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O banqueiro da rede social

Miguel Correia

 

Recordo que, nos doze anos de escolaridade que trago na espinha, apenas tive economia durante um ano escolar. Posso, desta forma deduzir, que não houve grande interesse em formar malta que soubesse fazer contas. Estive mais tempo a malhar nas correntes filosóficas que, essas sim, nos preparam para enfrentar as agruras e dificuldades da vida de adulto.

Longe vão os tempos em que as pessoas ponderavam e faziam contas ao dinheiro disponível antes de avançar com qualquer compra. Hoje em dia, basta sacar do cartão de crédito e o mal está feito. O choque com a realidade chega com a emissão do extrato mensal, na rubrica ‘valor a pagar’. Nessa altura, podem utilizar todas as orações e preces que conheçam.

A ironia, que acompanha as nossas vidas e esconde-se em cada canto e esquina (não confundir com prostituição), escutou as lamúrias desesperadas dos mais endividados – que sofrem na carteira as decisões recorrentes do BCE (Banco Central Europeu) que teima em aumentar as taxas de juro para abrandar o consumismo, quando por cá se insiste em continuar a gastar…

As instituições bancárias deixaram de se preocupar com empréstimos pessoais ou para remodelações na habitação – até porque sabem que o intuito é ficar com o dinheiro e gastar noutra coisa que não o trolha. Para colmatar esta lacuna, dos créditos pequenos, surgiram as instituições de crédito – alojadas nos corredores dos centros comerciais – e que, sem grandes perguntas ou análise detalhada ao panorama financeiro do sujeito à sua frente, enfiam-lhe um cartão no bolso com um plafond apelativo e imediato. Pronto a ser usado numa qualquer loja em redor!

Mas o mercado de capitais evolui em busca de mais algumas alminhas iluminadas pelo espírito do ‘nosso senhor dos aflitos’ e, temos de admitir, que não falta criatividade a estes predadores. As redes sociais são o novo palco desta batalha insana de troca de capitais a juros reduzidos. E, numa nova espécie de inteligência artificial, pedem amizade e numa fase posterior enviam a bendita mensagem a informar que, para além de terem boas intenções, ainda emprestam dinheiro sem grandes perguntas.

Só esta semana já bloquei três pseudo-amigos com dinheiro para emprestar. Desconheço qual o critério de abordagem, mas arrisco na fotografia de perfil: admito, pareço um refugiado com cara de quem passa fome.

 

01mar23

 

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