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OBRAS DO ‘METROBUS’ DA BOAVISTA, NO PORTO, ESTÃO JÁ NO TERRENO, ASSIM COMO UM SEM-NÚMERO DE CRÍTICAS AO PROJETO! TRABALHOS VÃO DURAR ANO E MEIO…

O projeto metrobus, uma linha de autocarros rápidos a hidrogénio verde que vai ligar a Rotunda da Boavista à Praça do Império e à Rotunda da Anémona, em Matosinhos, tem início das obras marcado para esta terça-feira (31jan23), divulgou a ‘Metro do Porto’ no seu site oficial.

São oito quilómetros totais em mobilidade ‘ecológica’, num investimento de 66 milhões de euros “totalmente financiado a fundo perdido pelo Plano de Recuperação e Resiliência”, especifica a Metro do Porto. Na Avenida da Boavista, o BRT – Bus Rapid Transit (nome técnico para o meio de transporte conhecido como ‘metrobus’) – vai funcionar com uma via dedicada, à semelhança de um troço de metro à superfície.

DOZE NOVAS PARAGENS NO EIXO ‘BOAVISTA-IMPÉRIO-ANÉMONA’

Esta terça-feira (31jan23), é o ‘dia 1’ para o metrobus no Porto: a construção da primeira linha, que vai da Rotunda da Boavista até à Praça do Império, contempla a construção de sete estações de superfície, e promete modificar radicalmente a forma de viajar por uma das mais importantes linhas rodoviárias da cidade do Porto.

Além da estação ‘Casa da Música’, vai ser construída a estação ‘Guerra Junqueiro’, ‘Bessa’ e ‘Pinheiro Manso’ – tudo no eixo da maior avenida do Porto. Depois, o ‘metrobus’ vira para a Marechal Gomes da Costa. Aí, a linha BRT passa a dividir a faixa de rodagem com carros, mas vai circular pela faixa mais à esquerda nos dois sentidos.

Na Avenida do Marechal Gomes da Costa vão ser construídas outras três paragens: ‘Serralves’, ‘João de Barros e Império’. No total, a viagem de ‘metrobus’ entre a Casa da Música e a Praça do Império vai demorar 12 minutos.

Na segunda fase da construção do troço BRT, a Metro do Porto fará a ligação até à Praça da Cidade do Salvador (vulgarmente conhecida como rotunda da Anémona). Desde a estação ‘Pinheiro Manso’, o ‘metrobus’ segue sempre pela Avenida da Boavista, passando pelas novas paragens ‘Antunes Guimarães’, ‘Garcia de Orta’, ‘Nevogilde’, ‘Castelo do Queijo’ e ‘Anémona’. Uma viagem integral neste troço vai durar 17 minutos.

DEZOITO MESES DE OBRA

Os trabalhos da Metro do Porto arrancam já e devem demorar ano e meio até ao fim do trajeto em ‘Y’ no eixo Boavista-Império-Anémona. A obra na Avenida da Boavista vai ocupar o corredor de ‘bus’ e a via central de rodagem, mas a Metro garante que vão estar asseguradas, sempre e ao longo de todo o trajeto, duas vias de circulação rodoviária em cada sentido.

Os trabalhos ficam a cargo do consórcio ACA/Alves Ribeiro, as duas empresas que venceram o concurso público internacional promovido pela Metro do Porto.

CRÍTICAS E ELOGIOS

O novo modo de transporte que vai ser colocado em prática no Porto é uma ação conjunta entre três dos mais importantes atores da mobilidade na cidade: Câmara do Porto, Metro e STCP – a sugestão do traçado veio da autarquia, as obras são da responsabilidade da Metro, mas é a STCP que vai operar o ‘metrobus’. Para o município, o BRT “combina a eficácia, pontualidade e fiabilidade já conhecidas do Metro com a flexibilidade e o conforto da última geração do autocarro ecológico”, já que os veículos ‘metrobus’ não produzem emissões poluentes.

O sistema é visto, por muitos, como a solução para a principal via de ligação entre o centro da cidade e a zona da Foz, frequentemente condicionada pelo trânsito e sem serviço de metro.

Por outro lado, em maio do ano passado, um grupo de moradores da Avenida do Marechal Gomes da Costa demonstrou desconforto pela necessidade de se abaterem árvores na zona do Monumento ao Empresário para a conexão BRT. Outros moradores criticam o fim da ideia de se criar uma ciclovia na faixa bus. CDU e PSD lamentam, ainda, que se deixe de fora a zona do Campo Alegre, um eixo “de bairros sociais com muita população” que “merecia” ser servido pelo ‘metrobus’.

