Nos últimos meses, alguns artistas têm utilizado as carruagens do Metro do Porto como plataforma para mostrarem o seu trabalho e ganharem algum dinheiro. No entanto, para já, estas atuações são proibidas pela empresa que tem recebido, segundo o ‘Porto Canal’, algumas queixas de outros utilizadores, que se sentem incomodados.
Foi Joe Sousa que trouxe o improviso e as rimas para o Metro do Porto. Veio do Brasil, onde já atuava, e resolveu experimentar fazer o mesmo em Portugal. “Se eu fazia rir os paulistas, consigo fazer rir todo o mundo”, disse o artista.
A Joe juntaram-se mais três rapazes, e agora os quatro movimentam-se de metro pela cidade do Porto a fazerem o que realmente gostam.
Os artistas improvisam, em formato de rima, explorando a sua criatividade com os outros passageiros que se encontram no metro. Para isto, levam sempre consigo colunas de música e bonés para, durante a atuação, as pessoas poderem contribuir com algum dinheiro.
Pedro Ruquito, um dos quatro amigos, reconhece que Portugal ainda não está cem por cento preparado para esta mudança cultural. “Eu acho que é uma coisa que ainda está atrasada em Portugal, a arte dentro dos metros e comboios não existia. No Brasil é uma coisa muito mais liberal, até churrascos se fazem dentro dos comboios”.
Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Os artistas dizem estar a ter um feedback bastante positivo por parte dos outros passageiros e de todas as idades. “É muito difícil alguém pedir para parar o show”.
Quando alguém o faz, contam que o resto das pessoas se queixa e defende os artistas, dizendo que não estão a fazer nada de mal, antes pelo contrário.
Apesar desta abertura por parte da maior parte das pessoas, o ‘Porto Canal’ sabe que a Metro do Porto já recebeu algumas queixas de utilizadores.
As atuações dentro das carruagens estão proibidas por parte da empresa de transportes, principalmente quando envolve pedido de dinheiro, sendo estas condições de utilização do Metro do Porto públicas. Os artistas sabem-no, mas garantem que vão continuar até terem a autorização que, aliás, já pediram à Metro do Porto.
No que diz respeito ao pedido de dinheiro por parte dos artistas, os mesmos reforçam que “às vezes um sorriso vale mais do que uma moeda”. Joe Sousa diz mesmo que recebe “elogios todos os dias” e que as pessoas dizem frequentemente que a atuação “mudou o dia delas”. “São esse tipo de coisas que, com ou sem autorização, nos fazem continuar a estar aqui”.
“Nós temos de mostrar que não vamos desistir. Isto aqui é arte, é intervenção cultural, não vamos parar de fazer isso”, garantiu Joe.
Texto e foto: ‘Porto Canal’ / Etc. e Tal
02mar23