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DEPOIS DE MUITAS BATALHAS, O ‘BATALHA’ REABRE EM DEZEMBRO COMO ‘CENTRO DE CINEMA’… E COMO ESPAÇO “ABERTO A DIFERENTES TENDÊNCIAS E CONCEITOS ARTÍSTICOS”

O ‘Batalha’ abrirá como Centro de Cinema no próximo dia 9 de de dezembro, revelou, hoje (28set22) o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira. E divulgou-o, precisamente, no espaço que se reabrirá à cidade, isto na companhia de Guilherme Blanc, que deu a conhecer aos jornalistas, o programa a ser desenvolvido, até julho de 2023, no renovado edifício.

 

Ursula Zangger

(fotos)

 

“O Batalha integra a memória coletiva desta cidade e é, sem dúvida, um elemento identitário e agregador do Porto. Foi, aliás, nesse sentido que, consciente da importância cultural e simbólica do Batalha, o Município do Porto trabalhou nesta solução [de restauro e modernização] durante os últimos cinco anos, enfrentando inúmeras dificuldades políticas, burocráticas e financeiras”, referiu Rui Moreira.

Salientando as dificuldades com que o projeto se confrontou nos últimos anos, o presidente da CM Porto realçou também “a descoberta e restauro dos frescos que Júlio Pomar gravou nas paredes interiores do edifício, em meados da década de 1940. O artista plástico e oposicionista da ditadura pintou no cinema uns magníficos murais alusivos à festa de São João que agora estão de novo acessíveis ao público”.

Com esta inesperada intervenção – ou seja, além dos trabalhos de restauro dos frescos de Júlio Pomar, descobertos em junho, também a necessidade de reforço de elementos estruturais; o aparecimento de fibrocimento nas coberturas e palco; a descoberta de um poço enterrado que continha hidrocarbonetos; e, ainda, a falta de materiais e algumas alterações ao projeto solicitadas pela Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC) – , a verdade, é que o processo de recuperação do Batalha comportou um investimento de, aproximadamente, 5,17 milhões de euros por parte da Câmara Municipal, valor acima dos quatro milhões inicialmente orçamentados.

ESTAMOS A RECOLOCAR O BATALHA NO CENTRO DAS VIVÊNCIAS DO PORTO

Ainda de acordo com Rui Moreira com “esta nova casa do cinema do Porto, estamos a recolocar o Batalha no centro das vivências da cidade do Porto, das suas gentes e do seu setor do cinema”, promovendo o “diálogo transdisciplinar e de abertura a diferentes tendências e conceitos artísticos”, e estimulando uma lógica “não só de fruição mas também de descoberta, debate e problematização”, assegurou Rui Moreira. Não se trata, por isso, “um gesto de mero diletantismo nostálgico”.

DUAS SALAS DE PROJEÇÃO, UMA GALERIA E UMA BIBLIOTECA ESPECIALIZADA EM CINEMA DÃO CORPO AO RENOVADO ESPAÇO

O ‘Batalha Centro de Cinema’, para além das suas duas salas de projeção preparadas para exibição de filmes em formatos digitais e analógicos (a Sala Grande com 341 lugares e a Sala Estúdio com 126 lugares), o Batalha Centro de Cinema integrará um espaço de galeria de 65m2 dedicado às artes visuais e uma biblioteca especializada em cinema, que aspira ser um epicentro daquilo que é o acervo documental sobre a sétima arte.

GUILHERME BLANC QUER APRESENTAR “PROGRAMAS QUE ALARGUEM A COMPREENSÃO SOBRE O CINEMA”

No que concerne aos principais eixos programáticos do projeto e da sua primeira temporada de atividade, Guilherme Blanc, diretor artístico da instituição, anunciou a intenção de apresentar “programas que alarguem a compreensão sobre o cinema, sobre a sua heterogeneidade formal e cultural”, propondo ainda “formas de conforto, de cuidado, de relação” que reflitam a diversidade complexa dos públicos e uma interpretação do tempo e do lugar que o Batalha Centro de Cinema vem ocupar.

Assim sendo, o Batalha incluirá no seu programa ciclos temáticos, retrospetivas e focos em práticas contemporâneas, bem como a ligação a outras artes. Estimular a cinefilia e cultura cinematográfica, através de projetos educativos, editoriais, formativos e de debate, está no centro da atividade do Centro de Cinema.

Guilherme Blanc começou por apresentar os ciclos temáticos que, dedicados a temas específicos ou cruzando géneros diversos, vão colocar em debate questões sociais, culturais e políticas prementes. O ciclo ‘Políticas do Sci-Fi’ abre o programa de cinema a 9 de dezembro, data da inauguração, com ‘The Day the Earth Stood Still’, de Robert Wise, acompanhado do filme ‘The New Sun’, da artista polaca Agnieszka Polska. Até julho vão ser também apresentados os ciclos ‘Domesticidade(s)’, ‘El Futuro Ya No Está Aquí’ e ‘Contra-Fluxos’.

Com ‘Focos e Retrospetivas’, a programação artística vai dar a conhecer ciclos de filmografia, completa ou essencial, de cineastas e artistas nacionais e internacionais, deste e de outros tempos. O primeiro ciclo é dedicado a Claire Denis, um dos nomes mais influentes, estimulantes e ecléticos do cinema contemporâneo, naquela que será a mais completa retrospetiva da realizadora concebida em Portugal.

Este eixo fundamental da programação – que espelha uma visão de diversidade formal, temática, geracional e geográfica – apresenta ainda retrospetivas de Melvin Van Peebles, André Gil Mata, Zacharias Kunuk, Luísa Homem, Joanna Hogg, Lorenza Mazzetti, Basil da Cunha, Annemarie Jacir e Mai Zetterling, e Focos de Artista, dedicados a Agnieszka Polska, Riar Rizaldi e Fatima Al Qadiri.

O cinema português ocupa um lugar central na programação do Batalha. De facto, quer em ‘Seleção Nacional’, exibições semanais com o intuito de sondar e indagar o património fílmico nacional, quer em Luas Novas, que, todos os meses, vai destacar novos nomes do cinema produzido em Portugal, a produção nacional vai assumir um papel que representará, de acordo com Guilherme Blanc, cerca de um terço das sessões programadas pelo Centro de Cinema.

Nas ‘Matinés do Cineclube’, o Batalha retoma a ligação histórica com o Cineclube do Porto, em sessões quinzenais que revisitam os momentos mais marcantes da história da instituição.

Focado em experiências coletivas de realização e produção de cinema, ‘Coletivos’ apresenta o trabalho do coletivo indígena COUSIN; de Yugantar Film Collective, o primeiro coletivo de cinema indiano fundado e constituído exclusivamente por mulheres; e Zanzibar, coletivo de cinema experimental formado por jovens realizadores franceses, na altura do Maio de 68.

 

Texto: José Gonçalves com Porto.

 

28set22

1 Comment

  1. Miguel Correia

    “assalto infernal”, com Sylvester Stallone foi o último filme que vi aqui. Foi há tanto tempo que nem me atrevo a pesquisar a data…

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