“Vamos lutar até ao fim, mesmo sem território”, foram as palavras da ucraniana Daria, em Portugal há cinco meses, em frente ao Coliseu do Porto com uma bandeira do seu país natal na mão, proclama palavras de guerra que eram ecoadadas por gritos de independência, “Slava Ukraini”, em português, “Glória à Ucrânia!”.
Inês Inteiro Carlos Amaro
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A Rua de Passos Manuel foi fechada ao trânsito às 17h30, e rapidamente acolheu centenas de pessoas, ‘pintando’ a rua do Coliseu do Porto de amarelo e azul, em homenagem ao país assolado pela guerra contra a Rússia.
Alex, chegou a Portugal há oito meses, com a mulher e a filha, como muitos, deixou tudo para trás. “Hoje marca exatamente um ano desde a invasão da Rússia, um ano onde começaram a lutar contra o país, contra as pessoas, começaram a matar-nos, por isso é tão importante este evento”.
Entre as centenas de pessoas que se juntaram em frente ao coliseu, estava Cármen, nascida em Portugal, mas com uma mãe ucraniana, vestia com orgulho o traje tradicional do país. “É um dia muito importante para nós, um dos poucos onde estamos todos juntos em comunidade, e com uma visibilidade tão grande, e é uma forma de podermos desabafar mesmo sendo noutra língua”, afirma com um nó na garganta e a emoção à flor da pele.
UM ANO DE GUERRA
Foi há um ano que as tropas russas invadiram a Ucrânia, assolando o país e criando uma onda de solidariedade ao redor do globo. O Coliseu do Porto, juntamente com a Câmara Municipal decidiram marcar a data com uma série de concertos solidários na fachada do Coliseu, enchendo o centro da cidade da Invicta com música que ecoava nos corações de todos os presentes.
O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, afirmou que “é um dia extremamente importante, onde se celebra um ano de perseverança, nas ruas da liberdade do Porto. Hoje, celebramos a vossa resistência, a vossa coragem. Hoje, todos portuenses são ucranianos”
Às 18h00, Pedro Abrunhosa, Tiago Nacarato, Best Youth e Ana Deus, marcaram a sua presença no evento. Durante a interpretação do tema ‘Hallelujah’, por Pedro Abrunhosa, o cantor pediu ao público que se fizesse ouvir, “esta música tem que se fazer ouvir em Kiev, tem de se fazer ouvir em Moscovo, esta guerra tem de acabar, e temos de abraçar a paz”.
LÁGRIMAS E GRITOS DE GLÓRIA E PAZ
Foi durante a atuação da ucraniana Irina Horbatyuk, ao som da música criada para a independência país, que a bandeira da Ucrânia foi estendida, perante os gritos de glória e paz.
Nem todos conseguiram conter as lágrimas, e foi durante os poemas proclamados por Pedro Lamares que o desespero por aqueles que muitos deixaram ficar em casa foi sentido. Foi a interpretação do poema ‘Natal de 1945’ de Jorge de Sena, que levou a que soluços ecoassem na Rua de Passos Manuel.
Lágrimas, gritos, frustração, e até mesmo um agradecimento a Portugal, tudo foi ouvido esta sexta-feira nas ruas do Porto. As emoções foram passadas, e foi em frente à Câmara Municipal que as cores da bandeira se ergueram sobre o edifício. Velas foram acesas em honra dos que partiram, e foi levantado um silêncio ensurdecedor sobre a cidade do Porto.
25fev23
















