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Nuno Cruz: “Quando cheguei à presidência da ‘UF do Centro Histórico’ tinha 50 mil euros na conta, que não davam para pagar ordenados”, mas “hoje está tudo resolvido com muito empenho e sacrifício!”

É conhecido por ‘Guerreiro do Norte’, apelido que granjeou ao serviço do pugilismo, no Boavista FC, durante 20 anos. Hoje, os tempos são outros, principalmente desde há pouco mais de um ano, altura em que chegou à presidência da União de Freguesias do Centro Histórico do Porto (Cedofeita, Miragaia, Santo Ildefonso, São Nicolau, Sé e Vitória), por intermédio do movimento independente ‘Aqui Há Porto!’.

Nuno Cruz, com 47 anos de idade, nado e criado na emblemática e tripeira Rua de Belmonte, salienta que os primeiros tempos à frente dos destinos da autarquia – que governa com o apoio do PSD – não foram fáceis, devido, como referiu, a tudo o que herdou do executivo anterior, mas, agora, as coisas parecem resolvidas, e, como tal, atribui nota positiva a este primeiro ano de mandato, tendo, inclusive, interessantes projetos para um futuro próximo a começar pelo desenvolvimento da marca ‘Porto Histórico’.

 

 

José Gonçalves               Ursula Zangger

(texto)                                      (fotos)

 

 

Nuno Cruz queixa-se de ‘perseguição’ política na pré-campanha eleitoral, mas, com o apoio da população do Centro Histórico, conseguiu vencer as eleições, dando assim continuidade a um trabalho que o próprio estava a desenvolver para a Câmara do Porto, de ‘rastreio’ neste território da cidade. O autarca esta confiante no futuro e na equipa que o acompanha, não antevendo – para já – qualquer tipo de desagregação na União que representa.

Segue-se, então, Nuno Cruz, na primeira pessoa do singular…

Fez, recentemente, um ano que tomou posse como presidente da União de Freguesias do Centro Histórico. Teve alguma experiência anterior como autarca?

Não, como autarca é a primeira vez. Tinha estado, em 2013, e durante quatro anos, aqui, na Assembleia de Freguesia como suplente, depois passei para Lordelo do Ouro/Massarelos, com a doutora Sofia Maia. A seguir, estive quatro anos a trabalhar no Gabinete ‘Porto Histórico’, onde fazia a mediação entre os comerciantes e os moradores…

Começou a desenvolver esse trabalho a partir de quando?

A partir de 2018.

Depois parou, ou seja, logo após ter sido eleito presidente da UF do Centro Histórico?!

Parei.

Esse trabalho consistia em quê concretamente?

Esse trabalho consistia em conciliar a enorme confusão que o turismo traz: os estabelecimentos, e a restauração, o estacionamento e a mobilidade…

Era bem remunerado?! Dois mil e tal euros mensais…

Não. Não era bem remunerado. Trabalhava a recibos verdes: retirando os descontos e não tendo subsídios de Férias, nem de Natal… se espremesse isso tudo, se calhar ganhava menos que no meu emprego anterior.

Foi um trabalho que deu os seus frutos?

Sim. Consegui apresentar algumas propostas ao executivo da Câmara Municipal, como a proteção do morador. Por exemplo, em Miragaia o estacionamento tornou-se só para residentes, graças a propostas minhas. Algumas esplanadas que usavam o espaço público, deixaram-no de o fazer, depois de uma ação se sensibilização por mim efetuada. Acho que fiz um excelente trabalho. Portanto, foram muitos os frutos desta ação.

QUANDO CÁ CHEGUEI TINHA 80 MIL EUROS DE DÍVIDAS CORRENTES

E agora, pelos vistos, dá continuidade, na prática, a essa atividade, mas já como presidente da UF do Centro Histórico. Que saldo fez deste primeiro ano como responsável pelos destinos deste emblemático território da cidade do Porto?

De início foi difícil. Quando cá cheguei tinha 50 mil euros na conta, que não davam para pagar os ordenados dos colaboradores, e tinha 80 mil euros de dívidas correntes. Estava com enormes dificuldades, mas as questões foram, aos poucos, sendo ultrapassadas, com muito empenho e sacrifício!

