia uma intimidade que não quebra, porque no seu herói, simples ou grande, reconhece projeto e teimosia’. Saúdo, por isso, todos aqueles que são homenageados hoje.

A cidade quer-vos agradecer. E isso não resulta da amizade de um ou de outro, de uma teimosia, de um qualquer protecionismo de uma paga de outro favor. E quem está, verdadeiramente, de parabéns é o Porto, por ter tantos e tantas em que se revê. Um Porto que, nas palavras, de Isabel Pires de Lima, apesar de ser pequeno em território tem uma imensa ‘personalidade’ e um incomensurável ‘caráter humano’. ‘Numa altura em que a tendência é de estandardizar’, refere ainda a nossa Isabel: ‘o Porto mantém uma identidade distinta’ ”.

Rui Moreira prometeu “não falar dos dois anos de pandemia ou da guerra, ou da inflação. Não gosto sequer, do termo conturbado, que agora foi ressuscitado para descrever este tempo”, pois, seu entender, “os tempos sempre nos trouxeram inquietudes, mais ou menos visíveis, mais ou menos percetíveis”.

“Prefiro falar-vos da cidade, dos desafios que nos esperam, do nosso papel no todo nacional. Sobre a nossa cidade, não me peçam que seja eu a avaliar as nossas opções políticas e as nossas escolhas. Direi apenas que há uma assinalada diversidade, que resulta de um conjunto de forças e de tendências, ora harmónicas, ora contraditórias. O Porto é, seguramente, uma sociedade com mais ideias, com mais escolhas. E se a pandemia serviu para alguma coisa, ela demonstrou que a cidade não vive bem de portas fechadas, de trancas à porta, e comprovou que a sua sociedade e a sua economia têm uma muito assinalável resiliência, que lhe permitiu recuperar, rapidamente, da súbita apneia.

Farred Zakaria, que recentemente nos visitou, escreveu que ‘as cidades que lidarem mal com a crise vão ficar presas numa espiral descendente’. Creio que o podemos afirmar e reclamar, que não é o nosso caso”.

TEMOS UM DESAFIO GIGANTE: O DE GARANTIR QUE O PORTO CUMPRA A SUA PARTE NA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA…

Foto: Porto.

O edil referiu que “temos agora um desafio gigante. O de garantir que o Porto cumpra a sua parte no desafio da transição energética. Não nos enganemos: uma cidade da nossa dimensão dificilmente pode fazer a diferença, a nível do planeta. Mas, também é verdade, que devemos ser percursores, inovadores e responsáveis. Devemos fazê-lo por um interesse comum à humanidade, mas também por interesse próprio. Quanto mais depressa nos ajustamos às novas necessidades, menor será o impacto negativo nos nossos cidadãos neste ciclo de mudança, porque os primeiros a agir serão recompensados e os últimos serão, claramente, penalizados”.

“Hoje”, continuou Rui Moreira, “as cidades que têm preocupações ambientais, e ainda assim não descuram as suas obrigações sociais, são as mais atrativas. As cidades de média dimensão, com uma cultura diversificada e a acesso a serviços públicos de qualidade, com espaços públicos qualificados, são as mais invejadas e procuradas. E este é um tempo em que a velha globalização – apostada na deslocalização -, está a dar lugar a um tempo de escolha, de seleção. Já não se trata, apenas da escolha por parte dos grandes investidores; das empresas. A transição digital permite que essa resulte de uma opção individual. Aquilo que vamos ouvindo e que acalenta o nosso sonho, é que o Porto tem, hoje, capacidade, e está a ser capaz de atrair talento humano”.

 DE NADA NOS VALERIA VOLTAR À DISCUSSÃO SOBRE QUEM É PORTUENSE E QUEM NÃO É…

“O que seguramente não podemos fazer e não devemos querer, porque também de nada nos valeria, é voltar à discussão sobre quem é portuense e quem não é. Ou de temer que as nossas raízes e tradições serão perturbadas pelos nómadas digitais, ou por quem nos demanda para nos visitar ou aqui viver. É um tema que, muitas vezes, roça a xenofobia, e que quase sempre se alimenta na inveja. Até porque a cidade tem alma que chegue para dar e vender, e é realmente cosmopolita. Porque nos sentimos cidadãos do Mundo. Temos, seguramente, a capacidade e a vontade de encarar este desafio”, palavras de Rui Moreira que disse ainda “contar, para isso, com a excelência inovadora da academia, com o empreendedorismo do setor público, com as estruturas culturais e desportivas da cidade, com as profissões liberais, com o terceiro setor”.

