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MARCHA CONTRA A ‘BAYER/MONSANTO’ REUNIU, NO PORTO, ATIVISTAS NA LUTA PELA BIODIVERSIDADE E DE OPOSIÇÃO AO PODER DO ‘AGRONEGÓCIO’

Apesar das condições climatéricas adversas, foram cerca de meia centena os ativistas que se concentraram no sábado de tarde, dia 27 de maio, na Praça dos Poveiros no Porto, para daí marcharem em protesto até à Praça do General Humberto Delgado.

 

Manifestaram assim o seu apoio à luta pela defesa da biodiversidade e contra o poder do agronegócio, que na sua sede de lucros fáceis não recua perante nada, através do recurso a organismos geneticamente modificados (OGM) que lhe permita a privatização das sementes e a sua imposição no mercado.

 

 

Ursula Zangger

(fotos)

 

 

Grandes companhias como a ‘Syngenta’, ‘Bayer’, BASF são algumas das que através destes processos têm vindo a contribuir para a degradação das práticas alimentares, das condições de saúde e da dependência e empobrecimento das populações camponesas.

O dia global de Marcha contra a Monsanto, instituído em 2015, visava alertar, a título de exemplo, precisamente para as práticas nefastas de uma destas empresas, que veio posteriormente a ser absorvida pela Bayer.

Na sequência desse movimento, a marcha agora realizada no Porto manifestou-se pela defesa da saúde pública versus o lucro fácil, contra a desinformação e manipulação imposta pelas grandes companhias, pela a exigência de rotulagem clara sobre os OGM, pela exigência de testes científicos independentes, pela promoção de soluções biológicas e pela rejeição de novas gerações de transgénicos, pela exposição do compadrio entre governos e as grandes empresas, pela luta contra a fome, e pela defesa da biodiversidade – e em particular das abelhas, cuja conservação corre perigo.

A marcha realizada no Porto contou com o apoio das seguintes associações e partidos políticos: BioPort’, Espaço Musa’, Macaréu, Campo Aberto, FAPAS, Partido Ecologista Os Verdes, Nós Cidadãos!’, GLocal Faro, Associação de Apicultores do Norte, A Soalheira, Gato Vadio, PAN -Pessoas Animais Natureza, Núcleo Antifascista do Porto, Terra Solta, Famalicão em Transição, TROCA – Plataforma por um Comércio Internacional Justo, STOP UE – Mercosul, AMAP, Plataforma Transgénicos Fora, Urtigas 70 e Casa da Horta.

Várias intervenções foram sendo feitas ao longo do percurso.

De algumas destas destacamos, a título de exemplo: “…não nos podemos esquecer que a indústria pecuária tem sangue nas mãos. Não só pelas questões do desmatamento para produzir ração para alimentar animais que se vão transformar em carne para consumo, mas também pela utilização de agrotóxicos que destroem os solos e causam dano irreversível” (PAN).

“Uma semente é como um rio, não pode ser apressada nem controlada. Quando o controlo e a pressa se juntam há invasões indesejáveis, de enfermidades, vírus e variantes desumanas de ilusões de riqueza” (Terra Solta).

“Entre muitos outros impactos negativos, o UE-Mercosul incentivará: – o aumento do uso de pesticidas perigosos e outras substâncias tóxicas, na sua maioria produzidas e vendidas por países europeus, mas que são proibidas na UE, por serem conhecidos os seus efeitos prejudiciais; – a utilização agrícola de OGM e agroquímicos, tendo a Bayer/Monsanto uma presença privilegiada e poderosa nos países do Mercosul” (TROCA – Plataforma por um Comércio Internacional Justo).

“Na verdade são essas práticas nefastas, no agronegócio e na industrialização forçada que estão na origem das secas, das inundações e dos incêndios. Da fome que se propaga… e de um mundo à beira do colapso. É por isso que, a partir do nosso pequenino espaço, da nossa hortinha comunitária urbana, juntamos a nossa voz a toda a gente que se opõe, firme, ao capitalismo que tudo arrasa” (Espaço Musas).

Documento muito importante também ali divulgado foi a mensagem da Plataforma Transgénicos Fora, alertando para a desregulamentação sobre os OGM, o risco dos seu uso em condições de incerteza científica, o perigo das novas tecnologias de modificação genética, o conhecimento de variadas situações de contaminação da natureza e a pressão sobre os circuitos comerciais.

No decurso da Marcha, num protesto contra a morte propagada, os manifestantes deixaram aqui e ali, pedacinhos de terra e de vida, em plantações que puseram seiva e húmus em confronto com o chão da “cidade de cimento”.

 

Texto: LC

 

28mai23

 

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