Foi há sete anos. Marcelo Rebelo de Sousa tinha tomado posse como Presidente da República há três dias (09mar16), e fazia a sua primeira ‘visita oficial’. O Porto foi a cidade escolhida, e o Bairro do Cerco o, surpreendente, centro da deslocação à Invicta, onde foi recebido, com muito afeto e emoção, por milhares de pessoas (residentes, e não só). O ‘Etc. e Tal’ esteve lá, e registou os momentos mais importantes desta inesperada visita…
Ao final da manhã do dia 11 de março de 2016, Marcelo Rebelo de Sousa chegava ao Porto como Presidente da República, recém-empossado. Recebido por Rui Moreira com honras militares frente à Câmara Municipal do Porto, e uma vez lá, o mais alto magistrado da Nação discursou:
“Aqui vir e aqui estar hoje a terminar as cerimónias de posse iniciada em Lisboa é, a dois títulos simbólico. É simbólico como homenagem ao Porto, ao seu passado, ao seu presente e ao seu futuro. É simbólico como sublinhado de virtudes nacionais num tempo atreito a desânimos, desilusões e desavenças”.
“Antes do mais, homenagem ao Porto. À sua História. De inventiva e autonomia. Desde o Bispo insubmisso ao Infante D. Henrique e à burguesia cosmopolita que estabeleceu os laços que perduram com o nosso mais antigo aliado. De resistência ao poder absoluto, também. Da Revolução de 1820 ao heroísmo na vitória sob o Cerco em plena Guerra Civil e à perene evocação de D. Pedro, exemplo da junção de duas Nações em tempo de sua separação definitiva.
E, depois, História precursora da República em 1891, incansável batalhadora pela liberdade e pela Democracia, da militância intelectual e associativa e laboral ao magistério religioso e à pujança económica. Numa palavra o Porto, é de algum modo como berço da Liberdade e da Democracia”.
E mais: “O Porto é terra geradora de elites em todos os domínios. No mundo da economia como na universidade, na Cultura como nas Artes e no Desporto. São património imperecível do Porto, Manuel de Oliveira e Agustina, Souto Moura e Siza Vieira, Rui Veloso e Pedro Abrunhosa, Vasco graça Moura e Daniel Serrão entre muitos outros.
E, por isso, – olhando para todos eles e para a vitalidade que deles emana – como não adivinhar para o Porto um futuro de grandeza?
As start-ups de hoje a prefigurarem a criatividade de amanhã, artistas de todas as idades a fazerem chegar a arte a outras latitudes e longitudes, os invictos a exigirem de si próprios mais espaço para afirmarem mais longe ainda a sua vocação universal.
Tudo isto, afinal, expressão ou matriz de uma maneira de ser que não se esbateu com o tempo, antes se reforçou ganhando as camadas da nobre pátina que só o tempo, o verdadeiro tempo histórico sabe conceber”
E, por fim: “quero formular aos Portuenses dois pedidos; o primeiro, de que jamais troquem a sua liberdade, o seu rigor no trabalho, os seus gestos de luta e de coragem por qualquer promessa de sebastianismo político ou económico. O futuro é obra de todos não é dádiva de ninguém.
O outro, de que nunca se rendam à ideia errada de que quase nove séculos de história são obra do acaso, que é uma fatalidade que Portugal esteja votado a ser pobre, dependente, injusto, a não ter lugar para a vontade dos Portugueses.
Temos de acreditar em nós próprios e no que valemos e podemos. Para que as crises deixem de ser o único horizonte possível. Para que seja possível, ao menos de, quando em vez, abrir caminho ao sonho. Aqui, no Porto, é impossível não acreditar em Portugal!”
E, depois, foi a vez do Cerco. Sim, a de visitar o Bairro do Cerco do Porto, na (desprezada) zona oriental da cidade…
Bairro do Cerco do Porto que foi inaugurado em 1963, e está situado na freguesia de Campanhã. Conta com 34 Blocos, representando 892 casas, nas quais residiam, na altura (há sete anos) 835 famílias. Ao todo: 2074 habitantes. Atenção: destes (2074), 650 não têm rendimentos laborais, e 354 declaram um rendimento mensal inferior ao salário mínimo.
E a tarde de 11 de março de 2026 foi vivida, assim, como, então, se escreveu no ‘Etc. e Tal’
“Marcelo! Marcelo!” Ouviu-se. Cantou-se. Deu-se passos de “dança”. Estava por lá – por um bairro, situado na zona oriental do Porto, durante vários anos desprezado – o Presidente da República.
Bandeiras de Portugal nas janelas e varandas; cachecóis do clube do sítio… braços no ar… alegria, algumas lágrimas, muitos e muitos aplausos. E ouve-se, uma vez mais, “Marcelo! Marcelo!”
Nesta altura, o recém-empossado Presidente da República, estava prestes a deixar a Invicta. Antes, ouviu, e deu perninha, em palco, – juntamente com Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto- à dança de um “hip hop” dos OUPA, um grupo formado por cinco jovens residentes no bairro (Cerco), que, com a música, vão intervindo, construtivamente, para integração de rapazes e raparigas em “risco” na sociedade…”
E seguem-se as imagens que perpetuam os momentos, então, vividos, pela objetiva de Pedro N. Silva…

Texto: José Gonçalves
09mar27












