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Carla Ribeiro: “Os sem-abrigo têm de ser tratados como pessoas, mas há quem os trate como bichos!”

 

Carla Maria Cardoso Ribeiro, tripeira de Paranhos, é uma das mentoras do “Estamos Aqui…” um projeto solidário que, ela própria, dará a conhecer na entrevista que se segue. Amante do diálogo com quem dele mais necessita, Carla é o exemplo de uma vida vivida com algumas dificuldades “técnicas”, mas sempre pronta a ajudar os outros e, neste caso específico, os seus “Amigos de Rua… os sem-abrigo.

É mulher que não para. Uma mulher “pronta a chegar aos corações, ao sentimento. O “Estamos Aqui…” é o seu projeto, e nele está envolvida de corpo e alma desde outubro do ano passado, e já com obre digna de registo. A ler…

 

Quem é a Carla Ribeiro?

“A Carla tem 41 anos e, a dada altura, resolveu fazer voluntariado, depois de várias experiências, já na altura da adolescência com um grupo que dava apoia aos jovens que estavam na Tutoria, aqui no Porto. As raparigas iam para um lado, e os rapazes para outro, e conversávamos um pouco com eles. Isso aconteceu quando eu tinha os meus 16/17 anos.”

 

Ainda havia essa divisão?

“Ainda havia essa divisão. Era muito difícil fazermos algumas atividades com a junção dos dois grupos, devido aos condicionalismos de juntar rapazes com raparigas. Na altura do Natal, conseguíamos que, os que ficavam na Tutoria fossem passar a quadra a nossas casas, ficávamos, assim, responsáveis por eles durante esse período. Às vezes corria bem, outras vezes…não”.

 

Estranha essa “divisão” mesmo depois do 25 de abril. Em democracia! O que é que constatou nessa altura?

“Havia muito medo dos miúdos e das miúdas em falar connosco. Isso era uma coisa que nós notávamos. Eram jovens com 11/12 anos já com um percurso de vida surpreendente – que para nós era inimaginável pelo seu aspeto negativo – e notávamos muito medo no diálogo que eles tinham connosco, porque a seguir seriam, presumivelmente, alvos de alguns castigos por parte dos coordenadores. Havia miúdas que nos diziam que fugiam da instituição, sabendo que depois seriam castigadas, só para, pelo menos – e de acordo com um caso – passar o dia na praia. A alegria da fuga compensava mais que o castigo.

Foi interessante perceber como é que uma miúda de treze anos ter saltado o muro, com vidros, arriscando a sua própria vida. Mas ela conseguiu ir para a praia, foi de Matosinhos até Vila do Conde pela orla marítima, ia comendo daquilo que as pessoas lhe davam, e foi brincando com outras crianças. Quando ela contou isto quase que como se esqueceu do castigo que a seguir foi sujeita.”

 

Isto “só” há vinte anos atrás?! E isto, repito, já no Portugal democrático!

“Há vinte anos atrás, é verdade! Para mim foi uma vivência, uma experiência, muito grande. Acho que foi a primeira alavanca que me marcou verdadeiramente quanto a uma realidade que eu desconhecia. A vivência com estes jovens na Tutoria foi bastante enriquecedora, já que, ao fim de algum tempo, tirou-se dessa riqueza algo de importante para o futuro. Pena foi que, depois, nos tenham barrado o caminho de acesso ao estabelecimento, ao ponto de termos de abandonar o projeto.”

 

Mas, por quê?

“Porque nós quisemos ajudar aqueles jovens e, assim, começaram a criar barreiras para, no fundo, a eles não termos acesso.”

 

Barreiras?!

“Sim. Não sei o porquê. Na altura, ouvia-se a falar de tanta coisa que, hoje, é difícil avaliar o que na realidade aconteceu.”

convidado 03 - 01fev13

Experiências solidárias

 

Com o passar do tempo…

“Com o passar do tempo foi quase que rever nos “meus” sem-abrigo algumas das histórias e alguns dos percursos. Entretanto, fiz parte da Juventude da Cruz Vermelha, porque lá trabalhei algum tempo nos projetos da Ocupação dos Tempos Livres, durante as férias escolares. Depois, acabei, ainda por lá, por fazer trabalho de apoio a idosos, aos médicos e ao serviço de ambulâncias. Tinha, na altura, já 19/20 anos. Eu ainda me mantinha no meu grupo de jovens, mas conseguia articular as duas funções.

