Carla Maria Cardoso Ribeiro, tripeira de Paranhos, é uma das mentoras do “Estamos Aqui…” um projeto solidário que, ela própria, dará a conhecer na entrevista que se segue. Amante do diálogo com quem dele mais necessita, Carla é o exemplo de uma vida vivida com algumas dificuldades “técnicas”, mas sempre pronta a ajudar os outros e, neste caso específico, os seus “Amigos de Rua… os sem-abrigo.
É mulher que não para. Uma mulher “pronta a chegar aos corações, ao sentimento. O “Estamos Aqui…” é o seu projeto, e nele está envolvida de corpo e alma desde outubro do ano passado, e já com obre digna de registo. A ler…
Quem é a Carla Ribeiro?
“A Carla tem 41 anos e, a dada altura, resolveu fazer voluntariado, depois de várias experiências, já na altura da adolescência com um grupo que dava apoia aos jovens que estavam na Tutoria, aqui no Porto. As raparigas iam para um lado, e os rapazes para outro, e conversávamos um pouco com eles. Isso aconteceu quando eu tinha os meus 16/17 anos.”
Ainda havia essa divisão?
“Ainda havia essa divisão. Era muito difícil fazermos algumas atividades com a junção dos dois grupos, devido aos condicionalismos de juntar rapazes com raparigas. Na altura do Natal, conseguíamos que, os que ficavam na Tutoria fossem passar a quadra a nossas casas, ficávamos, assim, responsáveis por eles durante esse período. Às vezes corria bem, outras vezes…não”.
Estranha essa “divisão” mesmo depois do 25 de abril. Em democracia! O que é que constatou nessa altura?
“Havia muito medo dos miúdos e das miúdas em falar connosco. Isso era uma coisa que nós notávamos. Eram jovens com 11/12 anos já com um percurso de vida surpreendente – que para nós era inimaginável pelo seu aspeto negativo – e notávamos muito medo no diálogo que eles tinham connosco, porque a seguir seriam, presumivelmente, alvos de alguns castigos por parte dos coordenadores. Havia miúdas que nos diziam que fugiam da instituição, sabendo que depois seriam castigadas, só para, pelo menos – e de acordo com um caso – passar o dia na praia. A alegria da fuga compensava mais que o castigo.
Foi interessante perceber como é que uma miúda de treze anos ter saltado o muro, com vidros, arriscando a sua própria vida. Mas ela conseguiu ir para a praia, foi de Matosinhos até Vila do Conde pela orla marítima, ia comendo daquilo que as pessoas lhe davam, e foi brincando com outras crianças. Quando ela contou isto quase que como se esqueceu do castigo que a seguir foi sujeita.”
Isto “só” há vinte anos atrás?! E isto, repito, já no Portugal democrático!
“Há vinte anos atrás, é verdade! Para mim foi uma vivência, uma experiência, muito grande. Acho que foi a primeira alavanca que me marcou verdadeiramente quanto a uma realidade que eu desconhecia. A vivência com estes jovens na Tutoria foi bastante enriquecedora, já que, ao fim de algum tempo, tirou-se dessa riqueza algo de importante para o futuro. Pena foi que, depois, nos tenham barrado o caminho de acesso ao estabelecimento, ao ponto de termos de abandonar o projeto.”
Mas, por quê?
“Porque nós quisemos ajudar aqueles jovens e, assim, começaram a criar barreiras para, no fundo, a eles não termos acesso.”
Barreiras?!
“Sim. Não sei o porquê. Na altura, ouvia-se a falar de tanta coisa que, hoje, é difícil avaliar o que na realidade aconteceu.”
Experiências solidárias
Com o passar do tempo…
“Com o passar do tempo foi quase que rever nos “meus” sem-abrigo algumas das histórias e alguns dos percursos. Entretanto, fiz parte da Juventude da Cruz Vermelha, porque lá trabalhei algum tempo nos projetos da Ocupação dos Tempos Livres, durante as férias escolares. Depois, acabei, ainda por lá, por fazer trabalho de apoio a idosos, aos médicos e ao serviço de ambulâncias. Tinha, na altura, já 19/20 anos. Eu ainda me mantinha no meu grupo de jovens, mas conseguia articular as duas funções.
