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Esgotos (ô) ou esgotos (ó)?

Joaquim Castro

 

 

Ouve-se muita gente pronunciar esgotos (ó), em muitos meios da sociedade, mesmo da erudita, o que é errado, considerando que os plurais podem terminar em (ó) ou em (ô) conforme os casos, tanto nos adjectivos, como nos substantivos. Regra geral, se o feminino é em ô, vogal fechada ô, o plural deve ser também em ô. Por exemplo: garoto, garota, garotos, garotas; tolo, tola; tolos, tolas. Mas se o feminino é em ó, o plural será em ó em ambos os géneros. Por exemplo: cachopo, cachopa (ó); cachopos (ó), cachopas (ó).

Contudo, se o masculino não tiver feminino, a formação do plural é, nuns casos, em ô; e noutros em ó. Por exemplo, plural em ô: piolho, piolhos (ô); molho, molhos (ô); pescoço, pescoços (ô); estojo, estojos (ô); esgoto, esgotos (ô). Em outros casos, temos o plural em (ó): tremoço, tremoços (ó); almoço, almoços (ó); jogo, jogos(ó).

Quando não há feminino, a tendência é para formarmos o plural em ó. Já quando nas palavras não há feminino, a tendência é para se formar o plural em ó. Erradamente, as pessoas pronunciam: os pescoços (có), os estojos (tó), os esgotos (gó), os molhos (ó) como plural de molho (mô) com o significado de condimento alimentar.

Mas, o plural de molho (ó), por exemplo de palha, é molhos (ó). Não confundamos os saborosos molhos (mô) com os molhos (mó), que às vezes dão trabalho a transportar. E que ninguém se esqueça de que o plural de acordo (ô) é acordos (ô), e não acordos (ó) como dizem muitos dos nossos políticos.

PROTECÇÃO “CEVIL”

Dizem que trocar o i pelo e, em certas palavras, é uma consequência da lei do menor esforço. É assunto já aqui tratado, mas como a situação se tem “agravado”, voltamos ao tema da troca do i pelo e, até ao ponto de se ouvir pronunciar “Lesboa”, em vez de Lisboa. Claro que essa troca, do ‘i’ pelo ‘e’, passa mais despercebida em certas palavras, como “menistro” em vez de ministro, digo eu, mas em outros casos soa muito mal, como em Protecção “Cevil”. Outro exemplo é o “femenino” em vez de feminino.

Ora, a grafia e a pronúncia “femenino”, com e na segunda sílaba, estão incorrectas e não existem na língua portuguesa. São erros gramaticais, a evitar. Diz-se que, neste caso, o erro poderá vir da palavra fêmea, que, como se sabe, leva e na segunda sílaba. Outro erro que está muito na moda é “periúdo”, em vez de período. Mas o pior disto, é que este erro é muito abundante nos meios académicos, assim como na comunicação social falada, rádios e televisões. É um fenómeno recente, mas que vai de vento em popa.

DIFERENÇA ENTRE BESTA (É) E BESTA (Ê)

Um repórter de exteriores da SIC disse, em 25 de julho de 2022, que foram apreendidas diversas armas brancas e uma besta (ê) a um detido pelas autoridades. Pelo contexto, presume-se que se trata de uma besta (é), arma, e não de uma besta (ê), animal. De facto, uma besta (é) é uma arma antiga, composta por um arco e um cabo bastante tenso, para atirar setas. Por sua vez, besta (ê) é um animal que se pode cavalgar, quadrúpede, filho de burro e égua ou de cavalo e burra. É um animal estéril.

Mas quem estiver minimamente atento ao que se escreve, vê ou ouve, nos jornais, nas televisões e nas rádios, não lhe faltará motivos para reparos, no que respeita ao bom uso da Língua Portuguesa. Outro erro deste canal é o ter “morto”, em vez de ter “matado”, sobretudo, durante a Crónica Criminal, do programa Casa Feliz.

O que é mais irritante, é que este tipo de erros perduram, ao longo dos meses, ao longo dos anos. Volto a dizer aqui, que deve haver alguém com a função de corrigir os erros cometidos nas emissões, tendo em vista que eles não se repitam.

INCÊNDIOS MANUAIS 

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou, no âmbito da vaga de incêndios registados no mês de julho de 2022, em Portugal, que só há incêndios, havendo mão humana. Em julho de 2017, a Polícia Judiciária disse que o violento incêndio de Pedrógão Grande, do dia 17 desse mês, que provocou 66 vítimas, tinha sido provocado por um raio.

As investigações que se seguiram não permitiram concluir que, de facto, o incêndio tinha sido provocado por um raio. Contudo, as estatísticas referem que 10% dos fogos em Portugal têm origem em raios. As queimadas podem ser de origem natural ou humana, podendo ser causadas pelo meio ambiente ou por seres humanos.

Em certos casos, os incêndios podem ser provocados pela lava dos vulcões, durante uma erupção. Em África, continente em que já vivi, soube de muitos incêndios provocados por raios, sobretudo, sobre pastagens. Deste modo, pode-se concluir que os incêndios podem não ser provocados por mão humana, como referiu o nosso primeiro-ministro. Não se trata de um pontapé na Gramática, mas sim um pontapé na lógica!

 

Nota: Por vezes, o autor também erra!

 

 

 

Obs: Por vontade do autor e, de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc. e Tal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa

 

 

Fotos: pesquisa Web

 

 01ago22

 

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