Mais tarde, tive de deixar o grupo da Cruz Vermelha e optei por manter o meu grupo de jovens.”

 

Grupo de jovens?!

“Sim, grupo de jovens franciscanos e nesse grupo é que dávamos o tal apoio à Tutoria. Tive aí uma base de crescimento. Éramos vários jovens, praticamente, da mesma idade. Tínhamos várias atividades. Fazíamos imensas coisas. Tínhamos várias parcerias. Tínhamos encontros nacionais da Juventude Franciscana… essa parte foi mais ligada à religião católica.

Depois casei e desliguei-me da Juventude Franciscana, porque não fazia o mínimo sentido lá continuar. Houve, então, um percurso longo em que nada fiz em termos de apoio social, tudo para me dedicar mais à família.”

 

“Estamos Aqui…”

 

Até que algo volta, como que, a chamá-la?!

“Há sempre um bichinho que fica. Eu, nesse período, fui adiando porque não tinha tempo. Até que a PT, onde trabalho, desenvolveu uma parceria com uma instituição para fazer rondas noturnas junto dos sem-abrigo. Então, optei por experimentar, porque nunca tinha estado, diretamente, a lidar com sem-abrigo, e achei que talvez seria uma área na qual poderia explorar experimentando.”

 

E qual foi o primeiro impacto?

“Foi fazer a primeira ronda, em 2010, através de uma instituição e cheguei a casa dizendo: “até pensei que isto ia ser pior!” (risos). Foi engraçado porque fiquei, completamente, desconsolada, porque pensei que a coisa seria muito mais grave… que ia ver uma realidade mais “dura”…

 

E qual era a instituição?

“Prefiro não dizer. Não vale a pena! Depois, fui fazendo mais ações de rua, tendo uma noção mais real daquilo que se passava!”

 

Até que surge o “Estamos Aqui…”

“O “Estamos Aqui…” nasce porque, ao fim de algum tempo, e depois de ter criado laços de amizade com as pessoas, foi ficando, ao final de várias rondas, uma ligação mais direta com um dos elementos que também fazia parte da equipa…

 

…quem?

“O Marco Gonçalves. Ele e eu, um dia, ao telefone às oito e meia da noite falámos sobre a última ronda. Estávamos chateados porque alguém nos tinha chamado à atenção por não gostarem que acabássemos as rondas às oito da manhã, já que achavam que a partir das três horas, os sem-abrigo não tinham fome! O que é uma mentira! Uma grande mentira! O sem-abrigo come quando lhe dão de comer e quando tem comida. A dada altura percebo, então, que nós os dois estávamos a caminhar para a construção de um novo projeto. Assim sendo, o “Estamos Aqui…” nasce às oito e meia da noite de três de outubro de 2012.”

convidado 04 - 01fev13

“Não aceitamos donativos em dinheiro, nem temos nenhuma instituição por trás”

 

A partir daí…

“A partir daí foi o desenvolver do projeto; foi o criar o nome; foi criar o Facebook ; foi criar uma imagem para o grupo e convidar pessoas que viessem juntar-se a nós, de modo a fazerem parte do núcleo base e, assim, criarmos estruturas e para podermos estar na rua.”

 

E qual foi a recetividade?

“Foi, e é, muito grande, principalmente quando dizemos que não aceitamos donativos em dinheiro e, depois, não temos nenhuma instituição por trás de nós. Somos um grupo de pessoas que está na rua pelos nossos sem-abrigo a quem chamamos “ amigos de rua”.

 

Hoje, há dezenas de instituições do género espalhadas pelo país, facto que tem originado alguma desconfiança por parte da população quanto aos concretos objetivos para as quais foram criadas.

“Sim, há muitas instituições, que se calhar estão todas mal coordenadas. Se todas estivessem devidamente coordenadas poderiam fazer um trabalho melhor que o que se fazem. Primeiro porque, e infelizmente, o sem-abrigo tem de comer todos os dias. Nós ainda não temos capacidade para o fazer semanalmente, mas acredito que há outros grupos que a têm e não o fazem.”

 

Pois, há instituições aqui no Porto, e só referenciando algumas, como a Legião da Boa Vontade, AMI, Coração da Cidade e etc e tal. Pelo que já se costuma dizer que só passa fome quem quer…

“Eu não digo isso! A realidade da rua é diferente!”