Foi isso que herdou do executivo liderado, então, por António Fonseca?!

Sim. Tudo fechado. ATL fechados. Creches fechadas. Funcionárias de castigo. Foram inúmeros os problemas herdados. Entretanto, fomos fazendo trabalhos ao encontro de um equilíbrio financeiro, e, passados quatro meses, as coisas estavam… equilibradas. Abriram-se mais dois ATL. Têm-se vindo a fazer diversas atividades com os seniores. Abrimos alguns equipamentos que estavam fechados, como as casas de banho na Rua Escura. E resolveu-se o problema do mercado de São Sebastião, entregando-o à Câmara Municipal…

A CÂMARA MUNICIPAL TEM DE RESOLVER A SITUAÇÃO EM QUE SE ENCONTRA O MERCADO S. SEBASTIÃO

Esse mercado não era uma mais-valia para a ‘sua’ autarquia?

Não. Da maneira em que se encontra o mercado não é nenhuma mais-valia para esta autarquia. O mercado é um equipamento municipal e está em ruínas…

E é, ao que se sabe, um adro para toxicodependentes e atividades congéneres…

Exatamente. E como é um equipamento da Câmara é ela quem tem que resolver o problema, e não a Junta. Esta já é uma Junta com dificuldades devido à agregação que teve. ‘Agregou’ seis edifícios; seis funcionário(a)s; seis contas de água; seis contas de luz… todas as despesas a multiplicar por seis. O que acontece é que nós não tínhamos de estar a resolver o problema do mercado de S. Sebastião. E foi fácil: chegámos à Câmara e dissemos que o mercado da maneira que está não é uma mais-valia para a Junta. Depois de ver o que vai acontecer com o espaço, a Junta pode ponderar a sua ligação direta, ou não, ao mercado.

É um mercado que está no coração do coração da cidade…

Sim, mas, eu, neste momento, só tenho que pensar naquilo conforme está!

Mas, há um projeto para a requalificação ou reabilitação do mercado.

Há um projeto que alguém o mandou fazer, mas que não teve, nem tem, dinheiro para o acompanhar. Quem estava no meu lugar achava que fazia uma obra daquelas com 70 mil euros. Posso-lhe dizer que 70 mil euros no mercado S. Sebastião, no estado em que ele se encontra, dá para nada. E, sinceramente, sendo aquilo um equipamento da Câmara, como é que a Junta pode pensar em gastar lá um tostão? O ‘dono’ é que tem de resolver a situação, e o ‘dono’ é o Município do Porto.

Que nada, pelos vistos, tem resolvido?!

Está a resolver. Agora, vou assinar o Auto de Entrega, e a Câmara há-de resolver a situação. Foi deliberado na última Assembleia a entrega do mercado S. Sebastião, pelo que temos o ‘timing’ necessário para assinar o Auto…

OS COMERCIANTES E MORADORES JUNTO AO MERCADO QUEREM QUE AQUILO DESAPAREÇA DALI

 Entretanto, perdeu-se tempo para a requalificação e reativação do espaço!

Da minha parte não perdi tempo algum. Não gosto falar dos outros, nem do trabalho dos outros…

… mas, estamos a falar de algo que se vê à vista desarmada.

Da minha parte houve o tempo suficiente. Quando cheguei a esta Junta tive tempo para tomar conhecimento profundo do processo, e de fazer uma auscultação aos moradores e comerciantes da zona. Ou seja, saber qual a previsão deles para aquilo…

E qual foi a reação?

Querem que aquilo desapareça dali! Que é um muro cinzento feio, triste, e que está a tapar um casario bonito. Isto foi revelado numa sessão pública, para ouvir, no fundo, o que ouvia todos os dias de moradores, comerciantes e utilizadores. Com a reabertura do Bolhão – que é um enorme mercado de frescos -, as poucas vendeiras que há no mercado S. Sebastião – são duas peixeiras, uma fruteira e uma florista – estavam com dificuldades de rentabilizar o espaço. Toda a gente foi unânime em considerar aquilo ‘feio’! E outra coisa que é muito importante: o mercado S. Sebastião foi construído há cerca de 38 anos, com um prazo de validade de 10 anos. A autarquia quando, na altura, construiu o mercado deu-lhe o prazo de validade de uma década. Passaram-se quase 40 anos e quem vai resolver o problema é, agora, o doutor Rui Moreira. Esta é uma questão que se arrasta já, com degradação, há 30 e tal anos…

A Câmara quererá manter o mercado?!

