Durante oito semanas a Casa da Contacto foi palco da 29.ª edição do Festovar com um programa recheado de comédia, que a Companhia de Teatro Água Corrente de Ovar – Contacto, a anfitriã e organizadora do certame, começou por proporcionar na abertura realizada no Centro de Artes de Ovar, ao repetir a peça `Falar Verdade a Mentir´, texto de Almeida Garrett e encenação de Manuel Ramos Costa, que tem arrebatado vários prémios, destacando-se o Concurso Nacional de Teatro Ruy de Carvalho.
José Lopes
(texto e fotos)
Proeza de Manuel Ramos Costa repetida no 37.º ‘Fetav’, da Escola Dramática e Musical Valboense, vencendo em todas as categorias. Reconhecimentos que selecionaram este trabalho para participar, com o apoio da Federação Portuguesa de Teatro, no ‘IX Festival Ibérico Escenamateu’r, que decorreu na cidade de Mérida, Espanha. Enquanto no encerramento, no dia 26 de novembro, foi feita a estreia da mais recente produção teatral da Contacto, `A Comédia da Urna´, um texto e encenação de Manuel Ramos Costa, que promete seguir o mesmo caminho de sucesso desta Companhia e afirmação de jovens atores, como Ângelo Barbas e Diogo Pinto, que se destacaram surpreendentemente num elenco cujo trabalho artístico neste espetáculo, “o resultado superou as minhas expetativas”, afirmou Manuel Ramos Costa, diretor artístico da Contacto.
Este ano o Festovar na sua vigésima nona edição, teve como mote `Sentir Ovar´, e como sintetizou o diretor do Festival, Fernando Rodrigues, “Sentir Ovar é, também, viver e intervir na vida comunitária, defender a diversidade e a riqueza de cada uma das suas expressões culturais”. Diversidade cultural e artística que ficou assinalada na cerimónia de abertura, com a participação de Alexandre Rosas, vereador da cultura da Câmara Municipal de Ovar, Suzana Moutinho, presidente da Assembleia de Freguesia da União das Freguesias de Ovar, e o escultor Luís de Matos, que dissertaram sobre o tema do Festival.
A sessão de abertura foi ainda abrilhantada musicalmente pela voz de Américo Oliveira, acompanhado por Hélder Santos, ao violão, e David Moisés, em viola-baixo, numa noite de reflexão sobre `Sentir Ovar´, a que o diretor artístico da Contacto, Manuel Ramos Costa, nome indissociável de muitos sucessos levado a distintos palcos por várias companhias de Teatro com quem há muitos anos colabora e forma atores, começou por declamar, uma breve introspeção pessoal e poética sobre Ovar, como, “a sinfonia dos pássaros, o verde dos pinhais e o calor que hoje se faz sentir alegra e desperta os sentidos de quem passeia o corpo e o espírito, a caminho do mar. (…) E deixo-me ir por aí sentindo a minha terra, o meu chão, o meu berço – Ovar”, terminando com um, “pôr-do-sol no mar é magnífico. E sempre que o contemplo, como agora, sinto-me abençoado por ser filho desta maravilhosa terra de memórias e emoções. Há sessenta e seis anos”.
O mote para o Festovar 2022 estava dado e os autarcas deixaram as suas mensagens sobre como `Sentir Ovar´, no boletim `Água Corrente´ que, anualmente, promove o Festival. Para Salvador Malheiro, presidente da Câmara Municipal de Ovar, “é ter orgulho desta Terra e desta Gente. É contribuir para a criação de novas memórias de interesse comum”. Ou, como sintetiza Bruno Oliveira, presidente da União de Freguesia de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira, “é acreditar no seu futuro”. Mas, como realça o vereador da cultura, Alexandre Rosas, a mensagem também pode ser, `Festovar 2022 vai Sentir Ovar´. Assim sentiu o escultor natural de Ovar, Luís de Matos, quando escreve, “Sentir Ovar é, também, ter consciência de vivências individuais e coletivas do que fomos, do que somos e do que queremos que Ovar seja neste século XXI”.
Porque, como aprofunda Manuel Malícia, membro honorário da Contacto, “às instituições políticas e associativas, sem exclusões, impõe-se a reflexão e a definição de um programa de ação para fazer Ovar Sentir. Caso contrário, o declínio cultural acentuar-se-á de modo irreversível”. Preocupações e desafios aos quais a Contacto continua a responder, como afirma Fernando Rodrigues, “sabendo combinar um conjunto diferente de pessoas em torno de um ideal cultural, com empenho e sempre buscando a excelência no trabalho desenvolvido”. Que mais uma vez se refletiu na programação e no sucesso da edição do Festovar deste ano.