 

“Não trabalhamos com números. Trabalhamos com pessoas!”

 

Mas eles também não querem sair da rua, digo-o com experiência depois de ter acompanhado uma dessas jornadas.

“Temos vários tipos de pessoas na rua. Se virmos a base dos problemas que tiram as pessoas para a rua, noventa por cento tem origem em problemas familiares. Foi a família que os atirou para a rua! Outros caem na rua por droga, álcool, prostituição ou por outros motivos. Temos ainda outras situações: famílias completas que acabam por perder o emprego, vai tudo desmoronando-se, e acabam por ficar na rua. Essas pessoas – quando está o nicho completo – geralmente é fácil voltar a coloca-los em algum local e restrutura-los. Quando é uma pessoa sozinha, ela prefere ficar na rua, e não quer cumprir regras…”.

 

Não há apoio psicológico neste trabalho?

“O “Estamos Aqui…” não sai para a rua com a ideia de atender cinquenta ou 120 pessoas. Nós não trabalhamos com números, trabalhamos com pessoas!”.

 

Mas, não levam nenhum psicólogo?

“Não levamos nenhum psicólogo! Somos um grupo de amigos…

 

Nada tem contra os psicólogos?!

“Nada, nada! Aliás, se algum psicólogo nos quiser acompanhar será sempre bem vindo. No Facebook abrimos a nossa página há pouco tempo ( http://facebook.com/estamos.aqui.2012 ) e, consequentemente, o convite às pessoas para poderem acompanhar o nosso trabalho; para nos contactarem e para virem connosco. E a recetividade foi muito positiva, tanto mais que, hoje, temos uma escala com quatro elementos base e depois a possibilidade de levar mais três elementos connosco”.

convidado 05 - 01fev13

Solidariedade(s)

 

Recorrem ao Banco Alimentar?

“Não! Nós temos dois restaurantes que nos fornecem a sopa nos dias em que fazemos as ações: o “Castelões”, na rua de Álvaro Castelões, aqui no Porto, e o “Colherada”, na “Macro” de Gaia.”

 

E o transporte?

“Temos uma carrinha cedida por um dos elementos. E depois, uma coisa fantástica, que aconteceu na véspera de uma das nossas ações de rua. Na altura, não tínhamos pão para levar para os nossos amigos de rua. Fiz, então, um apelo no Facebook e, por volta da uma e meia da manhã, houve um senhor que nos respondeu para o contactarmos, uma vez que tinha padarias e, facilmente, nos poderia fornecer o… pão!

Com o contacto dessa pessoa, peguei no telefone, liguei e perguntei-lhe: “Quantos pães nos pode arranjar? Só precisava de cinquenta! Como é que vamos fazer?” E ele diz-nos que a padaria é em Santa Maria da Feira. Era longe, mas o senhor tinha demonstrado muita disponibilidade e nós não podíamos, de forma alguma, recusar essa solidariedade. E num sábado à tarde, lá fomos a Santa Maria da Feira, trouxemos os cinquenta pães e quatro ou cinco caixas com bolos.”

 

Você vive isto!

“Vivo isto!”

 

Quando contacta, diretamente, com um sem-abrigo, qual é o impacto… a sua reação?

“É sair da carrinha sempre a sorrir!”

 

Mesmo quando aparece um desconhecido?

“Sim! Geralmente, nós abordamos essa pessoa com alegria. Se atuasse com cara embrulhada, o melhor seria ficar em casa. E o engraçado é que eles já nos vão conhecendo pela nossa boa disposição. Repare: o sair com sorriso já é uma porta de entrada para com eles estabelecer um contacto direto.”

 

As pessoas não são todas iguais.

“Sim, mas, até hoje, nunca tive problema no contacto com qualquer pessoa”.

convidado 06 - 01fev13

“Nunca seremos uma associação com fins lucrativos!”

 

Tendo em conta o previsto agravar da austeridade em Portugal no decorrer do presente ano, o “Estamos Aqui…” está pronto para dar resposta a um maior número de pedidos de ajuda?

“O “Estamos Aqui…” continuará a ser um grupo que desenvolverá a sua ação ao encontro dos “amigos de rua”, com o objetivo de falar com eles, perceber as suas necessidades e ver onde é que os podemos ajudar.”

