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RUI MOREIRA PROPÕE AOS MÚSICOS DO CENTRO COMERCIAL ‘STOP’ TRANSFERIREM-SE PARA A ESCOLA AUGUSTO CÉSAR PIRES DE LIMA

O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, em conferência de imprensa realizada esta manhã, nos Paços do Concelho, propôs a transferência dos músicos do Centro Comercial ‘Stop’ que viram, ontem, 105 das 126 lojas daquele espaço seladas pela Polícia Municipal -, a transferirem-se para Escola Pires de Lima “que é muito junto ao centro comercial Stop vai ficar livre antes do fim do ano porque metade dos alunos vão ser transferidos para o Alexandre Herculano”, referiu o autarca.

Escola Augusto César Pires de Lima – Foto Arquivo (Etc. e Tal)

Rui Moreira revelou ainda, no encontro efetuado com os jornalistas, que esteve reunido com a associação ‘Alma Stop’, na qual foram propostas várias soluções para os músicos, entre as quais o ‘Silo Auto’ – já apresentada em novembro passado -, ideia que, contudo, foi rejeitada pelos artistas, surgindo, agora a hipótese da Escola Augusto César Pires de Lima – à Rua de António Carneiro -, a poucas centenas de metros do ‘Stop’, também na freguesia do Bonfim, e que vai ficar sem alunos, uma vez que os mesmos serão transferidos, no próximo ano letivo, para a requalificada Escola Secundária-Liceu de Alexandre Herculano.

TRANSFORMAR ANTIGAS SALAS DE AULAS EM SALAS PARA MÚSICOS É RELATIVAMENTE FÁCIL…

A transformação das salas de aula da ‘Pires de Lima’ em salas de música “é relativamente fácil”. “A escola é da Câmara e não vai ser necessária para a educação“, podendo ficar disponível em setembro, prevendo que a atividade escolar na Escola Secundária Alexandre Herculano arranque, após as obras ali efetuadas pelo município. O edifício da “Pires de Lima” é composto por seis unidades completamente autónomas e os custos da adaptação serão assumidos pela autarquia.

“Sabemos que a escola tem condições para ter um conjunto de salas partilhadas. Quem terá de criar as normas e os regulamentos será a associação, que irá gerir o espaço”, garantiu Rui Moreira, acrescentando: “Transformar antigas salas de aulas em salas para músicos é uma coisa relativamente fácil. [Os músicos] podem conviver com o ‘Norte Vida’, temos salas disponíveis, é um espaço enorme que tem seis unidades completamente autónomas. Parece-nos uma ideia ótima para a cidade”.

NINGUÉM ESTÁ MAIS PREOCUPADO COM O FUTURO DOS MÚSICOS DO STOP QUE NÓS!

“Ninguém está mais preocupado com o futuro dos músicos do Stop que nós”, frisou Rui Moreira que, esta manhã, mais uma vez, reuniu com a única associação legal e representativa dos músicos (‘Alma Stop’), deixando claro que a situação naquele espaço arrasta-se há mais de dez anos e o Município tem vindo, ao longo do tempo, a acumular queixas por parte da vizinhança, para além, mais recentemente, de saber que ali existe uma discoteca ilegal, que é do desagrado dos músicos.

“A qualquer momento poderíamos ser acusados de negligência”, sublinhou o presidente da Câmara, que esteve acompanhado do vereador das Atividades Económicas e Fiscalização, Ricardo Valente, revelando que a solução pode passar, num futuro próximo, pela instalação dos músicos no Silo Auto ou até na Escola Secundária Pires de Lima, situada próxima do centro comercial. Ambos os edifícios são pertença do Município do Porto.

NÃO SERÁ AUTORIZADO NENHUM HOTEL NO ´STOP’

Face ao diálogo constante que tem havido, por parte do município, com a Associação Cultural de Músicos do Stop, o autarca portuense refutou a ideia de que a Câmara nunca falou com os artistas. “Não é verdade”, disse, acrescentando: “É bom recordar que a Câmara não pode fazer obras num edifício que não é seu”.

Segundo Rui Moreira, “os músicos foram avisados e alertados do risco iminente“, revelando o registo de dois incêndios nos últimos anos e um relatório do Regimento de Sapadores Bombeiros (RSB) do Porto onde estão assinaladas “puxadas elétricas ilegais”, “problemas com saídas de segurança” e um “conjunto de lojas sem licença de utilização”.

“A qualquer momento podíamos ter uma situação de altíssima gravidade e podia haver um incêndio e morrer lá alguém”, observou.

Quanto a eventuais interesses imobiliários, o presidente da Câmara do Porto disse desconhecer qualquer intenção nessa área, mas adiantou que não autoriza nenhum hotel. O próprio Município diz ter-se mostrado interessado em comprar o edifício, mas haverá mais de 100 proprietários do centro comercial e muitos estarão fora do país quase incontactáveis.

Rui Moreira criticou também a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANPC) por dizer que “não tem competências” para fazer uma inspeção no centro comercial. “Sem a pronúncia da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, que, para já, lavou as mãos do assunto, o Município não pode atuar”, acrescentou.

RUI MOREIRA CRÍTICA “APROVEITAMENTO POLÍTICO” DA CDU E DO BLOCO DE ESQUERDA

O presidente da Câmara não deixou, entretanto, de acusar de “aproveitamento político” a atuação da CDU e do Bloco de Esquerda. “Já contava com o populismo do Bloco. De facto, se alguém lá tivesse morrido, o morto tinha uma cara e o presidente da Câmara era acusado de assassino”, frisou.

 

Texto: Etc. e Tal / Paulo Alexandre Neves (Porto.)

Fotos: Miguel Nogueira (Porto.)

 

19jul23

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