Joaquim Castro
O presidente Marcelo, na sua mensagem de ano novo de 2023, usou a expressão: Depois de “quaisi” dois anos de Pandemia e de “quaisi” um ano de guerra, Portugal não pode perder as boas condições que tem. Também usou a expressão “estabelidade”, como sempre o faz, em vez de “estabilidade”. A seguir, um jornalista da Antena 1 não fez melhor, repetindo a tal “estabelidade”! Um outro comunicador, que tem um programa, de segunda a sábado, na Antena 1, também usa o “quaisi” no seu programa “O amor é…”.
Melhor que isto, só o “vocêis” usado pelo presidente Lula, durante uma intervenção dirigida a populares, no dia da sua tomada de posse, a 1 de Janeiro de 2023. Mas, nesse caso, nem sei o que dizer, por não conhecer as “variantes” do português falado no Brasil. Aliás, a referida Antena 1 tem um programa intitulado ‘O Jogo da Língua’, apresentado por Sandra Duarte Tavares, e que os ouvintes são postos à prova, sobre os conhecimentos da nossa Língua. Sempre que ouço este programa, questiono-me sobre a razão pela qual não se faz um apanhado das calinadas proferidas na estação pública, para que sejam evitadas de futuro.
MEDICAÇÃO
Em 09.01.2023, no programa Casa Feliz, da SIC, durante uma entrevista a uma música, ouvi falar em “tomar a medicação”, para os seus problemas de saúde. É comum sermos confrontados com profissionais de saúde (incluindo os farmacêuticos), a dizer que prescreveu, dispensou ou administrou a “medicação”. Esta forma está incorrecta! O produto farmacêutico que é administrado é o “medicamento” e a “medicação” é o acto de medicar, administrar o medicamento (do verbo medicar).
Lembro-me que antigamente, era muito vulgar pedir remédio para os piolhos. Um dia, o farmacêutico a quem foi pedido o tal remédio para os piolhos, perguntou: “Remédio? Os piolhos estão doentes?” Eram outros tempos, em que as crianças não eram cuidadas como agora, sendo vulgar encontrar uma turma inteira, sobretudo nas escolas primárias, calhar ter todos os alunos e todas as alunas com bichinhos na cabeça!
OS E AS
Num debate da Assembleia da República, em 11 de Janeiro de 2023, ouvi deputados da oposição dizer “os salários e pensões” e “as frutas e legumes”. Estavam a discutir o custo de vida dos portugueses. Há muita gente que não respeita a concordância nas frases ditas e nas frases escritas. Tenho reparado que essa anomalia linguística também invadiu a publicidade, nas rádios e nas televisões, como, por exemplo, “as pomadas e cremes”.
Nos primeiros casos, no debate da Assembleia da República, deveria ter sido dito “os salários e as pensões” e “as frutas e os legumes”. No terceiro caso, deveria ter ser dito “as pomadas e os cremes”. Fruta é feminina e legume é masculino. Verifico que esta anomalia tem origem, até, em personalidades e organismos, cuja reputação deveria merecer um maior cuidado, por parte de quem comete tal “deficiência” gramatical.
Também já ouvi dizer “aquele homem e mulher”, quando deverá ser dito e escrito “aquele homem e aquela mulher”. Mas é nas redes sociais que mais barbaridades gramaticais são cometidas, tal como já aqui foi tratado.
“CABINES” E “TROTINETES”
Muito se tem falado durante a greve dos pilotos da TAP, de “cabine” e nas “trotinetes” de Lisboa. No caso das “trotinetes”, o assunto tem vindo à baila, por causa dos acidentes provocados por este veículo de duas rodas, que dá para transportar debaixo do braço e que pode ser levados para os transportes públicos, para seguir viagem montados nelas.
Ao mesmo tempo em que se falava e escrevia “trotinete”, numa estação de televisão, era mostrado uma parte do regulamento da Câmara de Lisboa, onde se lia “trotinetas”. Esta situação não poderia ser mais contrastante, em que de um lado se escrevia, mal, “trotinete” e em outra se escrevia, bem, “trotineta”.
Esta situação também se verifica em palavras, como “biciclete”, em vez de “bicicleta” e “vitrine”, em vez de “vitrina”. Outro dos novos fenómenos linguísticos, que já tem sido tratado nesta rubrica, é o famoso “aquilo que”, aquele que” e seus derivados. Não é que a expressão esteja errada, mas ouvir a expressão “aquilo que”, várias vezes, num pequeno espaço de tempo, irrita qualquer português, que esteja atento à conversa, que até pode ser na voz de Marcelo Rebelo de Sousa.
Nota: Por vezes, o autor também erra!
01fev23