Mais tarde, tive de deixar o grupo da Cruz Vermelha e optei por manter o meu grupo de jovens.”
Grupo de jovens?!
“Sim, grupo de jovens franciscanos e nesse grupo é que dávamos o tal apoio à Tutoria. Tive aí uma base de crescimento. Éramos vários jovens, praticamente, da mesma idade. Tínhamos várias atividades. Fazíamos imensas coisas. Tínhamos várias parcerias. Tínhamos encontros nacionais da Juventude Franciscana… essa parte foi mais ligada à religião católica.
Depois casei e desliguei-me da Juventude Franciscana, porque não fazia o mínimo sentido lá continuar. Houve, então, um percurso longo em que nada fiz em termos de apoio social, tudo para me dedicar mais à família.”
“Estamos Aqui…”
Até que algo volta, como que, a chamá-la?!
“Há sempre um bichinho que fica. Eu, nesse período, fui adiando porque não tinha tempo. Até que a PT, onde trabalho, desenvolveu uma parceria com uma instituição para fazer rondas noturnas junto dos sem-abrigo. Então, optei por experimentar, porque nunca tinha estado, diretamente, a lidar com sem-abrigo, e achei que talvez seria uma área na qual poderia explorar experimentando.”
E qual foi o primeiro impacto?
“Foi fazer a primeira ronda, em 2010, através de uma instituição e cheguei a casa dizendo: “até pensei que isto ia ser pior!” (risos). Foi engraçado porque fiquei, completamente, desconsolada, porque pensei que a coisa seria muito mais grave… que ia ver uma realidade mais “dura”…
E qual era a instituição?
“Prefiro não dizer. Não vale a pena! Depois, fui fazendo mais ações de rua, tendo uma noção mais real daquilo que se passava!”
Até que surge o “Estamos Aqui…”
“O “Estamos Aqui…” nasce porque, ao fim de algum tempo, e depois de ter criado laços de amizade com as pessoas, foi ficando, ao final de várias rondas, uma ligação mais direta com um dos elementos que também fazia parte da equipa…
…quem?
“O Marco Gonçalves. Ele e eu, um dia, ao telefone às oito e meia da noite falámos sobre a última ronda. Estávamos chateados porque alguém nos tinha chamado à atenção por não gostarem que acabássemos as rondas às oito da manhã, já que achavam que a partir das três horas, os sem-abrigo não tinham fome! O que é uma mentira! Uma grande mentira! O sem-abrigo come quando lhe dão de comer e quando tem comida. A dada altura percebo, então, que nós os dois estávamos a caminhar para a construção de um novo projeto. Assim sendo, o “Estamos Aqui…” nasce às oito e meia da noite de três de outubro de 2012.”
“Não aceitamos donativos em dinheiro, nem temos nenhuma instituição por trás”
A partir daí…
“A partir daí foi o desenvolver do projeto; foi o criar o nome; foi criar o Facebook ; foi criar uma imagem para o grupo e convidar pessoas que viessem juntar-se a nós, de modo a fazerem parte do núcleo base e, assim, criarmos estruturas e para podermos estar na rua.”
E qual foi a recetividade?
“Foi, e é, muito grande, principalmente quando dizemos que não aceitamos donativos em dinheiro e, depois, não temos nenhuma instituição por trás de nós. Somos um grupo de pessoas que está na rua pelos nossos sem-abrigo a quem chamamos “ amigos de rua”.
Hoje, há dezenas de instituições do género espalhadas pelo país, facto que tem originado alguma desconfiança por parte da população quanto aos concretos objetivos para as quais foram criadas.
“Sim, há muitas instituições, que se calhar estão todas mal coordenadas. Se todas estivessem devidamente coordenadas poderiam fazer um trabalho melhor que o que se fazem. Primeiro porque, e infelizmente, o sem-abrigo tem de comer todos os dias. Nós ainda não temos capacidade para o fazer semanalmente, mas acredito que há outros grupos que a têm e não o fazem.”