RUI MOREIRA E AS OBRAS QUE NÃO PODIAM AVANÇAR

Para trás ficam as preocupações do edil da cidade. Numa carta à Metro do Porto em novembro do ano passado, Rui Moreira criticava “o impacto profundamente negativo gerado pela empreitada de construção da nova linha do metro” e lembrava que a Linha Rubi e a linha de metrobus da Boavista não poderiam ser “concomitantes com as obras ainda em curso e cujo real cronograma não pode ser aferido”.

Depois de uma reunião entre a Metro do Porto e o executivo municipal, as dúvidas de Rui Moreira parecem ter ficado esclarecidas.

SEM CICLOVIA, INTERFACE COM O METRO OU LINHA DO CAMPO ALEGRE… CHOVEM CRÍTICAS AO METROBUS

A estação de metrobus da Casa da Música não terá ligação à correspondente estação de metro, confirmou o Porto Canal junto da Metro do Porto. Para fazer a ligação entre as duas modalidades de transporte vai ser preciso percorrer, ao ar livre, um pouco mais de 500 metros.

Esta tem sido uma crítica consistente, tanto nas redes sociais como entre residentes portuenses entrevistas pelo Porto Canal, no dia em que se iniciaram oficialmente as obras que vão levar o metrobus – uma linha de autocarros a hidrogénio verde – à Avenida da Boavista.

 LIGAÇÃO À LINHA DO METRO POR FAZER

A falta de ligação do novo projeto de metrobus à linha de metro da cidade é um ponto crítico. Vai ser na estação da Casa da Música que se ligará a Rotunda da Boavista à Praça do Império, no início, e à Anémona, em Matosinhos, numa segunda fase do projeto, mas quem quiser continuar para o centro da cidade vai mesmo ter de sair do metrobus e deslocar-se 500 metros até à estação de metro que já existe nas traseiras da Casa da Música. Para muita gente, uma situação “incompreensível”.

Na rede social Twitter, logo aquando da apresentação do projeto da autoria conjunta da Metro do Porto e da Câmara Municipal gerida por Rui Moreira se deixou claro que uma “falha” de conetividade era uma oportunidade perdida e um “desgosto”.

Os planos de inserção do BRT – Bus Rapid Transit (nome técnico para o meio de transporte conhecido como ‘metrobus’) – na Rotunda da Boavista deixam ainda dúvidas a inversão do autocarro parece ser feita na própria rotunda, em contramão.

O FIM DAS CICLOVIAS

A obra de ‘metrobus’ não antecipa ciclovias na Avenida, segundo o projeto apresentado pela Metro do Porto e pela autarquia. Atualmente, existe uma via dedicada às bicicletas entre o Castelo do Queijo que passa pelo Parque da Cidade, mas a Metro do Porto, em declarações ao jornal Público, admite não saber ainda como vaio integrar o canal ciclável com o resto do projeto BRT. O restante caminho até à Casa da Música não deverá ter espaço para se criar uma ciclovia.

 CAMPO ALEGRE SEM SERVIÇO

A zona do Campo Alegre e as zonas habitacionais densamente povoadas que segue o eixo da rua de Diogo Botelho não vão ser servidas nem por Metro, nem por metrobus. Houve um projeto pensado para expandir a oferta de transportes públicas na zona, mas a Metro do Porto alegou dificuldades infraestruturais para a construção de uma via dedicada.

Tanto o PSD como a CDU deixaram críticas ao executivo de Rui Moreira em abril de 2021, aquando da discussão da implementação do BRT, e até o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, na altura vereador do PS, disse preferir o ‘metrobus’ no Campo Alegre à construção na Boavista.

No total, são oito quilómetros em mobilidade ‘ecológica’, num investimento de 66 milhões de euros “totalmente financiado a fundo perdido pelo Plano de Recuperação e Resiliência”, especifica a Metro do Porto. A viagem de metrobus entre a Casa da Música e a Praça do Império vai demorar 12 minutos. Entre a Rotunda da Boavista até à Anémona serão 17 minutos de viagem.

 DEZOITO MESES DE OBRAS

Os trabalhos da Metro do Porto arrancam já e devem demorar ano e meio até ao fim do trajeto em “Y” no eixo Boavista-Império-Anémona. A obra na Avenida da Boavista vai ocupar o corredor de ‘bus’ e a via central de rodagem, mas a Metro garante que vão estar asseguradas, sempre e ao longo de todo o trajeto, duas vias de circulação rodoviária em cada sentido.

Os trabalhos ficam a cargo do consórcio ACA/Alves Ribeiro, as duas empresas que venceram o concurso público internacional promovido pela Metro do Porto.

 

Texto: Francisco Garcia (Porto canal) / Etc. e Tal

Fotos: Porto Canal

 

31jan23

 

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