Inaugurada a 22 de julho, a exposição de pintura de Margarida Barra “Florbela Espanca: Um sonho impaciente”, vai estar patente na Biblioteca Municipal de Ovar (BMO) até 17 de setembro, em que, tal “como a poesia de Florbela Espanca, Margarida Barra surge no seu estilo peculiar com um sublime, suave, mas forte teor emocional, entre inquietação e tranquilidade, numa osmose de raro equilíbrio e refinada sensibilidade poética.
O sofrimento, a solidão e o desencanto de Florbela patenteiam-se nos rostos da poetisa aqui plasmados por Margarida, onde a densidade, a amargura, a tristeza, não ofuscam um outro plano de procura da felicidade, do desejo de se alcançar tal sentimento”. São palavras de Vítor Teixeira que se destacam na exposição, sobre “seis maneiras de ser Florbela, por Margarida”, pintora e escultora nascida em Esmoriz, em 1954, que desta forma evoca a poetisa Florbela Espanca que, circunstancialmente, passou uma temporada em Esmoriz, por volta de 1925.
Ainda segundo as palavras de Vítor Teixeira, os visitantes desta mostra são despertos a olharem para as obras de arte de Margarida Barra, porque elas, “não apenas confessam amarguras e negrumes na vida da poetisa, naturezas sofrentes e bosquejos de um olhar sem fundo, confessam também o olhar da artista, a forma como transformar poemas e ideias em imagens que nos transportam para essa aura poética, de ambas as mulheres, em dimensões e tempos diferentes”, acrescentando que, “Florbela procurava o amor, cantava delicadamente a saudade, tratava o sofrimento como condição humana e de vida, sentimentos que cavavam a sua solidão, tão presente nas suas palavras, tantas vezes, às vezes pintadas de tons de morte, mas na antítese curiosa de uma busca sedenta da felicidade”.
Palavras introdutórias, que concluem sobre facetas de Florbela Espanca, que, “se lermos o soneto A Mulher, captamos o olhar da artista sobre a poesia, sobre a sua obra, a sua poesia, a sua vida”, que se fundem nestes olhares de Margarida Barra.
Obras em cerâmica através da técnica vitrofusão, incluindo também vitrofusão com inclusão de metais e ainda com acrílico. São a base predominante nesta exposição em que a artista deu forma aos seus olhares sobre Florbela, com títulos como: “Mulher Lua”, “Pensativa”, “Incompreendida”, “Voltar à inocência”, “Mocidade”, “Emergindo das Águas”, ou “Reclinada”.
Margarida Barra é licenciada em Escultura pela Escola Superior das Belas Artes do Porto – ESBAP. Durante a sua formação artística frequentou as classes dos Mestres Gustavo Bastos, Laureano Guedes, Zulmiro de Carvalho, José Rodrigues, Joaquim Machado e Júlio Resende. Tem-se dedicado, predominantemente, à escultura em cerâmica e à produção de obras em vitrofusão.
Texto e fotos: José Lopes
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