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Liga dos Chineses em Portugal e Associação para a promoção da Paz pela China Única repudiam as ameaças do administrador da AICEP ao embaixador da China

“Na sequência da notícia vinda a público de uma situação insólita em que um administrador da AICEP ameaça em público o Embaixador da República Popular da China em Portugal sobre as opções e visões soberanas da política externa e interna chinesas a Liga dos Chineses em Portugal vem por este meio repudiar firmemente tal situação exigindo ao Governo da República Portuguesa uma explicação e resolução do servidor do Estado constituindo um perigo para o excelente relacionamento multissecular luso-chinês.

As relações entre Portugal e a China datam de mais de meio milénio e sempre foram pautadas da melhor cooperação e amizade entre ambos os países onde ambas as nações se miscigenaram fruto de convivência multissecular e onde na China, especificamente entre Macau, Hong Kong e Cantão vivem cerca de 200 mil cidadãos nacionais portugueses e em Portugal mais de 40 mil cidadãos nacionais chineses.

No plano formal a AICEP não tem competências a nível de decisão da Política Externa Portuguesa, competências exclusivas do Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação e obviamente do ministro da tutela ou Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho.

A AICEP é uma agência que promove a atração de investimento direto estrangeiro, que apoia o sector exportador português e foi nesta ocasião que a AICEP e em conjunto como Ministério do Comércio da China decidiram organizar um curso conjunto para empresários portugueses melhor conhecer o mercado chinês e da forma correta de abordagem, além de dar a conhecer o enquadramento histórico da China e foi assim de forma extemporânea e fora de contexto que o Administrador Executivo da AICEP repreendeu publicamente o Embaixador da China em Portugal pela opção da neutralidade no conflito russo-ucraniano e a questão de Taiwan interferindo diretamente nos assuntos internos da China violando assim os princípios assumidos entre Portugal e a República Popular da China do principio da China única e de não ingerência nos assuntos internos, nomeadamente reafirmados em momentos históricos, decisivos e felizes no relacionamento entre os dois Estados, tais como na normalização e no estabelecimento das relações diplomáticas entre Lisboa e Pequim em 1979, depois na assinatura da Declaração Conjunta Luso-Chinesa sobre a Questão do Território de Macau em 1987, reafirmados os princípios da China única e de não ingerência nos assuntos internos de cada país na noite de 19 de Dezembro de 1999, ainda aquando do estabelecimento do Fórum de Macau em 2003, na assinatura do Acordo de Parceria Estratégica Global entre Portugal e a China em 2005 até às mais recentes visitas de Estado do Presidente Xi e do Presidente Rebelo de Sousa respetivamente a Portugal e à China.

Por fim, considero enquanto cidadão português de ascendência chinesa que esta situação é inédita lembrando e parafraseando o ex-Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Embaixador António Martins da Cruz, que a Aliança Atlântica serve o propósito desde a entrada de Portugal como Estado-membro fundador para a defesa do espaço euro-atlântico pois no que toca às opções de Política Externa para a Ásia, Portugal foi o primeiro país a chegar por mar à Ásia e onde sempre manteve a sua Política Externa muito própria e independente e é sob todos estes pressupostos na tradição de continuidade ou linhas constantes e de força da história diplomática portuguesa do Professor Jorge Borges de Macedo ao tão bem demonstradas por Mário Soares, João de Deus Pinheiro, Jaime Gama, Paulo Portas ou Augusto Santos Silva que se devem reger.

 

Y Ping Chow

Presidente da Liga dos Chineses em Portugal

12-02-23

 

 

12fev23

 

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