Pois, há instituições aqui no Porto, e só referenciando algumas, como a Legião da Boa Vontade, AMI, Coração da Cidade e etc e tal. Pelo que já se costuma dizer que só passa fome quem quer…
“Eu não digo isso! A realidade da rua é diferente!”
“Não trabalhamos com números. Trabalhamos com pessoas!”
Mas eles também não querem sair da rua, digo-o com experiência depois de ter acompanhado uma dessas jornadas.
“Temos vários tipos de pessoas na rua. Se virmos a base dos problemas que tiram as pessoas para a rua, noventa por cento tem origem em problemas familiares. Foi a família que os atirou para a rua! Outros caem na rua por droga, álcool, prostituição ou por outros motivos. Temos ainda outras situações: famílias completas que acabam por perder o emprego, vai tudo desmoronando-se, e acabam por ficar na rua. Essas pessoas – quando está o nicho completo – geralmente é fácil voltar a coloca-los em algum local e restrutura-los. Quando é uma pessoa sozinha, ela prefere ficar na rua, e não quer cumprir regras…”.
Não há apoio psicológico neste trabalho?
“O “Estamos Aqui…” não sai para a rua com a ideia de atender cinquenta ou 120 pessoas. Nós não trabalhamos com números, trabalhamos com pessoas!”.
Mas, não levam nenhum psicólogo?
“Não levamos nenhum psicólogo! Somos um grupo de amigos…
Nada tem contra os psicólogos?!
“Nada, nada! Aliás, se algum psicólogo nos quiser acompanhar será sempre bem vindo. No Facebook abrimos a nossa página há pouco tempo ( http://facebook.com/estamos.aqui.2012 ) e, consequentemente, o convite às pessoas para poderem acompanhar o nosso trabalho; para nos contactarem e para virem connosco. E a recetividade foi muito positiva, tanto mais que, hoje, temos uma escala com quatro elementos base e depois a possibilidade de levar mais três elementos connosco”.
Solidariedade(s)
Recorrem ao Banco Alimentar?
“Não! Nós temos dois restaurantes que nos fornecem a sopa nos dias em que fazemos as ações: o “Castelões”, na rua de Álvaro Castelões, aqui no Porto, e o “Colherada”, na “Macro” de Gaia.”
E o transporte?
“Temos uma carrinha cedida por um dos elementos. E depois, uma coisa fantástica, que aconteceu na véspera de uma das nossas ações de rua. Na altura, não tínhamos pão para levar para os nossos amigos de rua. Fiz, então, um apelo no Facebook e, por volta da uma e meia da manhã, houve um senhor que nos respondeu para o contactarmos, uma vez que tinha padarias e, facilmente, nos poderia fornecer o… pão!
Com o contacto dessa pessoa, peguei no telefone, liguei e perguntei-lhe: “Quantos pães nos pode arranjar? Só precisava de cinquenta! Como é que vamos fazer?” E ele diz-nos que a padaria é em Santa Maria da Feira. Era longe, mas o senhor tinha demonstrado muita disponibilidade e nós não podíamos, de forma alguma, recusar essa solidariedade. E num sábado à tarde, lá fomos a Santa Maria da Feira, trouxemos os cinquenta pães e quatro ou cinco caixas com bolos.”
Você vive isto!
“Vivo isto!”
Quando contacta, diretamente, com um sem-abrigo, qual é o impacto… a sua reação?
“É sair da carrinha sempre a sorrir!”
Mesmo quando aparece um desconhecido?
“Sim! Geralmente, nós abordamos essa pessoa com alegria. Se atuasse com cara embrulhada, o melhor seria ficar em casa. E o engraçado é que eles já nos vão conhecendo pela nossa boa disposição. Repare: o sair com sorriso já é uma porta de entrada para com eles estabelecer um contacto direto.”