Não sei. A Câmara terá de falar por ela. Da minha parte, como presidente de Junta, tudo foi esclarecido na referida discussão pública: aquilo é um equipamento que está fora de validade e que, grande parte das pessoas, dos comerciantes que lá estão e os que se encontram nas imediações assim como os utilizadores, não querem aquilo ali. Agora, a Câmara fará daquilo o que bem entender.

SOBRE A MOVIDA?! AGORA, AS PESSOS JÁ NÃO PROCURAM TANTO BARES, NEM DISCOTECAS, PREFEREM DIVERTIR-SE NOS JARDINS… DEVIA HAVER UMA LEI A PROIBIR O CONSUMO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS NA VIA PÚBLICA!

 Entretanto, e na zona histórica do Porto, há uns anos a esta parte, registou-se uma explosão em termos de turismo e, consequentemente, da movida noturna. Surgiram, então, problemas relacionados com a segurança. A PSP fecha esquadras, mas parece não meter polícias na rua. Qual é a situação que se vive nesses espaços onde a ‘movida’ dita ‘leis’?

Como jornalista, que é, tem estado, por certo, atento à minha guerra com a Ministério da Administração Interna e com o Comando da PSP. O que acontece, neste momento, é que os bares e a associação dos bares e discotecas da movida pagavam um gratificado a elementos da PSP para estarem no local, mas, a certa altura, o senhor ministro da Administração Interna veio dizer que não se podia pagar gratificados. A verdade é que nós vamos às ourivesarias e estão polícias da PSP a receber gratificados. Se é permitido para uma coisa, por que não é permitido para a outra? Depois temos outro problema, é que as pessoas descobriram uma outra maneira de se divertir: agora, elas não procuram tanto, nem os bares nem as discotecas, preferindo os jardins, e no meio deles, com música e garrafas compradas nas lojas de conveniência, fazem festas até às quatro, cinco, da manhã. Os moradores não aguentam. Eu sou morador e sei o que isso é. Assim sendo, penso que a Assembleia da República tem que repescar uma lei que proíba o consumo de bebidas alcoólicas na via pública, quanto mais não seja, por causa das garrafas de vidro que se tornam numa arma, ou numa lâmina, contra os animais de estimação. As pessoas bebem álcool nos jardins, fazem grandes festas e não deixam dormir ninguém e, assim, só uma maneira da Polícia lá chegar e ter uma ferramenta para dissuadir essas pessoas: a proibição do consumo de bebidas alcoólicas na via pública! Foi assim durante o confinamento e têm, agora, que repescar essa lei.

ATÉ QUANDO VÃO PAGAR A UM POLÍCIA O MESMO QUE SE PAGA A UM OPERADOR DE CAIXA DE UM HIPERMERCADO?

Sente-se essa falta de segurança, a qual se tem traduzido em alguns crimes…

O Porto é uma cidade segura! Ao crime em si – a assaltos e roubos que são pontuais -, a polícia consegue dar resposta, ao que não consegue é dar resposta ao direito das pessoas! A gente liga para a esquadra: ‘olhe está aqui um conjunto de indivíduos a fazer isto ou aquilo…?; resposta: ‘não temos elementos que cheguem; ‘olhe está aqui um carro mal-estacionado e que impede as pessoas de circularem! Resposta: ‘olhe não temos agentes disponíveis!’. Tenho aqui duas perguntas que gostava de fazer ao ministro da Administração Interna, ao Governo ou à Assembleia da República: até quando vão pagar a um polícia o mesmo que se paga a um operador de caixa de um hipermercado? Para que trabalhe aos sábados e domingo e que nas suas folgas vá a julgamentos? E a outra pergunta é ao diretor nacional da PSP: se acha que tem poucos elementos, por que não colocar assistentes técnicos a fazer o secretariado nas esquadras e colocar os agentes na rua? Em vez de ter agentes a fazer o secretariado a PSP podia ter assistentes técnicos.

