A sensibilização e envolvimento das comunidades escolares e educativas há muito fazem parte de projetos com vertentes ecológicas e solidárias que resultam na ajuda a diferentes campanhas de recolha de materiais recicláveis, a exemplo das tampinhas de plástico, caricas ou rolhas de cortiça, que são importantes recursos como matérias-primas para empresas, cujos recursos financeiros obtidos são fundamentais, tanto para compra de material ortopédico, cadeiras de rodas, e cada vez mais para as famílias que lutam com dificuldades para proporcionarem a crianças e jovens portadores de doenças raras, acesso a terapias indispensáveis ao seu desenvolvimento e melhoria de qualidade de vida.
José Lopes
(texto e fotos)
Correspondendo aos valores defendidos pelo projeto educativo do AEO, que procura contribuir para o desenvolvimento da personalidade e formação do carácter e da cidadania dos seus educandos, preparando-os para uma reflexão consciente sobre os valores espirituais, estéticos, morais e cívicos”. Destacando-se entre os vários valores, a responsabilidade, a determinação, a solidariedade, a tolerância e a justiça. Assim como os objetivos do programa Eco Escolas que, “pretende encorajar o desenvolvimento de atividades, visando a melhoria do desempenho ambiental das escolas, contribuindo para a alteração de comportamentos e do impacto das preocupações ambientais nas diferentes gerações”, bem como, “criar hábitos de participação e de cidadania, tendo como objetivo principal encontrar soluções que permitam melhorar a qualidade de vida na escola e na comunidade”. O resultado da recolha de materiais recicláveis acabou este ano por ser atribuído à campanha “Vamos ajudar o Gonçalo”.

O jovem Gonçalo Cuco, tem agora 10 anos de idade, é natural de Santa Maria da Feira, e sofre de doença neurológica que afecta toda a parte motora. Esteve até aos três anos de idade sem diagnóstico, vindo entretanto a ser diagnosticado como portador de doença rara “Citopatia Mitocondrial”, precisando de fazer várias terapias, de elevados custos, mas fundamentais para que possa ter progressos na sua evolução motora e qualidade de vida.
Nesta luta diária para angariar meios que vão garantindo que as terapias e fisioterapia intensiva do Gonçalo Cuco, não comparticipadas pelo Estado, não sofram recuos irreparáveis no seu desenvolvimento. Os seus pais, através desta campanha, “www.facebook.com/tornapossivel”, contam com a colaboração de várias instituições da região, como corporações de bombeiros, coletividades e associações, incluindo casas comerciais e naturalmente escolas, como algumas EB1 e Jardins de Infância do AEO que já vinham ajudando a referida campanha, a quem acabou também por ser destinado todo o produto recolhido na Escola Secundária José Macedo Fragateiro e EB 2.ºCiclo António Dias Simões, particularmente todo o tipo de tampinhas de plástico e rolhas de cortiça, alargando a rede de solidariedade, que na ausência dos necessários recursos dos seus familiares, tornou-se determinante tal tipo de campanha “Vamos ajudar o Gonçalo”.
A entrega de todo o material reciclável à causa do Gonçalo, decorreu durante o mês de agosto, transportado em várias cargas tanto da escola secundária, sede do AEO, como da EB 2.º Ciclo António Dias Simões em que anualmente é candidata e reconhecida com galardão Bandeira Verde do projeto Eco Escolas, com coordenação das docentes Áurea Conde e Augusta Pinto, através do qual são desenvolvidas atividades e definidos objetivos de sensibilização ambiental, que mais uma vez, durante o ano letivo 2021/22 incluiu a recolha de diferentes materiais recicláveis, mesmo sem ter sido definido inicialmente o destino final a quem ajudar.
Desta atividade pedagógica, ecológica e solidária, que envolveu as comunidades escolares e educativas através de uma salutar disputa da turma que mais recolheu tampinhas de plástico, rolhas de cortiças e mesmo pilhas usadas, finalmente foi conhecido o destino a dar ao material recolhido e a que causa proporcionar tal resultado de um entusiasta empenho de alunos e seus familiares, assim como das comunidades escolares e educativas que contribuíram mesmo que simbolicamente, tais são os elevados custos das terapias, para ajudar a manter a alegria e a simpatia que o Gonçalo partilha de forma tão natural.
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