As pessoas não são todas iguais.
“Sim, mas, até hoje, nunca tive problema no contacto com qualquer pessoa”.
“Nunca seremos uma associação com fins lucrativos!”
Tendo em conta o previsto agravar da austeridade em Portugal no decorrer do presente ano, o “Estamos Aqui…” está pronto para dar resposta a um maior número de pedidos de ajuda?
“O “Estamos Aqui…” continuará a ser um grupo que desenvolverá a sua ação ao encontro dos “amigos de rua”, com o objetivo de falar com eles, perceber as suas necessidades e ver onde é que os podemos ajudar.”
Há uma estrutura a ser montada?
“Sim. Nós não somos nenhuma instituição, não somos nenhuma associação… somos, repito, um grupo de amigos. No entanto, estamos a pensar se iremos, ou não, constituir-nos em associação, talvez por assim possaser mais fácil ter o apoio das empresas. Nunca será uma associação com fins lucrativos. Nós nunca vamos aceitar donativos, ou qualquer tipo de dádiva em dinheiro. Vamos trabalhar sempre com parcerias. Temos os dois restaurantes que nos estão a fornecer sopa e ainda duas padarias – a “Lucimel”, em Santa Maria da Feira, e “Dompastel”, que é aqui do Porto.”
Qual o universo de pessoas que abrangem através da vossa ação?
“Não sei ao certo lhe dizer, porque não as contabilizamos. Mas, assim de uma forma geral, conseguimos, em cada ação de rua, falar com cerca de cinquenta pessoas. A prioridade é falar com as pessoas, só, posteriormente, é que lhes perguntamos se querem alguma coisa para comer. Aí temos sempre sopa, leite com chocolate e café. Tudo quente!”
Quais são as zonas onde têm vindo a intervir?
“Essencialmente na zona da baixa da cidade do Porto, onde existem vários nichos: pessoas isoladas, ou então, três a quatro pessoas juntas. É uma zona que conhecemos, isto pelo facto de já termos colaborado com outras instituições. Assim fomos associando locais e estamos, neste momento, a dar apoio a sem-abrigo em locais que sabemos que, pelos quais, não passa outra instituição.”
“O “Estamos Aqui…” é um filho nosso, ao qual lhe demos pernas e agora caminho”
E depois é o “tal” contacto.
Sim, Se tivermos de estar uma hora com eles… estamos uma hora! Eles querem é falar connosco! O resto do grupo respeita a necessidade dessa pessoa e vai interagindo com as outras, enquanto estou a falar com um dos elementos.”
A sua família aceitou esta atividade?
“Quando as pessoas tomam uma decisão destas têm de ter coragem, muita sensibilidade, e, depois, o tal apoio da família. Se não tivesse apoio dos meus pais e do meu filho, não teria conseguido abraçar este projeto da forma que abracei, criando o que já se criou, e, principalmente em outubro do ano passado, em que todos os membros do “Estamos Aqui…” puseram a máquina funcionar”.
E neste momento “Estamos Aqui…”
“É “Estamos Aqui…”. De momento tenho quatro elementos base. O projeto nasceu da cabeça do Marco, ao qual dei logo apoio, partindo para a rua quase de imediato. Portanto, temos uma capacidade de articulação bastante grande, o que é engraçado. Estamos muito sintonizados!
No Natal, por exemplo, tivemos uma ação com a presença, excecional de 12 voluntários, e eu lembrei-me de irmos para a rua com gorros de Pai Natal, pelo menos, para alegrar e dar algo de diferente às pessoas. Dito e feito! Ainda antes de sair para a rua os gorros já estavam encomendados por um membro do grupo. Bastou ter a ideia. No fundo, este projeto é um filho nosso, não biológico, mas a quem resolvemos dar pernas e que agora queremos dar-lhe caminho.”
“Há sítios que não queremos ir por questões de segurança!”
E onde se encontra o “berço” do filho?