 

Há uma estrutura a ser montada?

“Sim. Nós não somos nenhuma instituição, não somos nenhuma associação… somos, repito, um grupo de amigos. No entanto, estamos a pensar se iremos, ou não, constituir-nos em associação, talvez por assim possaser mais fácil ter o apoio das empresas. Nunca será uma associação com fins lucrativos. Nós nunca vamos aceitar donativos, ou qualquer tipo de dádiva em dinheiro. Vamos trabalhar sempre com parcerias. Temos os dois restaurantes que nos estão a fornecer sopa e ainda duas padarias – a “Lucimel”, em Santa Maria da Feira, e “Dompastel”, que é aqui do Porto.”

 

Qual o universo de pessoas que abrangem através da vossa ação?

“Não sei ao certo lhe dizer, porque não as contabilizamos. Mas, assim de uma forma geral, conseguimos, em cada ação de rua, falar com cerca de cinquenta pessoas. A prioridade é falar com as pessoas, só, posteriormente, é que lhes perguntamos se querem alguma coisa para comer. Aí temos sempre sopa, leite com chocolate e café. Tudo quente!”

 

Quais são as zonas onde têm vindo a intervir?

“Essencialmente na zona da baixa da cidade do Porto, onde existem vários nichos: pessoas isoladas, ou então, três a quatro pessoas juntas. É uma zona que conhecemos, isto pelo facto de já termos colaborado com outras instituições. Assim fomos associando locais e estamos, neste momento, a dar apoio a sem-abrigo em locais que sabemos que, pelos quais, não passa outra instituição.”

 

“O “Estamos Aqui…” é um filho nosso, ao qual lhe demos pernas e agora caminho”

 

E depois é o “tal” contacto.

Sim, Se tivermos de estar uma hora com eles… estamos uma hora! Eles querem é falar connosco! O resto do grupo respeita a necessidade dessa pessoa e vai interagindo com as outras, enquanto estou a falar com um dos elementos.”

 

A sua família aceitou esta atividade?

“Quando as pessoas tomam uma decisão destas têm de ter coragem, muita sensibilidade, e, depois, o tal apoio da família. Se não tivesse apoio dos meus pais e do meu filho, não teria conseguido abraçar este projeto da forma que abracei, criando o que já se criou, e, principalmente em outubro do ano passado, em que todos os membros do “Estamos Aqui…” puseram a máquina funcionar”.

 

E neste momento “Estamos Aqui…”

“É “Estamos Aqui…”. De momento tenho quatro elementos base. O projeto nasceu da cabeça do Marco, ao qual dei logo apoio, partindo para a rua quase de imediato. Portanto, temos uma capacidade de articulação bastante grande, o que é engraçado. Estamos muito sintonizados!

No Natal, por exemplo, tivemos uma ação com a presença, excecional de 12 voluntários, e eu lembrei-me de irmos para a rua com gorros de Pai Natal, pelo menos, para alegrar e dar algo de diferente às pessoas. Dito e feito! Ainda antes de sair para a rua os gorros já estavam encomendados por um membro do grupo. Bastou ter a ideia. No fundo, este projeto é um filho nosso, não biológico, mas a quem resolvemos dar pernas e que agora queremos dar-lhe caminho.”

 

“Há sítios que não queremos ir por questões de segurança!”

 

E onde se encontra o “berço” do filho?

“O “berço”, ou seja, as instalações que nós usamos para preparar as coisas, é em casa de um nosso colega, porque ainda não temos sede própria. Com o tempo, esperamos ter o nosso próprio local. Repare que começamos em outubro – logo com duas ações de rua -, estamos em janeiro, e com o evoluir do projeto vamos conseguir esse objetivo”.

 

A zona oriental do Porto, que é socialmente, muito carenciada, tem merecido, por parte do “Estamos Aqui”, alguma atenção especial?

“Há vários nichos que não conseguimos abranger. Como também há sítios que não queremos ir por questões de segurança. São locais bastante problemáticos! No entanto, há áreas, ou zonas, em que há pessoas que precisam de apoio”.

 

As pessoas que abordam se calhar não são tão más quanto aquilo que se pode pensar, o pior é o que vem a seguir?!