HOJE EM DIA NINGUÉM QUER IR PARA A PSP…

Já foi feita a experiência de encerrar certas esquadras para delas saírem para a rua agentes da PSP. Só que na rua não apareceu quem devia aparecer.

Desapareceram e continuam a desaparecer, porque, hoje em dia, ninguém quer ir para a Polícia! Para ser polícia a ganhar oitocentos ou novecentos euros? Um operador de caixa de um hipermercado ganha a mesma coisa!

Então, a solução, e quanto ao problema da movida no Porto, é mesmo proibir o consumo de bebidas alcoólicas na via pública, tal como aconteceu durante o confinamento?!

Essa lei não era para ser aplicada em todo o lado, mas, por exemplo, delegar na Câmara Municipal do Porto, ou numa junta de freguesia, a escolha dos jardins ou outros espaços nos quais não se pudesse beber álcool. Assim, não teríamos concentração de gente no meio da Praça da República, ou no meio da Praça dos Poveiros, ou à beira do coreto do jardim da Cordoaria, e não tínhamos no Passeio das Virtudes aquele amontoado de gente a beber álcool e a fazer festas pela noite dentro.

E os bares no meio disto tudo? É, salvo o erro, proprietário de um BAR…

… não, não sou! Sou proprietário de um prédio que tem um café que já foi meu. Entretanto, em 2007, fiz o trespasse desse ‘bar’ e passei a ser senhorio. O senhor José Gonçalves vem com algumas notícias com as quais tentaram manchar a minha pré-campanha. Uma, de que era proprietário de um BAR no Passeio das Virtudes – sou realmente proprietário do espaço, mas não sou proprietário do café -, e a outra foi relacionada com os contratos que tive com a Câmara Municipal. Eu tive quatro contratos com a Câmara Municipal. Sempre é melhor ter quatro contratos com a Câmara e ter trabalho, do que andar por aí a fazer nenhum! Do trabalho que fiz tenho muito orgulho de o ter feito. Não acho que tenha sido muito bem remunerado – como apontou na sua pergunta – para o trabalho que tinha. Repare que eu tive ainda ameaças de gente que tentei mediar…

E ameaçaram-no porquê?

Porque vivemos num país onde se o senhor for falar com a pessoa e chamá-lo à atenção para um problema que esteja a criar, arrisca-se a que se chateiem consigo.  Mas, repito: trabalhava a recibos verdes e quem trabalha a recibos verdes recebe mal. Não recebia subsídios de férias e de Natal, e quando chegava às ferias… não tinha férias! Se tivesse férias não era remunerado! As pessoas que dizem essas e outras coisas a meu respeito, são pessoas que se preocupam muito com os outros e não olham por elas abaixo! Alguns dos meus adversários toda a vida trabalharam na Câmara Municipal do Porto e não sabem fazer outra coisa. E, agora, estão, por exemplo, na Câmara de Gondomar etc.. Por cá, iniciaram a sua atividade como coveiros… está a perceber?!

NÃO PRECISO DA POLÍTICA PARA VIVER!

Sentiu dificuldades, já como presidente de Junta, com essas reações que surgiram na pré-campanha e campanha eleitoral?

Não! Eu não preciso da política para viver! Graças a Deus sou empresário, proprietário de um prédio… tenho rendas e a minha empresa! Não preciso da política para viver. Estou aqui ao serviço do povo. Tenho muito orgulho em estar a defender a minha união de freguesias. Sou o único presidente de Junta, e fui o único candidato a uma Junta, que mora no meio de uma união de freguesias.

Nasceu na Rua de Belmonte.

Sim. Eu sei o que as pessoas sofrem neste território da cidade, e a minha obrigação, como autarca, é de ajudá-las a resolver os seus problemas.