“O “berço”, ou seja, as instalações que nós usamos para preparar as coisas, é em casa de um nosso colega, porque ainda não temos sede própria. Com o tempo, esperamos ter o nosso próprio local. Repare que começamos em outubro – logo com duas ações de rua -, estamos em janeiro, e com o evoluir do projeto vamos conseguir esse objetivo”.
A zona oriental do Porto, que é socialmente, muito carenciada, tem merecido, por parte do “Estamos Aqui”, alguma atenção especial?
“Há vários nichos que não conseguimos abranger. Como também há sítios que não queremos ir por questões de segurança. São locais bastante problemáticos! No entanto, há áreas, ou zonas, em que há pessoas que precisam de apoio”.
As pessoas que abordam se calhar não são tão más quanto aquilo que se pode pensar, o pior é o que vem a seguir?!
“Até hoje nunca tive problemas quanto a abordagens. Às vezes, os nossos amigos de rua são um bocadinho rígidos quando falam connosco, mas só num primeiro impacto, e isto porque a vida também os magoou, assim como atitudes menos corretas de outras instituições. Eles têm de ser respeitados como pessoas, e há quem os trate como bichos. A partir do momento que eles me respeitem tudo bem, quando assim não acontece…acabou!”
Santa Maria da Feira e Lisboa os próximos “Aqui” do “Estamos”
E o “Estamos Aqui…” só vai estar aqui, no Porto?
“Neste momento estamos no Porto. Em termos de orgânica ainda não temos os apoios que necessitávamos para percorrer um caminho mais vasto. Nós, de momento. tentamos levar a sopa e o pão, que já falei, e mais pães com alguma coisa mais: com compota de abobora e com marmelada. Levamos também um pacote de bolachas, que é uma coisa que eles comem com bastante facilidade, e tentamos, ainda, levar fruta. Estamos também a tentar fazer recolha de roupa. Nesta altura, temos uma grande necessidade de arranjar cobertores e também caixas de cartão, o que estamos a tentar em algumas lojas.
Quanto à sua pergunta, em concreto. Primeiro, queremos reunir todas as condições essenciais e estáveis aqui no Porto, e depois, até porque vamos todas as semanas a Santa Maria da Feira – é já para nós um local que deveríamos reconhecer – vamos, por lá, tentar fazer um trabalho de campo numa das próximas ações quando lá formos buscar pão. Nessa altura, iremos contactar a Polícia e outras instituições, batendo, por assim dizer, o centro da cidade, tentando perceber se ali há necessidade para intervirmos.”
E depois?
“Depois a nossa ação poderá estender-se a Lisboa, até porque que um dos nossos colegas lá reside”.
O importante papel das autarquias
E haverá, com certeza, muitos outros sem-abrigo por todo o país.
“Por qualquer localidade! Como, por exemplo, temos aqui no Porto, não só os sem-abrigo, mas também pessoas que estão dentro de casa que vão tendo um teto para dormir, mas já não têm muito para comer. É a tal pobreza envergonhada.
O “Estamos Aqui…” está a tentar entrar por essa área, tendo conhecimento da realidade dos filhos dos nossos colegas nas escolas. Estamos, no fundo, a tentar fazer um apanhado para avaliar a situação”.
Aí, o “Estamos Aqui…” tem de lá estar com o apoio das autarquias.
“Sim. Já fiz, por exemplo, uma articulação com a minha junta de freguesia, a de Paranhos, pedindo-lhes que me dessem indicações dos locais que pudessem conhecer e onde se encontrassem sem-abrigo. Soube, então, que eles estavam a dar apoio a aluinos de certas escolas. Então, abordei o caso dos sem-abrigo e depois de vários contactos eles deram-me a conhecer alguns locais que, por acaso, nós já conhecíamos. Agora, vamos contactar a PSP do Bom Pastor para ver se eles têm mais indicações”.
E depois aparece o Biodanza…O que é isso do Biodanza? Não se alongue muito em explicações porque, brevemente, vamos ter nesta coluna a responsável por essa curiosa atividade.
