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Mafra – Uma paragem para visitar a obra e a ‘aldeia-museu’, tipicamente saloia, deixada pelo artista José Franco

Com as elevadas temperaturas a fazerem-se sentir no país, bem sentidas mesmo numa passagem pelo litoral de Mafra, na irresistível praia da Foz do Lizandro ou na da Ericeira e sua característica malha urbana, em que predomina o azul e branco da típica arquitetura local, e relação com o mar de um importante núcleo piscatório que coabita com a dinâmica e desenvolvimento do surf na região.

 

José Lopes

(texto e fotos)

 

Procurar um local fresco para escapar ao intenso calor na viagem do litoral ao interior, colocou-nos no caminho, Estrada Nacional 116 com o Palácio Nacional do Convento de Mafra no horizonte, a oportunidade de uma paragem reconfortante e acolhedora, para visitar a arte e a obra na aldeia-museu José Franco, tipicamente saloia deixada pelo artista: oleiro, ceramista e escultor.

Foi uma verdadeira surpresa poder partilhar o ambiente cultural oferecido aos visitantes através do conjunto de elementos representativos do património da região, com pormenores da miniatura de uma aldeia camponesa, que o artista de seu nome, José Silos Franco, considerado um benemérito da comunidade, deixou com entrada gratuita. Uma tradição que se manteve depois do seu falecimento, em 2009, aos 89 anos.

Os visitantes encontram portas abertas para iniciarem sem guias os diferentes percursos desta significativa área museológica e de lazer, com a oferta irresistível ao nível da típica restauração e seus espaços decorados com utensílios rurais, como memórias da vida antiga do campo.

Aos grupos de famílias quase sempre com crianças, que vão chegando e se vão cruzando pelas ruas apertadas da aldeia, os vários quadros representativos, nomeadamente de profissões da época, despertam memórias nos mais velhos e curiosidades nas gerações mais jovens, quando se deparam em ambiente etnográfico com cenas da vida da época, realizadas por bonecos mecanizados em diferentes cenários, como: “Casinha do Moleiro”, “Oficina do Ferreiro”, “Açougue”, “Taberna”, “Padaria”, “Escola Primária”, “Coreto”, “Moinhos de vento”, “Capelinha de St. António” ou ainda um quadro representativo da “vila piscatória da Ericeira e dos ofícios ligados ao mar”.

Este conjunto de elementos da obra de José Franco, que na generalidade permitem a entrada dos visitantes para um contato mais próximo com o passado da aldeia do Sobrado, localidade com grandes tradições da olaria, é simultaneamente toda uma área lúdica dedicada às crianças composta ainda com a “aldeiazinha”, na base de miniaturas alusivas ao típico património urbano e rural da região, porque como se lê no local:

“Se recordar é viver

E se queremos ser felizes.

Evoluir é saber

Que não podemos crescer

Sem conservar as raízes” (F.M.)

 

CONHECER A ARTE DA OLARIA, CERÂMICA E ESCULTURA DE JOSÉ FRANCO

O Museu ligado umbilicalmente pelo exterior e interior à Aldeia que representa a aldeia do Sobreiro, Mafra, em que José Franco nasceu a 19 de março de 1920, dá a conhecer a sua extraordinária arte da olaria, cerâmica e escultura em ambiente museológico que reúne um vasto espólio das diferentes artes do artista e memórias do reconhecimento do país e do mundo cultural que ali se podem rever nos recortes da imprensa escrita.

José Franco era ainda jovem quando na sua aldeia começou a aprender e mais tarde a produzir na reabilitada olaria que tinha pertencido ao avô, há muito desativada. A venda era feita à porta da sua pequena olaria e nas festas populares e feiras da região, transportando a sua arte no lombo de um burro. Mas viria a ser a dedicação à arte-sacra, como se podem contemplar no Museu, as obras que o tornaram conhecido em todo o mundo, com obras da sua autoria no Vaticano. Ainda que a sua obra mais conhecida e popular obra viesse a ser a construção em miniatura de uma aldeia tipicamente saloia do início do século XX, que constitui a aldeia-museu José Franco. Um sonho que concretizou no início dos anos 60.

Das muitas curiosidades que se podem observar sobre a relação artística entre José Franco e o mundo cultural, destaca-se a amizade que aprofundou com o escritor brasileiro Jorge Amado, desde que nos fins dos anos 60 visitou a aldeia típica, tornando-se grandes amigos a partir daí e visita obrigatória sempre que Jorge Amado vinha a Portugal. Enquanto na “sua casa em Salvador é decorada com peças do artista português”, segundo Zélia Gattai na sua autobiografia. (Azul Ericeira Mag, online, 19/03/2020)

Este é um pequeno mundo moldado pelas mãos de José Franco que simboliza a dedicação da sua vida à nobre atividade tradicional da olaria, num concelho de rica cultura artesanal como é Mafra em que se localiza a aldeia-museu José Franco, que continua a ser visitado anualmente por milhares de pessoas. Nesta viagem pela região saloia, tivemos o privilégio de conhecer e usufruir a serenidade proporcionada num espaço de memórias, pedagógico e cultural ali ao lado do imponente Palácio Nacional de Mafra, também conhecido como Convento de Mafra, mandado construir pelo rei D. João V e edificado entre 1717 e 1730. Edifício “projetado por João Frederico Ludovice, ourives, arquiteto e engenheiro militar suábio, e edificado pelo engenheiro-mor Custódio Vieira”. (Wikipédia)

 

 

14ago22

 

1 Comment

  1. Ana Carvalho

    Adorei tudo nessa pequena aldeia. Só fiquei triste por ver que as plantas estão secas, algumas em vasos com a terra em pedra, quase mortas… Não há ninguém que regue as plantas? Tudo naquele local é lindo e digno de se visitar, com essa excepção, que não dignifica em nada o local. Para além de que plantas são seres vivos, requerem cuidados…

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