“Somos uma sociedade talentosa e irrequieta, repleta de relacionamentos interpessoais, em que ora encontrámos o nosso vizinho ou o nosso colega de trabalho, ora nos atarefamos para acolher quem nos visita ou aqui se radica. Temos, assim, a par das nossas condições patrimoniais e culturais, os ingredientes de sucesso”.

 NÃO QUEREMOS SER FORMIGAS AO SERVIÇO DE UMA VOZ DE COMANDO QUE NÃO ESCOLHEMOS, QUE NÃO NOS RECONHECE, QUE NOS ABAFE…

“Mas” – alertou Rui Moreira-, “não podemos aceitar que o centralismo dominante subjugue a nossa voz! Não seremos cigarras, mas não queremos ser formigas ao serviço de uma voz de comando que não escolhemos, que não nos reconhece, que nos abafe. E sabemos que o Porto é, sempre foi, o maior inimigo desse pensamento opressivo, dessa forma de estar, desse umbiguismo impenitente. Porque é o Porto, com a sua estrutura social e com a sua proverbial resistência, que impede que Portugal seja uma soma de duas parcelas desiguais: a capital e a província. O Porto também tem de entrar na equação de Portugal. O Porto que não quer ser capital de nada, mas que exigirá sempre o seu justo quinhão”, concluiu.

UMA MANHÃ DE CONFRATERNIZAÇÃO NO DIA DA INVICTA

E depois da intervenção de Rui Moreira, foram, então, agraciadas as mais de quarenta personalidades e instituições com as medalhas da cidade, nos seus diferentes “graus”.

Ficam, para o efeito, os registos do nosso repórter Carlos Amaro, que não os pode publicar na totalidade devido a problemas técnicos, pelo que tivemos que nos socorrer, em parte, do excelente trabalho do Porto., com as devidas referências autorais nas legendas das respetivas fotos

Foto: Porto.
Fátima Campos Ferreira – uma jornalista galardoada (foto: Porto.)
Parte da oposição

 

MEDALHA DE HONRA DA CIDADE

Foto: Porto.

Augusto Santos Silva

Isabel Pires de Lima

MEDALHA MUNICIPAL DE MÉRITO, GRAU DE OURO

Alexis Tam

Álvaro Domingues

Ana Cristina Pereira

António Alberto Xavier Guimarães (Becas)

António Roquette

António Araújo

Carlos Prata

Francisco Ribeiro da Silva

Jaime Milheiro

Max Oliveira

João Paulo

Jorge Constante Pereira

José Leite Pereira

Julieta Guimarães

Lydia Silva

Manuel Dias Pinheiro

Manuel Monteiro

Manuel Ulisses

Fátima de Campos Ferreira

Maria José Ribeiro

Maria Teresa Lago

Mário Barbosa

Nuno Botelho

Nuno Fernand

Paulo Magalhães

Rui Sarmento e Castro

Tomás Jervell

Wilson Faria

MEDALHA MUNICIPAL DE MÉRITO, GRAU DE OURO (ENTIDADES)

Pesquisa Web

Associação das Escolas de Jesus, Maria e José

Consumidores Associados Sobrevivem Organizados – CASO

Centro Comunitário Cirilo

Centro Hospitalar Universitário São João (CHUSJ)

Centro Hospitalar Universitário do Porto (CHUP)

Colégio de Nossa Senhora do Rosário

Confeitaria Petúlia

Ramaldense Futebol Clube

Relojoaria Mendonça

Tasca “Da Badalhoca”

 

MEDALHA MUNICIPAL DE MÉRITO, GRAU OURO (A TÍTULO PÓSTUMO)

Ernesto Santos – Foto: Miguel Nogueira (Porto.)

Ernesto Santos

Eugénio dos Santos

José Eduardo Pinto da Costa

Raúl Castro

MEDALHA MUNICIPAL DE BONS SERVIÇOS

 

Maria do Céu

Raul Matos Fernandes

 

(*) Fotos com Porto.

 

09jul22

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