“Comecei a biodanza em 2012. Biodanza é uma coisa muito gira. É uma dança da vida, é o saber dançar a vida, é o voltar a descobrirmos os sentimentos que estão dentro de nós. É o falar com o corpo.
Mais não se pode dizer sobre a Biodanza, pois na edição de abril teremos cá quem disso bem percebe.
“É. Nada-se na água e eu como já, quando jovem, fui uma golfinha, no FC Porto, a coisa veio mesmo a calhar”.
“Adoro da formação!”
E a Carla faz ainda voluntariado empresarial e dá resposta ao projeto Comunicar em Segurança?
“A nível do voluntariado empresarial, nós temos um projeto, que a Fundação PT desenvolve, no qual sou uma das voluntárias para dar formação. Adoro dar formação! Achei interessante, porque nós vamos às escolas no âmbito “Comunicar em Segurança” que tem a envolvência do voluntariado empresarial. O projeto abrange alunos desde a primeira classe até ao décimo segundo ano, e damos-lhes alguns alertas e cuidados que eles devem ter com as redes sociais, sobre vários temas que se achou por bem desenvolver e que também é incrementado pela Guarda Nacional Republicana (GNR) mas só ao nível do 1.º e 2.º ciclos. Gosto de, especialmente, dar formação para escolas do interior para ver outras realidades. No ano passado fui a Sande, Marco de Canaveses, e foi como que voltar às minhas raízes uma vez que os meus avós eram de lá.”
É uma humanista apaixonada?
“Quando estudava era para tirar o curso de química! (risos)
Hoje, acho que ainda vou tirar psicologia.”
Não se esqueça da antropologia…
“Ou isso. Estará entre a antropologia e a psicologia”.
“As nossas ações são ações de amor!”
“Estamos Aqui…”. Achou o nome interessante. O nome que é dado ao vosso grupo de intervenção junto dos sem-abrigo?
“O primeiro nome era “Estamos Aqui por Vocês”, achamos que ficaria demasiado longo e, assim, deixamos só “Estamos Aqui…”. É engraçado, porque o facto de estarem as duas mãos dadas no nosso símbolo, as pessoas percebem que estamos aqui por afeto e por amor. É precisamente essa mensagem que queremos passar. Nós queremos levar o amor para a rua, as nossas ações, são ações de amor!”
Texto: José Gonçalves
Fotos: António Amen





O teu Sorriso é lindo.
Sorriso que mostra a grande mulher que és,em especial ajudando os outros sempre com esse sorriso.
Que sejas feliz
Voce merece
Bjnhs
<3
Com a devida vénia e cuja leitura me fez lembrar, nesta data singular, o “Velho Porto” que “deitei pra trás das costas” numa tarde de espera e sem sucesso relativamente a um alvo aparentemente mais polido e aburguesado que nem sequer combinava com este drama mais dos OUTROS do que nosso… Só que dramas desse quilate estão um pouco disseminadas pelo todo nacional OCULTO e nos deve fazer meditar acerca das estruturas sociais que ainda temos e que fazem o possível. Daí que este tipo de patrocínios da sociedade civil tenha que ser cada vez mais frequente e obrigatório para as boas almas. Ao João um Abraço e palavra de apreço pelo gesto de acudir aos mais pobres dos pobres, na antecâmara de um Ano 2013 que promete ser bem mais áspero e cruel…!!!
A nossa troca de olhares diziam as palavras desnecessárias.
Foi lindo presenciar convosco que não há ninguém acima de ninguém. A todos os amigos, solicito ainda que contactem o Estamos Aqui para que junto deles colaborem de toda a maneira que vos for possível.
A todos, obrigado.
Obrigada Carla
Bjnhs
Obrigado, Carla, por recordares aqui o que, para mim e certamente para todos, já é inesquecível.
Só posso dizer isto: voltarei!
Bjnhs
Soaria repetitivo dizer o que penso de todos vós (nós).
Estou convencido que qualquer um que convosco colabore se tornará um saudável viciado no bem-fazer. Porque a nossa vida de alheamento às gentes que por nós passam na rua, se centralizam nessas noites na melhor dádiva que cada um tem dentro de si: a de dar a mão a quem de facto precisa.
