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Nas entranhas da Praça da Galiza prepara-se um novo paradigma do transporte na cidade

As obras da Linha Rosa do Metro do Porto estão a decorrer dentro do prazo previsto, apesar das contingências com que os trabalhos se têm deparado, na obtenção de materiais e matérias-primas e no aumento de custos. Mantém-se o objetivo de ter em funcionamento, no primeiro trimestre de 2025, a ligação entre São Bento e a Casa da Música.

O bailado mecânico das máquinas escavadoras não se detém um instante, e o vaivém incessante dos camiões – os que levam a terra e rocha escavada e os que trazem betão para dar forma à nova estação – dá uma medida do ritmo a que decorre a obra da futura estação Galiza. Vai passar por aqui a nova Linha Rosa do Metro do Porto, que fará a ligação entre São Bento e a Casa da Música, trazendo consigo “uma mudança no paradigma do transporte na cidade”, sublinhou nesta quinta-feira o presidente da Câmara do Porto.

Após uma visita à obra, durante a qual teve a companhia do secretário de Estado da Mobilidade Urbana, Jorge Delgado, do presidente do conselho de administração da Metro do Porto, Tiago Braga, e dos vereadores do Ambiente e Transição Climática, Filipe Araújo, e do Urbanismo e Espaço Público, Pedro Baganha, Rui Moreira congratulou-se por ver o andamento dos trabalhos: “Estamos naturalmente muito satisfeitos. Sabemos que a obra, durante a sua execução, causa grandes constrangimentos aos moradores, ao trânsito, à mobilidade. Mas temos de olhar àquilo que teremos no fim.”

“As pessoas só vão ficar satisfeitas com esta obra quando não houver obra, quando ela estiver terminada. É nesse momento que as pessoas vão perceber que houve uma mudança no paradigma do transporte na cidade, com um impacto enorme na qualidade de vida, no ambiente, e também na sua bolsa, porque é muito mais barato andar de metro do que andar em transporte individual”, frisou.

“EIXO FUNDAMENTAL”

As vantagens superam os incómodos da obra, reiterou o presidente da Câmara do Porto: “Estas obras demoram tempo, estamos a fazer escavações profundas na cidade. Percebemos que algumas pessoas, no seu dia-a-dia, estão incomodadas pelas obras, quer pelo ruído, quer pelo trânsito. São os ossos do ofício, também de quem vive na cidade e sabe que a cidade precisa de resolver o problema da mobilidade. Estamos a falar num eixo fundamental, que estava sobrecarregadíssimo de automóveis.”

“Ao mesmo tempo, têm surgido algumas coisas que parecem más mas são boas”, acrescentou Rui Moreira. “Por exemplo, quando ao fazer escavações descobrimos parte da história do Porto. É evidente que as descobertas arqueológicas, nomeadamente nas Cardosas, atrasam um pouco a obra e aumentam o custo, mas ao mesmo tempo é o nosso património que fica a descoberto. Tudo isso, no futuro, será devidamente avaliado pelos cidadãos”, concluiu.

O secretário de Estado da Mobilidade Urbana, Jorge Delgado, considerou a Linha Rosa do Metro do Porto uma “obra muito importante”. “As obras estão a correr bem, está tudo a ser feito como planeado. Pela sua complexidade, pelas dificuldades que há sempre, de vária natureza, estas obras acabam por encontrar sempre alguns percalços no caminho. No essencial, nada do processo está comprometido. Há algum atraso, mas não é uma questão que nos preocupe demasiado”, acrescentou.

As circunstâncias da atualidade mundial vão implicar “um acréscimo de custos”, reconheceu Jorge Delgado, garantindo: “Vamos ter de encontrar forma de financiar. É inevitável, é do conhecimento de todos. Vamos ter de o acomodar. Vai requerer um esforço grande para que o projeto não pare. Sabemos que haverá uma conta a pagar, estamos conscientes disso, mas ainda não temos esses números apurados.”

META É O PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2025

Sem querer avançar nesta altura um valor desse acréscimo de custos – “seria extemporâneo” – o presidente do conselho de administração da Metro do Porto sublinhou que há “uma dotação global de 407 milhões de euros e, durante a fase de concurso, face ao que tinham sido os preços-base, conseguimos apresentar resultados que nos permitiram algumas poupanças. Estamos a gerir esse orçamento já tendo em consideração este aumento de custos. Olhamos para o projeto de uma forma mais abrangente.”

“A Ucrânia era um dos grandes produtores de aço mundiais, há aqui um impacto direto da guerra nos custos dos materiais e matérias-primas associadas à construção civil”, acrescentou Tiago Braga, admitindo uma inflação de “20% a 30%” nos preços. “Mas, mais importante do que a questão dos sobrecustos, é perceber qual é o benefício para a cidade, para a região, decorrente desta infraestrutura. Que ninguém tenha dúvida que o vale económico que esta obra traz para a região, do ponto de vista dos benefícios sociais, ambientais e económicos, ultrapassa largamente aquilo que será o sobrecusto”, vincou.

A meta está colocada no primeiro trimestre de 2025. “Continuamos a ter o objetivo de ter, no primeiro trimestre de 2025, a Linha Rosa em funcionamento, porque os cidadãos precisam muito desta infraestrutura. Sabemos que o impacto económico, social e ambiental desta linha é absolutamente fundamental”, indicou o presidente do conselho de administração da Metro do Porto.

Em termos técnicos, na futura estação Galiza, Tiago Braga explicou que já foi escavado tudo o que havia para escavar. “Estamos a regularizar o piso da base, e vamos começar de imediato a montar a estrutura da laje de base da estação. Esta é uma estação charneira, porque é daqui que nasce o túnel, em direção quer ao Santo António, quer à Casa da Música” – trabalhos que o responsável prevê terem início entre a última semana de setembro e o início de outubro.

O presidente do conselho de administração da Metro do Porto assegurou ainda que estão a ser tomadas “medidas de contenção e mitigação do ruído, com a colocação de painéis que têm capacidade de absorção do ruído”, em locais de obra mais críticos: “O ritmo de trabalho não vai ser alterado. Não podemos dizer que de repente vamos deixar de ter ruído. Isso não acontece.”

A futura estação Galiza vai servir a EB 2/3 Gomes Ferreira, o Centro Comercial da Galiza, a Escola Secundária Infante D. Henrique, a Maternidade Júlio Dinis e toda a área envolvente – Centro Materno Infantil do Norte, Faculdade de Letras, Faculdade de Arquitectura, Jardins do Palácio de Cristal e Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota.

A Linha Rosa do Metro do Posto será a via direta da Boavista à Baixa, ligando as linhas Azul, Vermelha, Verde, Violeta e Laranja, na Casa da Música, à Linha Amarela, na Estação de S. Bento.

 

Texto: Porto. / Etc. e Tal

Fotos: Filipa Brito (Porto.)

 

09set22

 

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