“Até hoje nunca tive problemas quanto a abordagens. Às vezes, os nossos amigos de rua são um bocadinho rígidos quando falam connosco, mas só num primeiro impacto, e isto porque a vida também os magoou, assim como atitudes menos corretas de outras instituições. Eles têm de ser respeitados como pessoas, e há quem os trate como bichos. A partir do momento que eles me respeitem tudo bem, quando assim não acontece…acabou!”

convidado 00 logo - 01fev13

Santa Maria da Feira e Lisboa os próximos “Aqui” do “Estamos”

 

E o “Estamos Aqui…” só vai estar aqui, no Porto?

“Neste momento estamos no Porto. Em termos de orgânica ainda não temos os apoios que necessitávamos para percorrer um caminho mais vasto. Nós, de momento. tentamos levar a sopa e o pão, que já falei, e mais pães com alguma coisa mais: com compota de abobora e com marmelada. Levamos também um pacote de bolachas, que é uma coisa que eles comem com bastante facilidade, e tentamos, ainda, levar fruta. Estamos também a tentar fazer recolha de roupa. Nesta altura, temos uma grande necessidade de arranjar cobertores e também caixas de cartão, o que estamos a tentar em algumas lojas.

Quanto à sua pergunta, em concreto. Primeiro, queremos reunir todas as condições essenciais e estáveis aqui no Porto, e depois, até porque vamos todas as semanas a Santa Maria da Feira – é já para nós um local que deveríamos reconhecer – vamos, por lá, tentar fazer um trabalho de campo numa das próximas ações quando lá formos buscar pão. Nessa altura,  iremos contactar a Polícia e outras instituições, batendo, por assim dizer, o centro da cidade, tentando perceber se ali há necessidade para intervirmos.”

 

E depois?

“Depois a nossa ação poderá estender-se a Lisboa, até porque que um dos nossos colegas lá reside”.

 

O importante papel das autarquias

 

E haverá, com certeza, muitos outros sem-abrigo por todo o país.

“Por qualquer localidade! Como, por exemplo, temos aqui no Porto, não só os sem-abrigo, mas também pessoas que estão dentro de casa que vão tendo um teto para dormir, mas já não têm muito para comer. É a tal pobreza envergonhada.

O “Estamos Aqui…” está a tentar entrar por essa área, tendo conhecimento da realidade dos filhos dos nossos colegas nas escolas. Estamos, no fundo, a tentar fazer um apanhado para avaliar a situação”.

 

Aí, o “Estamos Aqui…” tem de lá estar com o apoio das autarquias.

“Sim. Já fiz, por exemplo, uma articulação com a minha junta de freguesia, a de Paranhos, pedindo-lhes que me dessem indicações dos locais que pudessem conhecer e onde se encontrassem sem-abrigo. Soube, então, que eles estavam a dar apoio a aluinos de certas escolas. Então, abordei o caso dos sem-abrigo e depois de vários contactos eles deram-me a conhecer alguns locais que, por acaso, nós já conhecíamos. Agora, vamos contactar a PSP do Bom Pastor para ver se eles têm mais indicações”.

 

E depois aparece o Biodanza…O que é isso do Biodanza? Não se alongue muito em explicações porque, brevemente, vamos ter nesta coluna a responsável por essa curiosa atividade.

“Comecei a biodanza em 2012. Biodanza é uma coisa muito gira. É uma dança da vida, é o saber dançar a vida, é o voltar a descobrirmos os sentimentos que estão dentro de nós. É o falar com o corpo.

 

Mais não se pode dizer sobre a Biodanza, pois na edição de abril teremos cá quem disso bem percebe.

“É. Nada-se na água e eu como já, quando jovem, fui uma golfinha, no FC Porto, a coisa veio mesmo a calhar”.

 

“Adoro da formação!”

 

E a Carla faz ainda voluntariado empresarial e dá resposta ao projeto Comunicar em Segurança?

“A nível do voluntariado empresarial, nós temos um projeto, que a Fundação PT desenvolve, no qual sou uma das voluntárias para dar formação. Adoro dar formação! Achei interessante, porque nós vamos às escolas no âmbito “Comunicar em Segurança” que tem a envolvência do voluntariado empresarial. O projeto abrange alunos desde a primeira classe até ao décimo segundo ano, e damos-lhes alguns alertas e cuidados que eles devem ter com as redes sociais, sobre vários temas que se achou por bem desenvolver e que também é incrementado pela Guarda Nacional Republicana (GNR) mas só ao nível do 1.º e 2.º ciclos. Gosto de, especialmente, dar formação para escolas do interior para ver outras realidades. No ano passado fui a Sande, Marco de Canaveses, e foi como que voltar às minhas raízes uma vez que os meus avós eram de lá.”