Como seres humanos que somos, sentimo-nos bem por fazermos sentir melhor quem pior está. E por isso em nós, os que já foram, o desejo de sempre voltar.
Abraço, amigos para sempre.
Adorei estar convosco e quero continuar se possível a acompanhar-vos. Beijinhos
Este mundo deveria ter + pessoas como Tu / vocês ! Obrigado pela vossa luta e entrega.
Bjnhs
Como o “Pouco” pode ser “Tanto”… Parabéns” Estamos Aqui”, sois FANTÀSTICOS
Ola JM
Só com os vosos dedos todos juntos com os nossos conseguimos ter esta mão tão grande e cheia de AMOR e Força para continuar a nossa CAMINHADA de AMOR junto dos nossos “Amigos de Rua”..
Obrigada pelo teu enorme apoio e sempre palavras tão lindas de incentivo e ajuda
Bjnhs e estamos sempre a tua espera para nos acompanhares
Carla Ribeiro
Dar uma mão pequenina a quem faz da sua mão o afago, a carícia, a quem dela precisa? Na vossa mão enorme, Estamos Aqui, a minha é apenas um dedo.
Boa noite Dra. Esmeralda
Obrigada pelas suas palavras
sem duvida nunca me senti tão feliz e entregueime totalmente ao “Estamos aqui…” que um dia foi um “FILHO” que ensinamos a andar mas que é agora já um “Filho” que acompanhamos a andar
Keremos continuar esta CAMINHADA de AMOR com cada vez mais e mais Amor.
Mts Bjnhs
Obrigada
Carla Ribeiro
Olá Carla, quem te conhece, sabe, que estas acções são talhadas à tua medida. Mas é preciso mais que um grande coração, é também preciso determinação, mobilização, concretização e, por isso é de louvar o teu papel como um bom exemplo para a nossa sociedade. Quando chegarem a Lisboa, terei todo gosto em estar do vosso lado. Beijinhos e boa sorte.
Obrigada MR
Também tu falas de uma realidade que acabaste de Vivenciar pois integraste o grupo esta noite na nossa “Ação de Rua”
Grata fico com as tuas palavras
mts bjnhs
Obrigada JE
bjnh
JSM,
Não se pode parar, eles precisam de mim na rua
E eu preciso de saber como eles estão.
Fui mas tive cuidado
Estou bem e feliz por não ter tido que faltar
Obrigada pelo teu cuidado,
Bjnhs
JR,
sem duvida as tuas palavras são muito gratificantes pois são o reflexo de uma vivencia de uma “Ação de Rua” acabada de fazer
Acompanhaste-nos nesta noite de AMOR pelos nossos “Amigos de Rua” em que foi uma noite carregadinha de Amor, Sorrisos e mt Alegria.
Obrigada pelo teu apoio
bjnhs
Digo-vos com todo o coracao “bem hajam”!
O vosso trabalho e enternecedor, a forma cuidada, meiga e carinhosa como tratam as pessoas e de realçar!
So coracões puros e genuinos é que poderiam realizar o acompanhamento que voces fazem.
Fiquei adoentada devido ao frio mas acreditem valeu a pena! Adorei a experiencia e a honra que me deram em poder participar em tom nobre ação.
Obrigado.
Contem comigo para o que puder ser util.
Beijinhos a todos
” já voltaste á rua” ?
Eles sentem a tua falta!
É assim mesmo, uma guerreira…….
o teu projeto é muito digno…
bj grande…….
JSM
Bem hajam pelo vosso carinho com os mais desprotegidos.
Gente boa a fazer bem!- Bem hajam! 🙂
JE
Queridos amigos, sinto-me muito grato e enriquecido pela experiência que me proporcionaram, pela noite marcante e inesquecível que vivi!
Muitos parabéns pelo vosso GRANDIOSO TRABALHO!
Até breve!
Disponham para o que necessitarem!
JR