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As novas linguagens de Igor Jesus em Ponto-Zero, na Solar a partir de dezembro

A Solar apresenta Ponto-Zero, de Igor Jesus, um universo de projeções, sintetizadores modulares, lentes caleidoscópicas e outras técnicas que permitem o controle da luz, para subverter e transformar imagens e sons. Daqui resulta uma espécie de partitura de sons, que gera um conjunto de novos ambientes visuais e sonoros, numa dialética semelhante à de um tabuleiro de jogo. Na CAVE, Meteoros, de Mariana Vilanova, faz uma incursão às ilusões produzidas pela tecnologia digital, onde o erro motiva a discussão artística.

Existe uma teoria de que a inteligência artificial usada pelos algoritmos do ‘Google Translate’ assumia inicialmente o inglês como ‘ponto-zero’ na tradução entre duas línguas, sendo que, passado algum tempo, criaria a sua própria linguagem, totalmente desconhecida dos humanos, e que substituía o inglês nesse ponto-zero. A máquina tinha criado uma proto-linguagem, uma língua-ponte, capaz de harmonizar e anular as barreiras linguísticas humanas.

A exposição ‘Ponto-Zero, de Igor Jesus, tem como ponto de partida a procura de uma linguagem comum em duas linguagens plásticas diferentes: o trabalho fotográfico de Daniela Ângelo e o trabalho de gravura de Rita Ferreira. Trabalhos que são apropriados e submetidos a um conjunto de sistemas que, embora preservem aquilo que são as qualidades idiossincráticas de cada um, atuam como um filtro que esbate as fronteiras linguísticas que os distanciam, para encontrar um ponto de fusão. 

Com o uso de prismas, lentes caleidoscópicas e a subversão dos protocolos de laboratório, a luz das fotografias é geometrizada e decomposta em novas fotografias que sugerem tabuleiros de jogos de madeiras exóticas, mas que são, na verdade, matrizes de uma partitura capaz de produzir um blackout na exposição.

Na CAVE, é apresentada a exposição ‘Meteoros, de Mariana Vilanova’, que percorre as paisagens virtuais do ‘Google Earth’ – uma tentativa de uma representação perfeita do mundo, feita por um olhar superior, não humano – para encontrar ilusões sobre o real produzidas pela tecnologia digital, onde o erro dá motivo à discussão artística. Seguindo a prática arquivística dos retratos da Terra, ‘Meteoros’ – que significa ‘alto no céu’ – mostra-nos uma sequência de paisagens à espera de serem substituídas, com planos distorcidos, esticados, onde (ainda) se veem nuvens. 

As exposições são organizadas pela Curtas Metragens CRL, no âmbito da programação da Solar — Galeria de Arte Cinemática,  com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Conde e da Direção-Geral das Artes.

 

Texto e imagem: Curtas Metragens CRL / Etc. e Tal

 

25nov22

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