 

É uma humanista apaixonada?

“Quando estudava era para tirar o curso de química! (risos)

Hoje, acho que ainda vou tirar psicologia.”

 

Não se esqueça da antropologia…

“Ou isso. Estará entre a antropologia e a psicologia”.

 

“As nossas ações são ações de amor!”

 

“Estamos Aqui…”. Achou o nome interessante. O nome que é dado ao vosso grupo de intervenção junto dos sem-abrigo?

“O primeiro nome era “Estamos Aqui por Vocês”, achamos que ficaria demasiado longo e, assim, deixamos só “Estamos Aqui…”. É engraçado, porque o facto de estarem as duas mãos dadas no nosso símbolo, as pessoas percebem que estamos aqui por afeto e por amor. É precisamente essa mensagem que queremos passar. Nós queremos levar o amor para a rua, as nossas ações, são ações de amor!”

 

Texto: José Gonçalves

Fotos: António Amen

 

93 Comments

  1. AT

    Carla
    Parabéns por este maravilhoso trabalho que muita alegria e esperança, estou certo, leva aos menos afortunados.
    É a generosidade e entrega de pessoas como a Carla que transformam o nosso mundo e nos fazem acreditar num futuro melhor.
    Parabéns!
    AT

  2. Carla Ribeiro

    Olá Amiguinha
    Já tantas vezes me ouviste falar com tanta paixãp do “Estamos aqui…” e sempre me deste o teu apoio
    Iremos continuar sim até porque sei que tenhoi Amigas e Amigos fantasticos que estão sempre a meu lado para me apoiar.
    Beijinhos Amiga

  3. Carla Ribeiro

    Obrigada Marques
    arece que ha um lado de “Aquele-olhar” que desconhecias…
    Ainda bem que te surpreendeu positivamente.
    Espero que um dia possas trocar uma noite no conforto da tua casa e da tua familia , por uma noite cheia de Amor, entrega e alegria junto de algusn corações tanto ou maiores que o meu que nos move em cada noite para junto dos nossos “Amigos de Rua”.
    Obrigada pelas tuas palavras
    Bjnhs da dona de “aquele-olhar”

  4. José Marques

    Muitos PARABENS Carla, nunca imaginei que, por detrás “Daquele-olhar”, houvesse um coração de tal tamanho. Adorei a tua convicção, tua firmeza em te afirmares no “Estamos Aqui”. Mais uma vez PARABENS.

  5. Susana Costa

    Tenho a sorte de ser amiga da Carla, e conheço bem de perto o projecto do “Estamos Aqui…”, e apesar do frio, as ruas do Porto estão mais quentes com o trabalho e o calor humano destes voluntários………..Continuem o bom trabalho……bjs

  6. Carla Ribeiro

    Ola mimalho
    Tens vindo a acompanhar ha algusn anos a minha longa caminhada
    Comecei mais uma ou dei-lhe outra forma
    Temos uma linda AMIZADE que o tempo nos ensinou a respeitar e a VIVER
    És um AMIGO sem igual que tem estado a meu lado nos bons e maus momentos e com quem conto sempre.
    Beijinhos xiquinho
    Continua essa pessoa linda que tens dentro de ti

  7. Carla Ribeiro

    olá Dr. Mário
    Mto obrigada pelas tuas palavras.
    São todas estas letras que leio que fazem valer a pena continuar a lutar e lutar por levar Amor e Mmais Amor a todos os nossos “Amigos de Rua”
    Bjnhs
    Carla Ribeiro

  8. Francisco

    olá mimalha
    li a tua entrevista…
    fizeste com que me viessem as lágrimas aos olhos
    Parabéns por tudo o que fizeste, estás a fazer é… por seres como és
    beijoca

  9. Carla Ribeiro

    Manuela,
    fico grata pelas tuas palavras
    espero-te para uma noite nesta nova etapa da minha vida e esta com o “Estamos aqui…”
    Uma nooite linda e diferente
    Quando quiseres avisa, gostaria mt que nos acompanhasses.
    Bjnhs

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