UM PROGRAMA RECHEADO DE COMÉDIA
Com a novidade para a 30.ª edição do Festovar adiantada na sessão de encerramento pelo seu diretor, Fernando Rodrigues, de aumento do número de semanas de espetáculos, para corresponder ao interesse que o público continua a manifestar. O programa do Festovar mais uma vez privilegiou, a comédia, em que entusiasticamente Manuel Ramos Costa sempre aproveita para os espectadores não reprimirem as gargalhadas tão necessárias à vida.
Foi assim com uma comédia, `Falar Verdade a Mentir´, a 75.º produção da Contacto, que, se tornou um dos mais recentes sucessos, e que por vontade do público continuaria em cena de forma inédita, considerando a anual planificação da produção teatral desta Companhia, que a 29.ª edição do Festovar foi inaugurada, logo seguida de `Até que a boda nos separe´, com encenação de Laura Ferreira, pelo Grupo Dramático da Retorta, Valongo. `Hábitos de Bebida´ de Tom Smith, foi outra das comédias representada na Casa da Contacto, pelo Grupo Gólgota, Santa Maria da Feira, com encenação de César Costa.
Também a companhia Teatro Olimpo, de Ansião, veio a Ovar trazer comédia, com `Eu sou apenas um ator de televisão´ de Pedro Ventura Cabral e encenação de Casimiro Simões. E foi com o género comédia que se deu o encerramento, através da 77.ª produção da Contacto, que levou à cena `A comédia da urna´, texto e encenação de Manuel Ramos Costa.
Com um elenco de jovens atores que surpreenderam todas as espectativas do público, em que se destacam Ângelo Barbas (Chico Mocas) e Diogo Pinto (Bia Boabriga), com atores mais experientes como, Luís Ribeiro (Gato Preto), António Ferreira (Gigi Leitona), Margarida Martins (Ivete Dorida) e Dorinda Resende (Dalila Dorida). `A comédia da Urna´ resultou da adaptação de um conto que há alguns anos Manuel Ramos Costa escreveu, com o título `O Escaravelho e a Lupa´, que, “não tem outra finalidade senão despoletar o riso e a boa disposição”, propósito do autor e encenador que foi bem-sucedido, porque como afirmou na apresentação desta peça, “rir ainda não paga imposto e dá saúde”.
Manuel Ramos Costa umbilicalmente ligado a vários projetos culturais no país, com reconhecido destaque no Teatro, que ao longo de décadas, alguns dos quais se refletem na programação do Festovar.
Na sua versátil arte ao serviço do Teatro, vários outros géneros são por si desenvolvidos, como a encenação de `O Pecado de João Agonia`, obra de Bernardo Santareno e encenação de Manuel Ramos Costa. Um drama levado à cena pela ACAL, Lourosa, que marcou profundamente a 29.ª edição do Festovar nos tempos que correm, alertando para, “apesar de nos acharmos livres, somos apenas um produto sociocultural do meio onde nos inserimos. A liberdade não é mais que uma utopia ideológica de cada um …”.
MANUEL RAMOS COSTA DISTINGUIDO COM PRÉMIO ‘PALCO DE TERRA’ DE 2022
O `pano´ do Festovar tinha acabado de descer, após a sessão de encerramento com toda a equipa da peça `A comédia da urna´ em palco. Cerimónia a que se associaram as várias entidades que apoiam este evento cultural, que teve mais uma vez como palco principal o Auditório Manuel Ramos Costa da Casa da Contacto, que se torna verdadeiramente acanhado para acolher sucessivos sucessos das produções e estreias da Companhia organizadora do Festival. O que levou no final Manuel Malicia, a deixar o repto para que sejam proporcionadas condições adequadas para acolher a 30.ª edição do Festovar.
Ainda se respirava o ambiente apaixonante de produção teatral na Casa da Contacto, que nesta edição do Festovar se prolongou até 3 de dezembro com a tradicional repetição da peça de encerramento, como foi `A Comédia da Urna´, na sequência de motivos de força maior, ainda marcados pela Covid, que fez adiar a estreia da produção da Contacto, alternada pela comédia `Criada para todo o serviço´, pelo Teatro Ribalta de Vista Alegre. Quando novas notícias de reconhecimento chegavam à família da Contacto, ao autor e encenador Manuel Ramos Costa, distinguido com Prémio `Palco de Terra 2022´, como oportunamente o ‘Etc. e Tal’ deu notícia.
Anunciado a 1 de dezembro, o Prémio Palco de Teatro 2022 pelo Teatro de Balugas, distinguiu na categoria `Personalidade´, Manuel Ramos Costa, por uma vida dedicada ao Teatro amador, em especial na Contacto.
07dez22



