SÓ TEMOS QUE AGRADECER À CÂMARA MUNICIPAL A GRANDE OBRA REALIZADA NO MERCADO DO BOLHÃO

O Bolhão – como referiu e penso que é comummente aceite – é uma obra emblemática, mas há comerciantes que foram surpreendidos com as obras a realizar na Rua de Alexandre Braga durante a época de Natal e logo nessa altura em que os comerciantes ganham um dinheiro extra. Compreende essa situação?

A rua vai ser pedonalizada. Foram feitas as obras no Mercado do Bolhão. Depois, cada proprietário de cada loja tem de ajustar a decoração e outras intervenções ao seu gosto nesse espaço. Quanto à Rua de Alexandre Braga, acho muito bem a sua pedonalização, pois atrairá, assim, mais gente para aqueles estabelecimentos. Vai estar em obras, tem de ser. Repare, temos a Rua dos Clérigos interrompida ao trânsito devido às obras do Metro, e que poderão durar três anos. Os comerciantes estão a ser muito lesados com o atraso nas obras. Já no Bolhão vai ser Natal todos os dias! As vendedeiras que nada vendiam, agora, vão ter de contratar pessoal para satisfazer as exigências… são filas e filas de clientes. Nós só temos que agradecer aquela grande obra; só temos de agradecer à Câmara Municipal e a este executivo, que acabou por resolver aquilo que ninguém resolveu. Há sempre quem seja do contra, mas isso é normal… é política. Sempre que vou ao Bolhão sinto a satisfação daquelas pessoas.

Vou dar-lhe um exemplo: eu tive o cuidado de andar no terreno e fui ao ‘Bolhão Temporário’ e ou vi dizer ‘ai! Vamos ficar com 60 centímetros para trabalhar’. E eu: ‘calma! Primeiro vamos ver como aquilo vai funcionar e depois reclamamos’. Fui, então, ao ‘Bolhão novo’ e queria falar com essa senhora, e ela tinha uma fila com cerca de dez pessoas à minha frente. Disse-lhe: ‘Então, você só tem 60 centímetros para atender esta gente toda’. Ela olhou para mim e começou a rir-se. Ela acabou por perder espaço, mas ganhou clientes.

HÁ ESPAÇOS NA (DESERTA) RUA 31 DE JANEIRO QUE OS PRÓPRIOS PROPRIETÁRIOS NÃO QUEREM ALUGAR OU VENDER!

Há uma rua emblemática na sua União de Freguesias, que parece ter morrido para o comércio e residências. Refiro-me à Rua de 31 de Janeiro. O que é que lá está a acontecer?

A Rua 31 de Janeiro está deserta há sensivelmente 25 anos. Tem de se dar tempo ao tempo. Alguns proprietários começaram a pedir mais pelas rendas, ainda que a Rua 31 de Janeiro não seja mais do que a Rua de Sá da Bandeira ou de Santa Catarina. Assim, penso que eles, mais tarde ou mais cedo, baixarão o valor das rendas. Depois, há ainda proprietários com prédios, que não querem nem alugar e nem vender esses espaços. Aí, a Câmara Municipal do Porto nada pode fazer, porque não tem competência sobre aquilo que é privado. Devia ser criada uma lei que, ao fim de cinco anos do estabelecimento ou prédio estar devoluto, surgisse uma bolsa administrativa sobre o valor de renda, ou, então, dava a hipótese à Câmara de comprar o imóvel ou referido espaço…

Há muitos prédios devolutos?!

Se fosse comigo dar uma volta pelo Centro Histórico, mostrava-lhe os muitos espaços devolutos, alguns até pertença do Estado. Se a Câmara os pudesse comprar acabaria por certo com o problema da habitação na cidade.

A CÂMARA ESTÁ A TRABALHAR MUITO BEM NAS QUESTÕES RELACIONADAS COM A HABITAÇÃO

No seu programa eleitoral destacou a Habitação como uma das prioridades, a par, das atividades desportivas…

No meu programa tive de ser muito limitado, pois a Habitação é competência do Governo central, e só através da Câmara Municipal é que a Junta pouco ou nada pode fazer nesse sentido. O que temos feito – e tem-nos corrido muito bem – é o acompanhamento das pessoas com necessidades. Aí, temos resolvido alguns problemas. De salientar, entretanto, que nós, aqui, na nossa União de Freguesias não temos equipamentos. No próximo ano vamos fazer, no único prédio que temos, duas casas nos andares de cima e uma loja…

Há mais residentes no Centro Histórico do que havia há, por exemplo, uma década?

O Porto reverteu a saída de moradores em 2017. É público. No Centro Histórico perderam-se algumas famílias. Os proprietários são legítimos e tinham a Lei do Arrendamento do lado deles, e foram despejando algumas pessoas, famílias. A Câmara, entretanto, tem contrabalançado a situação. Em dezembro de 2017, entregou 32 casas, em habitação social, no Barredo. E, agora, com o concurso de rendas acessíveis tem-se colocado muita gente a morar no Porto Histórico. Penso que a Câmara está a trabalhar muito bem na questão da Habitação! Temos também o programa do ‘Porto Solidário’, no apoio ao pagamento das rendas, e, assim, tentar fixar os moradores…

TENHO UM PROJETO QUE É O DE RECUPERAR O FUTEBOL DE RUA

E em termos de desporto?!

A Educação, a Cultura e o Desporto estão em destaque no meu programa. No Desporto temos um ginásio de boxe; temos aulas de dança para seniores… De referir que o ginásio para boxe já existia antes de eu aqui chegar. O boxe é uma grande escola de homens. Temos também aulas de Tai Chi, que recuperei. E estamos a desenvolver um programa anti-bullying para as escolas. Em articulação com a senhora vereadora do Desporto da Câmara Municipal, Catarina Araújo, há a salientar as aulas de Yoga nos jardins. E tenho um projeto que é o de recuperar o futebol de rua através da realização do troféu ‘Porto Histórico’…

É para avançar quando?

Vamos ver! Em princípio no próximo ano. Tenho, para o efeito, de garantir o apoio da Câmara Municipal do Porto.

A DESAGREGAÇÃO DA UNIÃO DE FREGUESIAS, AQUI, É UM BOCADO REMOTA

E as freguesias da União estão unidas?

Unir as freguesias para as Rusgas de S. João foi um trabalho fantástico! Conseguimos levar gente de todas as freguesias que compõem a União, e tirámos o quarto lugar. Com esta ação, acabamos com a desunião e unimo-nos mais, pelo que, no próximo ano, estou em crer, que vamos alcançar o primeiro lugar.

Está a falar nas rusgas, tudo bem. Eu refiro-me, em concreto, à União em termos políticos…

A possibilidade de desagregação é, aqui, um bocado remota, pois há freguesias que já o não conseguem ser devido à sua pouca população. Por exemplo, a Vitória tem 1500 habitantes; Miragaia tem dois mil habitantes. A Lei diz que pode desagregar o que foi agregado, mas, por cá, há quatro freguesias que não atingem os requisitos para se tornarem em junta. Mas, estou completamente disponível para acompanhar o que a Assembleia de Freguesia, da Câmara e da República decidirem. Paranhos e Ramalde são no Porto, as únicas freguesias que têm mais moradores que a nossa, e, sendo assim, não sei qual a razão que poderia levar a uma divisão nesta União de Freguesias…

Quanto mais não seja por razões histórias?! A Sé é a Sé, que nada, por exemplo, tem semelhanças ou parecenças com Cedofeita… Na altura da agregação, houve muita gente que não concordou com esta União…

Mas, repare, se formos a Paranhos, há lá uma zona que também nada tem a ver com outra zona da freguesia. Se formos a Ramalde, a mesma coisa. Eu nasci numa rua (Belmonte) que tem três freguesias. De um lado da rua é S. Nicolau, do outro lado é Vitória, e mais ao lado é Miragaia, e descendo um bocadinho já apanhava a Sé.

Mas, na Sé há quem defenda o regresso da Junta.

As pessoas da Sé defendem o regresso da Junta, mas a Sé só tem dois mil habitantes.

VEM AÍ O PROJETO ‘PORTO HISTÓRICO’

No ponto de vista da Cultura há algo a realçar?

Tenho dois projetos – para já, não posso falar deles muito ao pormenor -, um deles é o lançamento da marca ‘Porto Histórico’, no dia 24 de novembro, às 10h30 da manhã, no auditório da Escola Profitecla. O ‘Porto Histórico’ será uma plataforma informativa, destacando as reportagens de rua, o dar a conhecer equipamentos culturais, etc. isto através de um sítio na Net, realizado por alunos de Comunicação Social e de Turismo da Profitecla. Eles terão a oportunidade de pôr em prática o que estão a estudar! Em 2006, consegui, em HTML, fazer um site de Boxe com 40 mil visitas, e na altura não tínhamos facebook’s… Então, se nessa altura consegui o que consegui, porque não, e agora, lançar um site, como será o ‘Porto Histórico’, que estará a contribuir para a educação e formação dos alunos da Profitecla que estarão a desempenhar funções em pleno curso.

Além desse projeto, Porto Histórico’…

…tenho outro projeto, que, de momento, está fechado a sete chaves. Para já, o que posso adiantar, é que temos o edifício em S. Nicolau, e sonhei um dia ter um museu virtual, interativo, do Centro Histórico do Porto.

Para o turista será uma excelente ideia.

Para os turistas e para as nossas crianças e juventude…

Pois, e para os muitos tripeiros e portuenses que não conhecem a sua cidade… e não são poucos!

Se eu perguntar ao meu filho, porque é que uma rua tem o topónimo, por exemplo, Miragaia? Ele não me sabe responder. Nem ele, nem muita gente.

E há historiadores que podem colaborar com o projeto… Helder Pacheco, Joel Cleto…

Sim. É uma questão de falar com eles.

ESTA UNIÃO DE FREGUESIAS ESTÁ PREPARADA PARA TUDO!

E, para finalizar, como é que está a funcionar a Assembleia de Freguesia? Tem contribuído com ideias ou propostas positivas para o futuro da União? `construtiva e posição da oposição?

Sim. Existem partidos com o objetivo de contribuírem com algo de positivo, como também, outros, com o objetivo de não deixar fazer. Nós, do movimento ‘Aqui há Porto’, temos a maioria na Assembleia porque estamos coligados com o PSD.

E já passou pouco mais de um ano desde o momento que tomou posse como presidente da União de Freguesias do Centro Histórico do Porto…

Quando cá cheguei estava muito difícil fazer fosse o que fosse!

Quem é que o convidou para encabeçar a lista do “Aqui há Porto’?

O doutor Rui Moreira. ‘As pessoas da tua freguesia precisam de ti. És a pessoa ideal para defenderes aquelas pessoas’, foi o que ele me disse. Pronto. Eu abracei o projeto e espero que ele esteja contente com o meu trabalho, pois eu estou muito satisfeitocom aquilo que temos vindo a fazer.

O ‘Guerreiro do Norte’ é-o, agora, do Centro Histórico?!

Nunca deixei de ser o ‘Guerreiro do Norte’. Estou a defender o Norte ao defender o Centro Histórico do Porto. Esta União de Freguesias está preparada para tudo! Quando fazia a mediação, as pessoas do Centro Histórico abeiravam-se e alertavam-me para aquele buraco, ou para o facto de não haver luz acolá, e as pessoas não sabiam a quem recorrer para resolver esses problemas. Então, criei, na Junta, um gabinete para ocorrências, para o qual as pessoas podem enviar fotos a alertar-nos, e nós estamos a dar resposta a essas ocorrências. Estamos a trabalhar muito bem!

HÁ MUITA GENTE QUE ‘JOGA’ FORA DAS REGRAS!

E na inter-relação com as outras juntas?

Damo-nos bem com todas. Tenho boa relação com o Miguel Seabra, de Paranhos, com o Paulo Silva, de Campanhã e com todos os outros meus colegas das restantes juntas

É mais difícil um combate de boxe ou gerir uma autarquia?!

É mais fácil um combate de boxe. No combate de boxe, há um árbitro… há regras! Aqui há muita gente que joga fora das regras, e muitas vezes nem sabemos contra quem estamos a combater. Mas, é sempre um desafio… é super motivador!

O primeiro de quatro assaltos, está ganho?

Como antigo pugilista digo: está ganho, sim, senhor!

 

 

 

Entrevista realizada a 21nov22

 

28nov22

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